21/10/06

TERMINUS 17: PRAXIS REGRESSUM

OU UM ARTIGO ESTÚPIDO COM UM TÍTULO UM TÍTULO AINDA MAIS ESTÚPIDO E INCORRECTO DO PONTO DE VISTA LINGUÍSTICO

Voltei à Boavista no dia 16 deste mês de Outubro. Desta vez, ao contrário da anterior, foi uma visita oficial; embora, oficiosamente, as aulas ainda não tenham começado. No papel já começaram; acontece que a primeira semana de aulas coincide com a semana de praxes. E é disso que vos vou falar.
Acho inadmissível que só se possam praxar os alunos do primeiro ano. As praxes têm como intuito nobre integrar novos membros em grupos já formados. É por isso que eu acredito que as praxes devem ser aplicadas também a professores ou formados recém-chegados à casa.
Querem melhor símbolo de integração no espírito académico/profissional que verem dois professores enrolados em papel higiénico a correrem dum lado para o outro à procura de pauzinhos de giz verde? Que é difícil de encontrar, caso não saibam.
Imagino um novo porteiro na Boavista e o senhor Felgueiras a dizer-lhe: “Agora põe-te de joelhos em cima do balcão e canta. Vá, Fifi! Canta, porra!”
Confesso que nunca vi o Felgueiras (deixei o ‘senhor’ de parte) a ter ataques de fúria mas, como ser humano que é, não está livre disso.
Vi os novos alunos (os de Ciências da Comunicação, porque o pessoal de Arquitectura não se mete nisso; já explico porquê), observei-os a comer, a beber, a cantar, a saltar, etc. Não conhecia nenhum.
Em alguns casos, fiquei triste por isso. É que eu gosto de conhecer pessoas. Por outro lado, com as figuras que foram obrigados a fazer – onde é que desencantaram o GI Joe, já agora? – fiquei contente por nenhum dos novos alunos me conhecer (nem mesmo de vista). Era o que me faltava era alguém num oleado branco, cheio de vernizes e brilhantes, virar-se para mim e dizer para todos ouvirem “Eh! Eu conheço-te! És o Joel!” A minha imagem – digam que não estou a pensar alto; eu tenho imagem, certo? – iria ser bastante afectada por isso.
Ao mesmo tempo que se utilizava uma sala para propósitos nobres como pôr pessoas em poses ridículas a dizer frases de índole sexual com a desculpa da integração, não muito longe dali, outro grupo de caloiros tomava contacto com a realidade que irão conhecer nos próximos quatro anos.
No primeiro artigo publicado neste blogue, falei do Muro de Berlim. Os veteranos sabem do que eu estou a falar; assistiram à sua criação (alguns participaram nela). Pelo bem e pelo mal, os caloiros devem ser informados disso. Ora, ao que consta, a área para lá do Muro de Berlim está em obras.
Quanto a mim, é por isso que as praxes de Ciências da Comunicação deste ano não chegaram aos pés das praxes de Arquitectura. Vejam a comparação: os alunos de Ciências da Comunicação cantam, dançam, comem alho, brincam com vibradores e não têm aulas; os de Arquitectura têm aulas e, da maneira que as salas deles estão, quase que são obrigados a construir as suas próprias salas.
É como eu costumo dizer: não há melhor integração do que aquela que nos põe dentro dos eventos.
Sejam bem-vindos de novo. O Joel saúda-vos.

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