28/12/06

TERMINUS 27: PELA NÃO UTILIZAÇÃO DESPROPOSITADA E INÚTIL DE UM ESPAÇO VIRTUAL BEM COMO PELA NÃO ACÇÃO INTENCIONAL DE DANO MORAL E PSÍQUICO DO LEITOR

Não gosto de pessoas que julgam que qualquer merda que lhes vem à cabeça é merecedora de passar para a folha de papel ou para a folha virtual. Acho isso presunçoso, arrogante e estúpido. Porque é que ninguém lhes diz que fazer os outros perder tempo com artigos redundantes e sem nexo é pura perda de tempo?
Se isto não é judicialmente punível, pelo menos a nível social deveria ser. Haja alguém que apanhe essas pessoas e lhes inflija fortes vergastadas. A não ser que elas gostem. Se for esse o caso digam que lhes vão bater mas depois não batem. Ameacem só.
Voltando ao tópico principal, o país já está complicado o suficiente. Não era preciso vir mais alguém atirar postas de pescada para a fogueira só porque pensa que tem piada. Alguém lhe disse que tem? Não creio.
Por tudo isto eu vos digo: olhem bem para dentro de vós e (se estiver tudo no sítio certo) pensem no seguinte: porque é que eu perdi tempo a ler isto?

TERMINUS 26: UMA QUESTÃO DE DISTÂNCIA


Finalmente trago um assunto pertinente para ser discutido dentro e fora da blogosfera: casas de banho públicas, com enfoque na distância que vai da retrete à porta. Friso que incluo na definição de ‘casa de banho pública’ não só as ‘cabines’, como também as de cafés e restaurantes.
Já todos nós estivemos em situações de aperto – no sentido fisiológico do termo – e chegámos a um local onde esperávamos encontrar alívio e no fim encontrámos um novo aperto – desta vez a nível espacial. Esta situação tende a repetir-se constantemente. Porque é que ninguém fala disto?
Os ‘gabinetes’ são demasiado exíguos. Mal dá para uma pessoa abrir a porta como deve ser. Às vezes chega a ser necessário pôr os pés em cima da sanita (gosto mais da palavra ‘sanita’ do que da palavra ‘retrete’) para que consigamos sair.
E isto no caso de sermos magros. Se formos gordos nem chegamos a entrar.
É por isso que eu gosto das casas de banho grandes. Aquelas em que uma pessoa entra e tem espaço até para meter um roupeiro e uma secretaria – embora fazer isso seja próprio de alguém com perturbações mentais acentuadas, não me custa nada dar a dica só para ver até onde vocês vão.
Há, porém, um senão. Novamente, a questão entre a porta e a sanita. Convém explicar, duma vez por todas, a quem desenha casas de banho públicas que o facto delas serem espaçosas não implica que a porta esteja longe da sanita. Particularmente quando o trinco está avariado e a nossa única defesa contra uma exposição pública não desejada são a esperança e reflexos rápidos. E, já agora, um braço grande para que, quando a porta se começar a abrir, possamos reagir a tempo. Isto é deveras desagradável; para não dizer exaustivo.
Chamo ainda a atenção dos responsáveis para outra coisa: as luzes automáticas. Não gosto. Ao início, sim senhor, é bonito, mas depois... É que o automático funciona para os dois lados, isto é, as luzes tanto acendem automaticamente, como apagam automaticamente. Muitas vezes nas piores alturas.
Afinal de contas, qual é a finalidade das luzes automáticas? Que raio de vantagem é que essa invenção trouxe ao mundo? A meu ver, nenhumas. Ó sim, é muito mais prático entrar na casa de banho e a luz acender-se sozinha. É quase como um tapete vermelho e, realmente, poupa-nos imenso trabalho quando estamos mesmo aflitos. Mas as vantagens ficam por aí.
E isto porquê?
Primeiro, porque os sensores nunca tão colocados como deve ser. Activam-se quando uma pessoa entra, tudo bem, mas depois quando um gajo tá sentado a fazer o serviço, tem de estar, a maior parte das vezes, a mexer os braços, senão é obrigado a fazer o serviço às escuras.
Que raio de ideia foi esta? Eu vou ali para perder peso intestinal (só para não escrever ‘cagar’) não é para dançar. Figuras tristes já as faço cá fora. Não se posso ter um pouco de dignidade na casa de banho, onde é que poderei?
E depois há aquelas casas de banho que o sensor só funciona se tivermos de pé. Se tivermos na sanita podemos até dançar a “macarena” que não há luz pra ninguém.
E isto se forem pessoas altas, ou pelo menos da minha altura. Se forem mais baixas que isto, não se safam. A não ser que levem um banquinho.
Eu vi-me uma vez numa situação parecida. Estava sentado e o sensor estava fora de alcance. Então eu pensei:
E se eu regulasse o sensor de modo a que o ângulo ficasse mais fechado?’
Assim o pensei, assim o fiz; convencido que estava a fazer um grande favor, não só a mim mas também a todos aqueles que tiveram ou poderiam vir a estar naquela mesma situação.
O problema é que o sensor onde eu fui mexer tinha um alarme. Aquela porcaria começou a apitar duma maneira que até parecia que eu estava a assaltar um banco.
O gajo do café veio logo ver o que é que se estava a passar e começou a bater à porta.
Ó amigo, vamos lá a parar com as mexidelas aí para a gente não se zangar!”
E eu ali caladinho. Não que eu tivesse medo dele mas já me bastava estar um gordo careca do outro lado a ralhar comigo por eu estar a fazer brincadeiras na casa de banho.
O outro, lá se foi embora, e foi então que eu percebi para que é que servem as luzes automáticas. Qual a grande, senão a única, vantagem que elas têm. Não para os utilizadores, mas para os donos dos cafés.
A conta da luz é baixíssima.
O pessoal, se para ter a luz acesa precisa de estar aos saltinhos, eh pá, caga lá nisso. Mais vale fazer às escuras. E os gajos poupam dinheiro que é uma coisa parva.

