02/08/06

TERMINUS 9: VIVA A GUERRA!


Numa perspectiva de entretenimento, educação e serviço público (três características que a RTP raramente consegue incluir num mesmo programa) vou falar dum tema que tem estado na ordem do dia: a ocupação do sul do Líbano pelas tropas israelitas.
Poderá parecer à primeira vista que o tema proposto não entretém, não educa e não serve o público; poderá também parecer que, num blogue deste género, a minha abordagem será satírica, porventura a roçar o campo do desagradável.
Quanto à segunda parte da oração anterior, asseguro-vos que serei o mais imparcial possível. Nada contra ou a favor de Israel, do Hezbollah, dos libaneses ou de quaisquer outros envolvidos neste caso. Convém dizer isto para que fique clara a minha imparcialidade. Posso dizer o que me vier à cabeça sem parecer tendencioso.
Resta então a parte do entretenimento, da educação e do serviço público.
A guerra não entretém? Se a guerra não entretém porque é que usam nomes como “teatro de guerra” ou “cenário de guerra” ou outros, todos eles alusivos ao mundo do... entretenimento.
A guerra não educa? Se Israel não tivesse invadido o Líbano, quem é que sequer ouviria falar do Líbano? As únicas vezes que se ouve falar do Líbano é naqueles concursos tipo “Herança” ou o “Um contra todos” (peço desculpas por só dar exemplos de concursos emitidos pela RTP, mas a verdade é que os outros canais públicos não emitem concursos interessantes); fora isso não há nada. Agora o Líbano está no centro da acção. E aqui entra uma questão subtil que é: o estado israelita é apoiado pelos Estados Unidos, que por sua vez encetaram uma luta contra o terrorismo (vulgo Islão). Acontece que os Estados Unidos não vão enviar nenhum contingente para o Líbano. Conclui-se facilmente que o Líbano não tem petróleo. Se não fosse a guerra quem é que sabia disto?
Resta o serviço público. Que, lamento dizer, não está a ser cumprido. Isto porque não temos ainda nenhuma conta da Caixa Geral de Depósitos para ajudar os refugiados libaneses. Ainda não houve manifestações públicas de figuras do jet-set que se dizem “ultrajadas pelo que está a acontecer àquela pobre gente” lá no Iraque, perdão, Libéria. Líbano. E pior que isso. Dos jornalistas enviados para o Líbano nenhum deles (julgo eu) esteve presente na Alemanha durante o Mundial de Futebol. Se a intenção é servir o público, a minha sugestão seria enviar para lá todos esses jornalistas (incluindo aquele que levou com um saco de mijo[1] em cima há uns anos atrás) e esperar que levassem todos com um míssil em cima enquanto fazem comentários como:
Estamos aqui em directo da capital do Líbano, onde a qualquer momento esperamos obter mais informações sobre o que se irá passar nos próximos momentos. Oiço algo a aproximar-se. Parece que é um –”
BUM!!!!
Isso sim, seria serviço público.



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