24/11/06

TERMINUS 20: UPGRADE POLICIAL


Apesar das apreensões que são feitas e das redes de tráfico que são desmanteladas, nós portugueses (e eu acima de todos) temos a mania de considerar as nossas forças policiais obsoletas e pouco capazes. Podem ser reconhecidas lá fora como ‘boas’, ‘muito boas’, até mesmo ‘as melhores’. Cá dentro não prestam para nada.
Digo isto sem qualquer reserva porque é verdade. E qual é o problema aqui? Não tem a ver com o material, não tem a ver com os recursos, com o dinheiro. Nada disso. Resume-se a uma palavra: turnos. Os turnos policiais são muito curtos. Em oito horas não dá para fazer nada.
Eu vejo o ‘24’ desde que a série começou. E a verdade é que eles só conseguem acabar com os terroristas porque fazem turnos de 24 horas. E também porque não fazem pausas. Nos episódios do ‘24’ nunca se vê ninguém a ir ao WC, a comer uma sandes, a beber café. Não se vê nada. O pessoal está ali vinte e quatro horas seguidas e estão todos na boa, sempre a trabalhar. O que é que aquela gente toma? Mais importante que isso: é legal? E sim, podemos arranjar isso aos nossos agentes?
Sei que o ‘24’ é ficção. Num dia, apaixonam-se, casam-se e divorciam-se. It’s life to the fullest ou carpe diem, como dizia o outro naquele filme.
Mas se não são os turnos, há qualquer coisa que está mal na nossa polícia. E eu acho que sei o que é. Falta-nos criatividade. Um amigo meu escreveu para o Ministério da Administração Interna a sugerir que a polícia usasse hienas amestradas nas rusgas.
Era uma ideia de génio! Só que eles não aceitaram.
Imaginem. Os polícias entravam num apartamento, começavam a revistar o apartamento. De repente, a hiena começava-se a rir – porque é isso que elas fazem – o suspeito atacava-a e a hiena desfazia-o em pedacinhos. Era uma ideia boa. Não sei porque não a aproveitam. Talvez por ele ser um leigo na matéria.
Ainda assim, mesmo sem grandes recursos tecnológicos ao seu dispor, o polícia bom está sempre preparado para tudo e não desiste. É um lutador, é um atleta. Infelizmente (ou felizmente) o policiamento não é visto como um desporto a sério. Por muito bom que um polícia possa ser, nunca ouvimos falar de transferências milionárias de agentes duma esquadra para outra.
Quando um novo comandante da GNR assume funções numa determinada esquadra, não o vemos convocar uma conferência de imprensa para dizer:
"Estou muito contente por estar aqui e prometo fazer o meu melhor para evitar que esta esquadra desça de divisão."