TERMINUS 25: AS CASUALIDADES DA GUERRA


Dei por mim a pensar no seguinte: a TVI começou a guerra com os ‘Morangos com Açúcar’, a SIC respondeu com a ‘Floribela’; a TVI contra-atacou então com a ‘Doce Fugitiva’.
O meu receio, como decerto devem estar a pensar é óbvio: o que é que a SIC vai inventar a seguir?
Pior que isso!
Em caso de resposta à altura, o que é que a TVI vai retirar da sua Caixinha de Programinhos Mágicos?
Ainda não vi a ‘Doce Fugitiva’, por isso não vou tecer aqui quaisquer elogios. Objectivamente falando, prefiro dizer que não presta. É mais seguro, honesto e possível de ser verdadeiro. Subjectivamente falando, julgo que não irei gostar. Mas não dou certezas quanto a isso.
Posso, porém, falar sobre os ‘Morangos com Açúcar’ e a ‘Floribela’. Posso, mas não vou. Porque não me apetece. É uma questão de humores. Os humores vêm do estômago e o meu fica mal-humorado quando penso ou falo sobre estes assuntos.
A questão essencial – não imaginam o quanto eu esperei por poder introduzir a questão essencial num artigo meu – ainda está por ser respondida. Temo até que ainda não tenha sido sequer formulada.
Quem é que assiste aos danos causados por esta guerra? Quem é que cuida das vítimas?
Pais, filhos, adultos, crianças, adolescentes, idosos. Todos sem excepção são deixados ao abandono pela implacável crueldade da guerra das audiências. Enganam-se aqueles que dizem que isto é servir o público. Errado. Trata-se apenas de mantê-lo servido. E mal.
Já falei dos efeitos da ‘Floribela’ e dos ‘Morangos com Açúcar’. Agora decido levar a batalha para outro campo. Os pais dos directores da SIC e da TVI deixam os filhos verem os produtos infantis que eles exibem?
O Francisco Penim tem filhos? Se sim e se ele (ou ela) gostarem de ver a ‘Floribela’, com que cara é que ele (o pai) pode dizer “Vai trabalhar mandrião!’ se o filho for telespectador assíduo da ‘Floribela; cujo lema, recordo, é: ‘rica em sonhos e pobre em ouro’. É um pouco como um incentivo à preguiça e à anarquia. (Aquelas roupas nunca me enganaram, confesso.) Nenhum pai quer isso.
Um pequeno reparo, se mo permitem, esta situação com o Francisco Penim foi toda ela fictícia. Chamo a vossa atenção para isso. Para isso e pasra o facto de que, caso Penim tenha mesmo um filho, provavelmente ele não estará ainda em idade legal para trabalhar. Um ponto a meu ver. Preocupo-me com a integridade física e social das crianças. Só falta outros começarem a preocupar-se com a sua integridade psicológica e mental para que as coisas comecem a entrar nos eixos.
Por agora fico por aqui. Sei que muita coisa ficou por dizer, mas voltarei a este assunto um dia destes.

TERMINUS 24: VER SEM MEXER

Dizem que os espanhóis vêem bem é com as mãos. Não quer isto dizer que os espanhóis sejam cegos ou que tenham a sua anatomia focal desviada do sítio; mas sim que são espertos e aproveitam-se da fama para ter o proveito.
Eu não sou espanhol – embora tenha uma costela vinda desse outro lado da Península – por isso não sei o que é isso de ver com as mãos. Assim, limito-me a fingir que hablo un poquito de espanhol. Como podem ver, nem escrever espanhol como deve ser eu sei, quanto mais falar.
E agora, passo ao assunto do dia: a frustração.
Gosto de espanholas. Gosto de italianas, brasileiras, eslovenas, portuguesas, americanas. Pronto. Gosto de gajas. Mas de gajas como deve ser. Daquelas que um gajo encontra num daqueles bares onde se pagam 100€ só para entrar. O café lá nunca é menos de 2€, mas num sítio onde se pagam vinte contos para entrar o que se quer menos é café. Mesmo quando há sono. Umas notas em mão certa e o sono desaparece e outras zonas corpóreas ficam logo pré-dispostas para se animarem.
Quem já frequentou locais como este, sabe o que pode encontrar lá. Desde o simples mas honesto strip-tease, ao dispendioso (mas proveitoso) free-for-all. Pelo meio há algo que, para mim, se qualifica como sinónimo de tortura da mais vil que existe. Falo do lap-dance.
No strip podemos ter uma gaja boa, no free-for-all outra ainda melhor; mas a gaja que apanhamos no lap-dance põe logo as outras duas a um canto.
E o pior é que não podemos fazer nada. Ao mínimo toque vêem logo dois matulões que nos põem dali para fora num instante. Não sem antes nos explicarem à custa de várias nódoas negras e ossos partidos que é para ver sem mexer.
Para quem procura diversão, isto é do pior que pode haver. Além de caro, não se chega a provar nada. No entanto, há alguns para quem este tipo de práticas, mais do que pela sexualidade se caracteriza pelo seu lado profissionalmente engrandecedor.
Refiro-me não às executantes, mas aos clientes. Nomeadamente o Clero. No meu ver, padre é que é padre é casto e não tem pensamentos libidinosos. (Pelo menos, não os deveria ter.) Logo, ter uma gaja toda boa a esfregar-se nele e ele sem reagir é bom sinal. É sinal que é puro.
Ou não.
Talvez não reaja por não apreciar aquele tipo de iguaria, o que não augura bons tempos para os putos da catequese.
Uma última nota sobre a questão da castidade dos padres; muita gente confunde castidade com celibato. Não misturem as coisas. Celibato é não casar, castidade é não molhar o bico (dito em bom português). Os padres fazem voto de castidade, o que implica o celibato.
Infelizmente, pelas regras deles, para se comer tem de se primeiro entrar no restaurante. E isso eles não podem. Podem comer, mas não podem entrar. Podem conduzir, não podem é ter carro. Por outras palavras, eles podem consumar o casamento. Só que não se podem casar. É a paga. Por isso é que alguns fazem biscates por fora.

