08/06/06

TERMINUS 6: O MEU PRIMEIRO ARTIGO SOBRE

Em nome da diversidade e da variedade (que são a mesma coisa ou, pelo menos, coisas parecidas, mas assim a frase fica maior (isto já sem contar com o que está escrito entre parêntesis)) resolvi ampliar os meus horizontes temáticos. Dirão vocês “mas ó Joel, tu que já escreveste sobre touradas, marchas contra a fome, ‘O Código da Vinci’, a rivalidade boavisteira entre Ciências da Comunicação e Arquitectura, tu que nos revelaste os teus hobbies e outros afazeres, que nos fizeste reflectir sobre o porquê dos D’Zert no Rock in Rio, que partilhaste connosco os teus pensamentos e ideias, que até nos brindastes com conteúdos de elevado teor sexual e violento, diz-nos: que mais tens para nos oferecer?”
Desporto.
É verdade. A partir de agora também vou falar de desporto. Não sempre, claro. Mas assim de vez em quando, quando não houver mais ideias lá vai um artigo de desporto. Até porque não é preciso muito para saber escrever sobre desporto. Duas coisas que são essenciais: uma fotografia (de preferência colorida) e um título sonante; para o resto chega a especulação.
Dou um exemplo: o título qualquer coisa como “Rabetinho nos planos de Ignacio Mendez”, depois a foto do jogador (às vezes os jornais fazem umas malandrices num daqueles programas de edição de imagem como colocar o jogador em questão vestido com o equipamento do Clube que está supostamente interessado nele) e o texto basta dizer que “uma fonte oficial terá dito que…” ou “apesar de ainda não confirmada, a informação também não foi desmentida” e por aí em diante.
Quando já há certezas, aí vêm as declarações do jogador: “venho marcar muitos golos”, “quero ajudar o grupo de trabalho a atingir os objectivos traçados”, “almejo concretizar propósitos que enobreçam esta invicta instituição. Pronto, o último comentário, vá lá, os dois últimos comentários, foram inventados. Mas se os jogadores de futebol já falam na terceira pessoa, não há-de faltar muito para começarem a falar bem.
Eu vejo o desporto como uma actividade física. Uma simples actividade física. Nada que mereça dinheiro, portanto. Ou, tudo bem que receba algum dinheiro, mas desde que voluntariamente. Eu não me importo de pagar cotas a um Clube ou Colectividade onde esteja inscrito – é o meu dinheiro, eu decido o que fazer com ele – já ver o dinheiro dos impostos gasto em estádios de futebol que são usados uma vez e depois passam a ser usados como campo de treinos para equipas distritais, aí a coisa muda de figura.
Dizem que desporto é saúde, mas eu não percebo a prioridade entre construir um estádio e construir ou remodelar um hospital.
Outra coisa que eu não compreendo no mundo do desporto: as transferências. Porquê tanto alarido sempre que um atleta muda de um clube para outro? É apenas uma transferência! O desporto é o único mundo onde mudar de local constitui notícia. Um amigo meu é PSP. Trabalhava na Amadora, foi transferido para a Caparica. Houve alguma conferência de imprensa? Não. E era importante que tivesse havido. Porque ficaríamos a conhecer quais são as suas ambições numa nova esquadra. Se quer lutar pela vitória do campeonato ou apenas pela manutenção na I Liga.
E assim termina o meu primeiro artigo sobre desporto. Notem como usei da especulação e dum discurso vago e pouco elucidativo (para não dizer duvidoso) para criar a ilusão vaga de que sabia do que estava a falar. Resultou? Como diria o sábio, “Prognósticos, só no fim do jogo”.

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