03/12/06

TERMINUS 23: O QUE FOI AGORA? OUTRA VEZ AQUELA CENA DE CAMARATE?


Acho que já ia sendo tempo de escrever um artigo sobre Camarate. Confesso que a vontade não era muita, mas agora tenho uma justificação para o fazer. Do caso em si já muito foi dito. Portanto dizer coisas como ‘foi tudo uma granda aldrabice’ ou ‘aquilo foi coisas dos americanos’ seria ‘chover no molhado’. Optei por esperar.
E a espera valeu a pena. Pelo menos parece.
Sô Zé’, também conhecido no mundo das pessoas normais por José Esteves (ou será antes José Esteves, também conhecido por ‘Sô Zé’?) veio a público dizer que foi ele quem construiu o engenho explosivo (que raio de ocultista é este que diz tudo assim à balda?; até parece que agora já não lhe podem fazer nada) que arrebentou (dito em bom português) com o avião onde viajava o Primeiro-Ministro Sá Carneiro e o Ministro da Defesa Amaro da Costa.
Até aqui nada de novo, até porque o nome do confessor já fazia parte do top de suspeitos desde há muito. É tipo aquela história do pai que pergunta aos filhos quem partiu a janela e os filhos calados e então o pai volta a perguntar e os filhos nada até que o pai diz aos que não atiraram uma fisgada ao vidro para levantarem o braço e depois vai-se a ver e não foi nenhum dos miúdos na volta se calhar foi a mãe. Pronto, o exemplo não é dos melhores. Mas há de servir de exemplo para outra coisa. Julgo eu.
O truque (voltando ao ‘Sô Zé’) é que o crime já prescreveu. Por outras palavras, já não o podem acusar. Isto agora teria muito mais impacto (piada não digo, mas impacto certamente) se lá atrás não tivesse escrito já isso.
Ora, isto pode parecer triste (a prescrição) – há até quem diga que é ‘uma vergonha para a justiça portuguesa’ – mas do ponto de vista humorístico é do melhor que se arranja. Primeiro, temos a referência a ‘justiça portuguesa’. Segundo, a piada em si do dizer ‘sou culpado’ quando já arrebentou a bolha.
Ainda por cima, o próprio ‘Sô Zé’é uma piada. Não gosto de julgar as pessoas pelas suas crenças ou aparenças, mas olhando para a foto dele, diria que parece um José Castelo Branco envelhecido. (Diria, mas não digo porque isso seria de mau gosto.) A juntar a tudo isto, José Esteves foi Segurança (era o único que entrava com bombas, os outros ficavam todos à porta que até se lixavam), foi membro dum grupo terrorista de extrema-direita (ai onde vão esses tempos…); hoje é vidente convertido ao Islamismo. Fazia-nos falta uma figura assim há muito tempo.
Acrescento ainda que, a bem ou a mal, Sá Carneiro e Amaro da Costa tinham de morrer mais cedo ou mais tarde. Os conspiradores dizem que era por causa das armas que foram vendidas pouco depois ao Irão. Os sábios, como eu, sabem que a única maneira de fazerem um aeroporto Francisco Sá Carneiro era se Sá Carneiro morresse numa queda de avião. Basta verem a quantidade de nomes de figuras públicas que baptizam locais públicos e contar quantos deles estão ainda vivos.
Para terminar, a minha boa acção do dia, uma correcção a Leonete Botelho, jornalista do Público: o incidente de Camarate ocorreu em 1980, não em 2004 como escreveu na peça publicada a 29 de Novembro deste ano. Mais cuidado para a próxima. O que a gente precisa menos aí são informações falsas para desviar a nossa atenção.
E já agora, sabiam que certa pessoa bem conhecida da nossa sociedade portuguesa, indivíduo ligado ao ramo do imobiliário, foi visto a perguntar as horas a um sujeito que andou na mesma escola que um actual assessor do Governo? Dizem que tiveram a mesma professora de Físico-Química, mas isso cá para mim já é especulação.

TERMINUS 22: TUDO MENOS CINEMA


Dois artigos seguidos sobre o Manoel de Oliveira pode parecer implicância da minha parte – e se calhar até é – mas julgo que não. É apenas uma precaução. Como sabem, o senhor já passou dos noventa e tal anos e, por isso, como eu acredito que ele fez tanto pelo cinema português como o talhante da minha rua, resolvi escrever isto antes que ele fosse desta para outra (decerto, bem mais movimentada comparativamente). Tudo para que esta não seja uma crítica póstuma.
Passando ao assunto em concreto, há cerca de dois, três meses li uma crónica no jornal 'Público' escrita por, lá está, Manoel de Oliveira. Na altura pensei em escrever um artigo sobre certas ideias que ele havia exposto nessa crónica. Felizmente para mim o meu gosto pela vida ainda não havia esmorecido.
Passado todo este tempo, apercebo-me que o meu gosto pela vida ainda continua por esmorecer mas, ao mesmo tempo, apercebo-me e assumo que às vezes é preciso fazer sacrifícios por um bem maior.
Comecemos pelo título. 'Cinema de ontem, cinema de amanhã'. Eis algo que me assusta. Manoel de Oliveira é tido como o grande patrono do cinema português e fez tão bem as suas jogadas que o cinema de amanhã, mesmo já sem ele, seguirá o mesmo rumo.
Como sabem, o nosso cinema é rico em variedade. Desde filmes sobre toxicodependentes, a pessoas com depressão, a padres que caem na tentação, a padres toxicodependentes com depressão que caem na tentação. E no meio podem pôr uma prostituta arrependida. Ou então fazem um filme de época. Assim, estilo 'Branca de Neve'. Não se nota, mas é. Dizem.
Gosto de uma coisa nele (Manoel de Oliveira) – precisamente também o que mais odeio – aos noventa e tal anos ainda filma. Por esta altura, já perdi a esperança de que venha a ter acção nos seus filmes. Se não teve nas últimas décadas, não era agora que ia começar a ter.
Entristece-me é a nova vaga de realizadores – os apadrinhados – que ainda tem forças para se mexerem e mudarem o rumo que seguimos desde há muito tempo e, em vez disso, cedem à inércia para não perderem o apoio que tanto lubrificante lhes custou.
Outra coisa que admiro em Manoel de Oliveira é a honestidade. Eu desconfiava e ele, sincero e justo como poucos, confirmou-o na tal crónica. No último parágrafo, Manoel de Oliveira escreve: “Curiosamente, da minha parte, faço sempre um grande esforço para que não aconteça durante a fabricação de qualquer um dos meus filmes que eu nunca caia nesse estado de um abstracto, de um pressuposto que frequentemente leva as pessoas a acreditarem que estão a fazer cinema. O que, sempre que começo uma nova filmagem, me leva a dizer para comigo mesmo, e até, por vezes, a prevenir o chefe operador: vamos fazer tudo o que for preciso, tudo menos cinema.” É bonito e confirma as minhas suspeitas. Só precisa é de ter mais divulgação.
Quanto à escrita em si.... bom, os que compreenderam e apreciaram a crónica são aqueles doutorados ou pseudo-intelectuais que apreciam e julgam compreender os filmes dos grandes realizadores portugueses. A eles, peço desculpa pelos termos usados neste meu modesto artigo. Só espero que a simplicidade não vos tenha ofendido.

TERMINUS 21: MANOEL DE OLIVEIRA A 48 VELOCIDADES


Têm criticado os filmes de Manoel de Oliveira. Eu próprio, em tempos, subscrevi essas críticas. E sem razão. Diz-se que os filmes de Manoel de Oliveira são chatos e lentos e sendo ele o autor, atribui-se a culpa disso a ele.
Nada está mais longe da verdade.
E é em nome da verdade que vou revelar quem é o verdadeiro responsável pelos filmes de Manoel de Oliveira (e outros!) serem lentos e chatos. Até porque, convenhamos, é muita coincidência tantos realizadores portugueses fazerem filmes tão parecidos.
A culpa será deles?
Não.
A culpa é da tecnologia.
E para aqueles que pensam que sou um conservador, que no ‘antigamente’ é que era bom, passo a explicar o porquê do meu descontentamento.
Os clássicos portugueses têm estado a ser reeditados em DVD. Isso é bom. O que não é bom é continuarem a fazer nas edições em DVD o mesmo que haviam feito nas edições em VHS, ou seja, porem os filmes numa velocidade mais lenta que a original.
Esta é a verdade! Os filmes portugueses estão carregados de acção!
Só que estão em câmara lenta.
Ou vocês acham que o Estado português iria dar 450 mil euros (na altura 150 mil contos) a um realizador para ele filmar uma pedra durante quase cinco minutos? Ou para fazer planos fixos ainda mais longos que isso?
Chegaram, inclusive, ao ridículo de dizer que houve um realizador que recebeu dinheiro do Estado para fazer um filme sem imagem. Mas alguém acredita nisto?
É lógico que não.
Isto acontece porque, muito provavelmente, quem pediu os subsídios não foi o realizador. É só fazerem as contas.
O subsídio para longas-metragens é de 150 mil ou 450 mil euros eo de curtas 50 mil. Ora, entre 50 e 150 a escolha é fácil de fazer, não é?
Vamos reconhecer as longas-metragens portuguesas como aquilo que elas realmente são: curtas-metragens em câmara lenta.
Vamos acertar os subsídios e dar aos grandes realizadores portugueses aquilo que eles realmente merecem. E aproveitamos para dar o que sobrar à nova vaga de realizadores que luta nas sombras para fazerem filmes que as pessoas queiram ver.

24/11/06

TERMINUS 20: UPGRADE POLICIAL


Apesar das apreensões que são feitas e das redes de tráfico que são desmanteladas, nós portugueses (e eu acima de todos) temos a mania de considerar as nossas forças policiais obsoletas e pouco capazes. Podem ser reconhecidas lá fora como ‘boas’, ‘muito boas’, até mesmo ‘as melhores’. Cá dentro não prestam para nada.
Digo isto sem qualquer reserva porque é verdade. E qual é o problema aqui? Não tem a ver com o material, não tem a ver com os recursos, com o dinheiro. Nada disso. Resume-se a uma palavra: turnos. Os turnos policiais são muito curtos. Em oito horas não dá para fazer nada.
Eu vejo o ‘24’ desde que a série começou. E a verdade é que eles só conseguem acabar com os terroristas porque fazem turnos de 24 horas. E também porque não fazem pausas. Nos episódios do ‘24’ nunca se vê ninguém a ir ao WC, a comer uma sandes, a beber café. Não se vê nada. O pessoal está ali vinte e quatro horas seguidas e estão todos na boa, sempre a trabalhar. O que é que aquela gente toma? Mais importante que isso: é legal? E sim, podemos arranjar isso aos nossos agentes?
Sei que o ‘24’ é ficção. Num dia, apaixonam-se, casam-se e divorciam-se. It’s life to the fullest ou carpe diem, como dizia o outro naquele filme.
Mas se não são os turnos, há qualquer coisa que está mal na nossa polícia. E eu acho que sei o que é. Falta-nos criatividade. Um amigo meu escreveu para o Ministério da Administração Interna a sugerir que a polícia usasse hienas amestradas nas rusgas.
Era uma ideia de génio! Só que eles não aceitaram.
Imaginem. Os polícias entravam num apartamento, começavam a revistar o apartamento. De repente, a hiena começava-se a rir – porque é isso que elas fazem – o suspeito atacava-a e a hiena desfazia-o em pedacinhos. Era uma ideia boa. Não sei porque não a aproveitam. Talvez por ele ser um leigo na matéria.
Ainda assim, mesmo sem grandes recursos tecnológicos ao seu dispor, o polícia bom está sempre preparado para tudo e não desiste. É um lutador, é um atleta. Infelizmente (ou felizmente) o policiamento não é visto como um desporto a sério. Por muito bom que um polícia possa ser, nunca ouvimos falar de transferências milionárias de agentes duma esquadra para outra.
Quando um novo comandante da GNR assume funções numa determinada esquadra, não o vemos convocar uma conferência de imprensa para dizer:
"Estou muito contente por estar aqui e prometo fazer o meu melhor para evitar que esta esquadra desça de divisão."

22/10/06

TERMINUS 19: O REGRESSO DO SUPER-MÁRIO

Mário Augusto está de volta aos ecrãs. Aos ecrãs, aos posters, aos cartazes. Sinceramente, não me lembro do genérico antigo do ’35 mm’, mas porra! O homem ‘tá assim um bocado a puxar ao egocêntrico. Agora deu-lhe em pôr a cara em tudo quanto é capa de filme. Não lhe bastava assassinar a língua de quem entrevista em fundo azul; ainda tem de estragar as capas.
É só por isso que esta ideia das capas me revolta. Se ele soubesse falar inglês como deve ser ou, pelo menos, como um aluno do sexto ano, aí tudo bem. Mas não. Tanto tempo nos Estados Unidos; conhece tanta gente e no fim é o que se vê. Até o Lauro Dérmio falava melhor inglês que o Mário. Sim, era uma personagem fictícia, era no gozo, mas pelo menos aí era de propósito e nós ríamos-nos; com o Mário, o caso é mais para chorar. Até um mudo fala melhor inglês que ele.
E há quem diga que o Mário não entrevista os seus convidados pessoalmente. Que o Mário está num sítio, o convidado noutro e é tudo editado em pós-produção. Quanto a isso não sei. É verdade que raramente fazem um plano conjunto a não ser quando se cumprimentam e mesmo aí fica a dúvida. Basta que nos lembremos do ‘Forrest Gump’ e daquela cena em que o Tom Hanks aperta a mão ao Kennedy para que a suspeita fique atiçada.
Pessoalmente, não me faz qualquer diferença se os convidados estão lá ou se estão na lua ou onde quer que seja. Para ser sincero, prefiro que não estejam. Vejam a coisa assim: até agora só há suspeitas; sinal de que a equipa técnica está a trabalhar bem. E depois há outra; o programa já vai com alguns anos. Se os convidados fossem todos entrevistados pelo Marinho, o programa tinha ficado pelo piloto.
E daí não sei. Afinal de contas, eles são pagos por entrevista. E são actores. De certeza que conseguem manter um ar mais sério enquanto falam com o Mário. Eu acho que não seria capaz. Mas também não sou actor.
Para terminar aqui ficam duas sugestões. Primeiro, um substituto para o lugar do Mário, caso lhe aconteça alguma (esperemos que não): o Donaltim. É da SIC e, apesar de andar sempre com uma mão enfiada no rabo, suspeito que fale melhor inglês que ele.
Segundo – e esta é mais delicada –, tornar o ‘35 mm’ mais popular fazendo uma versão porno. O título seria ‘35 cm’. Mas aí não poderia ser o Mário a apresentar. Teria de ser o Jamal. E poderiam continuar com a cena das fotomontagens. Só que desta vez seria o Jamal a assumir o lugar principal. Mas como a tecnologia é boa; talvez se conseguisse encaixar o Mário nalgum pixel. Antes isso que encaixar um pequeno pixel nele.
Apaga! Apaga! Ai o que eu fui dizer…

TERMINUS 18: PELO BEM DAS NOSSAS CRIANÇAS

A SIC portou-se mal. Foi uma menina feia. E por isso a nova madrasta da comunicação social portuguesa, a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) decidiu pô-la de castigo.
Isto assim, explicado em linguagem de retardado, até é fácil de perceber. Mas, mesmo que eu recorresse a alguns dos termos usados no relatório da ERC como “Os valores para que remetem as imagens são degradantes e, não menos importante, arcaicos face às preocupações e ideais geralmente identificados com os da juventude” a coisa continuaria a ser mais ou menos fácil de entender.
A razão por trás deste processo imposto à SIC tem a ver com a sexonovela ‘Jura’. Em concreto, com spots autopromocionais que a SIC terá exibido[1] da referida sexonovela em horário impróprio. Ao que parece não se pode fazer publicidade a programas de índole sexual à hora em que as criancinhas estão em casa a ver a ‘Floribela’.
Devo dizer que a decisão da ERC me fez (e continua a fazer) confusão. Por um lado, conheço mais ou menos o Código pelo qual a ERC se rege e tenho quase a certeza que agiu bem. Por outro lado, posso dizer que agiu tardiamente e sobre a arraia miúda, por assim dizer. Sim, a SIC fez alusões a conteúdos sexuais em horário impróprio. Foi punida por isso. Certo. Mas não fizeram nada em relação à ‘Floribela’.
Se nunca fizeram a comparação, não se preocupem. Eu faço-vos a papinha toda. Ora vejam. ‘Jura’ é uma telenovela sexual feita para adultos. Por acaso passaram uns spots a horas más. Agora vou falar-vos da ‘Floribela’.
A Floribela é uma telenovela infantil. E vejam que boa influência é para as nossas crianças.
Ela fala com fadas, tem os olhos sempre brilhantes e tem ataques de fúria quando o seu príncipe não admite os seus sentimentos. E as crianças gostam disto. Elas gostam duma jovem esquizofrénica, com tendências bipolares que, ainda por cima, é militante do PPM. E não se esqueçam dos olhos brilhantes. O que é que ela toma?
Sem dúvida não é um exemplo que eu gostaria de partilhar um dia com os meus filhos. “Filho, não chateies o pai. Vai ver a ‘Floribela’.” Nunca. Pode me chatear o tempo que quiser.
E depois temos as músicas e os spots. Os spots do ‘Jura’ são nefastos para a mente das nossas crianças? Desviantes? Atenção à letra do spot da ‘Floribela’: “para a frente e para trás / para cima e para baixo” e logo a seguir, com um sorrisinho maroto, “prontos para mais uma?”
A ‘Floribela’ é vista por crianças e pré-adolescentes recém-iniciados em práticas de auto-satisfação. Mas não é preciso ver a ‘Floribela’ para ver um spot sem querer. Os ‘iniciados’ vêem o spot, acompanham a letra a pulso e perante a questão “Prontos para mais uma” eles são capazes de corresponder em tempo recorde. Ora, isto faz inveja aos mais crescidos. Alguns para dar uma precisam de tomar um comprimido, quanto mais dar duas.
Se isto não for crueldade da SIC, é desleixo da ERC.

[1] Se são autopromocionais, não deveriam ser feitos pela própria sexonovela?

21/10/06

TERMINUS 17: PRAXIS REGRESSUM

OU UM ARTIGO ESTÚPIDO COM UM TÍTULO UM TÍTULO AINDA MAIS ESTÚPIDO E INCORRECTO DO PONTO DE VISTA LINGUÍSTICO

Voltei à Boavista no dia 16 deste mês de Outubro. Desta vez, ao contrário da anterior, foi uma visita oficial; embora, oficiosamente, as aulas ainda não tenham começado. No papel já começaram; acontece que a primeira semana de aulas coincide com a semana de praxes. E é disso que vos vou falar.
Acho inadmissível que só se possam praxar os alunos do primeiro ano. As praxes têm como intuito nobre integrar novos membros em grupos já formados. É por isso que eu acredito que as praxes devem ser aplicadas também a professores ou formados recém-chegados à casa.
Querem melhor símbolo de integração no espírito académico/profissional que verem dois professores enrolados em papel higiénico a correrem dum lado para o outro à procura de pauzinhos de giz verde? Que é difícil de encontrar, caso não saibam.
Imagino um novo porteiro na Boavista e o senhor Felgueiras a dizer-lhe: “Agora põe-te de joelhos em cima do balcão e canta. Vá, Fifi! Canta, porra!”
Confesso que nunca vi o Felgueiras (deixei o ‘senhor’ de parte) a ter ataques de fúria mas, como ser humano que é, não está livre disso.
Vi os novos alunos (os de Ciências da Comunicação, porque o pessoal de Arquitectura não se mete nisso; já explico porquê), observei-os a comer, a beber, a cantar, a saltar, etc. Não conhecia nenhum.
Em alguns casos, fiquei triste por isso. É que eu gosto de conhecer pessoas. Por outro lado, com as figuras que foram obrigados a fazer – onde é que desencantaram o GI Joe, já agora? – fiquei contente por nenhum dos novos alunos me conhecer (nem mesmo de vista). Era o que me faltava era alguém num oleado branco, cheio de vernizes e brilhantes, virar-se para mim e dizer para todos ouvirem “Eh! Eu conheço-te! És o Joel!” A minha imagem – digam que não estou a pensar alto; eu tenho imagem, certo? – iria ser bastante afectada por isso.
Ao mesmo tempo que se utilizava uma sala para propósitos nobres como pôr pessoas em poses ridículas a dizer frases de índole sexual com a desculpa da integração, não muito longe dali, outro grupo de caloiros tomava contacto com a realidade que irão conhecer nos próximos quatro anos.
No primeiro artigo publicado neste blogue, falei do Muro de Berlim. Os veteranos sabem do que eu estou a falar; assistiram à sua criação (alguns participaram nela). Pelo bem e pelo mal, os caloiros devem ser informados disso. Ora, ao que consta, a área para lá do Muro de Berlim está em obras.
Quanto a mim, é por isso que as praxes de Ciências da Comunicação deste ano não chegaram aos pés das praxes de Arquitectura. Vejam a comparação: os alunos de Ciências da Comunicação cantam, dançam, comem alho, brincam com vibradores e não têm aulas; os de Arquitectura têm aulas e, da maneira que as salas deles estão, quase que são obrigados a construir as suas próprias salas.
É como eu costumo dizer: não há melhor integração do que aquela que nos põe dentro dos eventos.
Sejam bem-vindos de novo. O Joel saúda-vos.

20/10/06

TERMINUS 16: SOBRE CRÍTICA PUBLICADA


Caro visitante, se chegou aqui através duma crítica publicada na edição número 137 da revista Exame Informática, não pense que lhe vou dar os parabéns por isso. Bem pelo contrário. Estou até muito desiludido consigo. Já tenho este blogue há mais de seis meses e foi preciso uma revista com uma tiragem média de 55 000 exemplares falar dele para ir logo a correr para o computador mais próximo e visitar um blogue cujos textos têm um "tom informal mas inteligente"? E para quê? Para agora estar a ouvi-las. Pois é. A pressa o que dá é nisto. Mas não desespere. Não veio aqui em vão. Nada disso.
Apesar de não satisfeito com a forma como veio aqui parar, dou-lhe as boas vindas. Aproveito também para divulgar um dado importante — os senhores da revista esqueceram-se desta; mais cuidado para a próxima — e que tem a ver com o seguinte: o meu blogue é o blogue chamado PROTUBERÂNCIA mais visto do mundo. Asseguro-lhe. Pode verificar onde quiser. Não vai encontrar outro blogue chamado PROTUBERÂNCIA mais visto que o meu.
Ora, isto, parecendo que não, confere algum prestígio e obriga-me a algum rigor e responsabilidade. Agora já não posso escrever “merda por tudo e por nada”.
(Eu disse que não podia escrever. É um visitante novo que está a ler isto. Cala-te lá, voz estúpida na minha cabeça.)
Para comprovar a qualidade deste blogue deixo-vos com algumas opiniões:
Tá insonsa.”
Jovem marido para jovem mulher após a primeira tentativa desta de fazer sopa

Hmmm... Cremoso.”
Pituxa para o seu amigo Zé Anão depois deste lhe oferecer um Mini-milk[1]

(...) dum enredo que peca pela parca exploração (...) [dos] sentimentos dos personagens.”
Crítico sem carisma e sem gel de duche

[1] Não sejam perversos. Pensaram logo que estava a fazer publicidade.

15/10/06

PICTORE 2: PROTUBERÂNCIA DENTÁRIA

TERMINUS 15: CONTRA A VIOLÊNCIA CONTRA


Não há muito tempo testemunhei um caso óbvio de violência perpetrada sobre uma criança. (Optei por escrever ‘criança’ em vez de ‘menor’ como é hábito, não fossem vocês pensar que eu me estava a referir a um anão.) Para os que não ficaram em choque por eu saber conjugar e aplicar correctamente o verbo ‘perpetrar’, eu continuo.
A violência sobre crianças é um assunto sobre o qual eu não me costumo debruçar muito, mas a situação foi de tal modo horrenda que achei obrigatório relatá-la.
Tudo aconteceu num autocarro – por razões de ética e consciência, não divulgarei o nome da empresa – onde viajavam uma criança (a vítima), os pais (agressores), uma amiga dos pais (cúmplice) e uma vintena de passageiros (testemunhas). A criança não devia ter mais dum ano, se tanto, e os pais, insensíveis ou irresponsáveis ou imaturos, submetiam a criança a ritmos alienistas: kizomba. Os pais eram jovens, mas isso não era desculpa. Que tenham mau gosto para gostar de kizomba é uma coisa. Obrigar o filho a ouvir é outra completamente diferente.
Se tivesse bateria no telemóvel tinha ligado para a TVI. Infelizmente, tal não era o caso e vi-me obrigado a suportar aquela música própria de ante-câmara de tortura. Com uma diferença relevante: eu possuo filtros, ou seja consigo pensar noutras coisas e abstrair-me; a criança não. Os pais não a deixavam. Tanto não que tinham o telemóvel donde ouviam a, passo a expressão, música praticamente colado à orelha da criança. Capaz de ela ficar lesada irreversivelmente como os pais. Isto é ainda mais grave se considerarmos que os genes são hereditários, ou seja, mesmo sem kizomba, não se avizinha um futuro risonho, academicamente falando, para esta criança. E daí, posso estar enganado. Pode sempre vir a ser artista de kizomba ou autor de textos como este que estão a ler (Eu gosto de me auto-criticar de forma negativa e ofensiva; assim os outros não o fazem porque, e cito, “já não tem tanta piada”.)
E não é que não goste de kizomba, nada disso. Não é não gostar, é detestar mesmo.
Já me têm perguntado porque é que não gosto de música africana. E eu não sei o que responder. Porque é que eu não gosto de música africana? Vamos por partes.
Primeiro que tudo, kizomba e kuduro estão para África, como o pimba está para Portugal.
Segundo, o que é música africana? África não é um país, são vários. Não existe música africana, existem músicas de países africanos. Não dizemos música europeia. Não existe música europeia, logo não existe música africana.
Peço desculpa se no parágrafo anterior fui demasiado repetitivo. Por instantes temi que pudesse estar a ser lido por alguém que goste de música africana. Um recado se tiver sido esse o caso:

TERMINUS 14: O OSAMA MORREU?

Estou de luto. E não é para menos. Dizem que o Osama morreu. E agora? Quem é que nós vamos culpar pelos problemas do mundo? Quem é que vamos usar como bode expiatório para o aumento do preço dos combustíveis? Da instabilidade mundial? Para invadir países?
O mundo mudou quando o Osama se tornou conhecido. Disso não há dúvidas. Excepto uma. Que mudanças virão com o seu desaparecimento?
Por favor, não entendam esta pergunta como irónica ou sarcástica. Isto é muito sério. A culpa é algo muito importante e ter alguém para culpar é essencial. Quando não há ninguém culpado ou suspeito, hão-de reparar nisto, não se fala de certos assuntos. São atirados para a sombra, restos de notícia, de rodapé. De vez em quando saem alguns bocaditos cá para fora e ficamos a pensar de novo no assunto e esquecemo-nos do que é realmente importante.
O mundo seria bem diferente sem certas pessoas, mas não as podemos remover a todas. E mesmo que o fizéssemos, a sua marca ficaria; pelo bem ou pelo mal. Depende do interesse.
Costuma-se que é bom manter os amigos por perto e os inimigos ainda mais perto. No actual esquema da ordem mundial podemos ver aplicações claras desse lema. Os inimigos de ontem serão os amigos de amanhã e vice-versa. Não há como fugir a isso.
O Osama morreu? E depois? Era um homem mau? Digo que – sem querer soar maniqueísta – era. Mas digo também que não era o mais mau. O Osama foi ou é fruto daqueles que o criaram. Quem semeia ventos, colhe tempestades; não é o que se diz? E o mundo colheu uma bem forte. Ainda sentimos o seu vento. Talvez ele nunca desapareça. O vento, digo. Quase de certeza vai-se acalmar por uns tempos e surgir com nova força. Com outra cara como protagonista. É preciso renovar. O velho não vende, venha o novo.
Faço aqui o meu pedido. Em nome da estabilidade. Se alguém tem de o fazer que esse alguém seja eu. Quero um novo terrorista mundial.
(Mas de preferência alguém que não tenha a mania de falar com o indicador em riste estilo professor do tempo do Salazar. O mundo ocidental levá-lo-á muito mais a sério se não fizer figuras dessas.)

02/10/06

TERMINUS 13: FILMES ONLINE

Circula por aí um filme chamado “A Curva”. Quem anda pelo Youtube ou por outros sites provavelmente já o viu. A história do filme, baseada em eventos ocorridos na estrada de Sintra em 86, é praticamente obscurecida perante a troca de opiniões gerada pelos internautas. Há quem acredite, há quem duvide, há quem elogie, há quem critique. Há de tudo para todos. Mas o que é importante realçar é isto: um filme português “amador” está a ter mais público do que qualquer outro filme português feito à custa de subsídios pagos pelos contribuintes. Dói um bocado.
Graças à Internet temos acesso a muita coisa. Só cabe a nós escolher. Bom ou mau, a escolha é nossa. É um meio de divulgação excelente. Em Portugal temos agora “A Curva” e talvez outros. Dos EUA veio o “Snakes On A Plane” (“Serpentes a bordo”) com o “pastor” L. Jackson, um filme que ainda antes de estar concluído já era filme de culto. Aliás, se tomarmos em consideração que certas partes do filme foram baseadas em sugestões dadas pelos fãs, percebemos que a Internet não só é boa para divulgar como também para adquirir sugestões.
É um exemplo a seguir por nós, portugueses. Uma lição para muitos intelectuais. Temos pessoas capazes de fazer filmes capazes de atrair público. Está mais que visto. E a referência aos intelectuais não é negativa. Eu gosto dos intelectuais. Gosto dos seus hábitos, dos seus cantares e trajes populares. Eu gosto de cinema artístico. A única coisa que não suporto no reportório nacional é só ter ao meu dispor filmes que é preciso ter um doutoramento em Belas Artes para os compreender ou então filmes que é preciso ser mentalmente descompensado para os suportar. Quero uma alternativa, um meio-termo. Com as vantagens que a Internet aufere, é preciso sermos para não aproveitarmos isso.
Por outro lado, há certas complicações que podem surgir de utilizar a Internet como meio de divulgação de vídeos, sejam eles profissionais ou amadores. Vejam, por exemplo, a Al-Qaeda. Se não fossem aqueles vídeos que surgem sempre que os Estados Unidos vão a eleições ou quando há uma crise qualquer interna, em que aparece um senhor a anunciar ataques que nunca chegam a acontecer, o mundo seria diferente. Talvez. Talvez para pior. Mas pelo menos teríamos por onde escolher.

20/09/06

PICTORE 1: PROTUBERÂNCIA SOLAR

TERMINUS 12: A ANTESTREIA DO REGRESSO

Após meses e meses de artigos sobre temas tão diversificados como a cultura do azoto e a esferovite como solução para as infiltrações de humidade decidi retornar ao campo temático que tornou este blogue um dos mais visitados de todos os tempos: o estragão.
É verdade. Num blogue dedicado ao estragão nada mais coerente que falar do estr— Ó merda! Já fiz asneira. E agora como é que se apaga isto? Será aqui? Aorgo rtgjregjrg fnb bnifth itnbi iunu itibunxti ubxtu ibnxiu bniuxt nbu xnbi uftx biuxnbi un nefgnziu gtbxtig znbnu ifnbin ibni tynhiu xnbiu nxftihn xiu hnxiub nxnxobni on hxo itnbxiubni xuntiux ntiun xiunj+j+d j0w9 duj 035uw a8u<80f>
Voltei à Boavista. Fui numa visita oficiosa e revi umas pessoas e estive com outras. Apesar de não parecer, gostei de lá ir, gostei de lá ter estado.
NOTA: Peço desculpas pelo rumo sem nexo e quase lamechas que este artigo está a tomar, mas aguentem mais um pouco. Chama-se a isto construir uma piada.
Adeus aos que ficam, olá aos que vão. Ou ao contrário.
Isto foi a construção.
E agora a piada:
Ao contrário é burro com égua.
Incrível! Num só artigo abordei o tema da saudade e passei de forma completamente lógica para o campo da engenharia genética e do cruzamento de espécies! Só mesmo aqui!
Para os que não percebem o que é isto do cruzamento de espécies, eu explico: peguem num frango e juntem-no com uma dourada. É claro que só isto não chega, há que compor o ambiente. Umas luzinhas, talvez uns sais, daqueles que fazem bolhinhas e tal. Ah! E convém o frango ser daqueles tipo galinha d’água, estão a ver? Depois, esperam nove meses ou o que for e aproveitam o que sair de lá.
Nunca ouviram aquela expressão ‘não é carne, nem é peixe’? Descobri há uns meses atrás que nome se dá a isso.
Crocodilo.
Deu num programa que estava a falar dum restaurante em Nairobi que servia carne de crocodilo e o gerente dizia que aquilo sabia a uma mistura de carne e peixe. Não era nem uma coisa, nem outra. Mas se for só isso, podia ser também salada. Ou ‘não é água, nem é vinho’, é o quê? Cerveja, sumo, leite.
E porque é que falei disto? Não faço ideia. Basicamente porque estou a encalhar. (Mas ainda lúcio, perdão, lúcido o suficiente para escrever ‘estou’ e não ‘tou’). E espero levar vocês comigo neste encalho
Sim! Eu sou o Cronista de Heimlin! Sigam-me, meus pupilos!
Ou não.
Ok, quando as aulas começarem, eu faço uma visita oficial. Mas quero um tapete vermelho à porta. Se não tiverem um, pode ser aquele encarnado. Eu não sou esquisito.