28/12/06

TERMINUS 27: PELA NÃO UTILIZAÇÃO DESPROPOSITADA E INÚTIL DE UM ESPAÇO VIRTUAL BEM COMO PELA NÃO ACÇÃO INTENCIONAL DE DANO MORAL E PSÍQUICO DO LEITOR

Não gosto de pessoas que julgam que qualquer merda que lhes vem à cabeça é merecedora de passar para a folha de papel ou para a folha virtual. Acho isso presunçoso, arrogante e estúpido. Porque é que ninguém lhes diz que fazer os outros perder tempo com artigos redundantes e sem nexo é pura perda de tempo?
Se isto não é judicialmente punível, pelo menos a nível social deveria ser. Haja alguém que apanhe essas pessoas e lhes inflija fortes vergastadas. A não ser que elas gostem. Se for esse o caso digam que lhes vão bater mas depois não batem. Ameacem só.
Voltando ao tópico principal, o país já está complicado o suficiente. Não era preciso vir mais alguém atirar postas de pescada para a fogueira só porque pensa que tem piada. Alguém lhe disse que tem? Não creio.
Por tudo isto eu vos digo: olhem bem para dentro de vós e (se estiver tudo no sítio certo) pensem no seguinte: porque é que eu perdi tempo a ler isto?

TERMINUS 26: UMA QUESTÃO DE DISTÂNCIA


Finalmente trago um assunto pertinente para ser discutido dentro e fora da blogosfera: casas de banho públicas, com enfoque na distância que vai da retrete à porta. Friso que incluo na definição de ‘casa de banho pública’ não só as ‘cabines’, como também as de cafés e restaurantes.
Já todos nós estivemos em situações de aperto – no sentido fisiológico do termo – e chegámos a um local onde esperávamos encontrar alívio e no fim encontrámos um novo aperto – desta vez a nível espacial. Esta situação tende a repetir-se constantemente. Porque é que ninguém fala disto?
Os ‘gabinetes’ são demasiado exíguos. Mal dá para uma pessoa abrir a porta como deve ser. Às vezes chega a ser necessário pôr os pés em cima da sanita (gosto mais da palavra ‘sanita’ do que da palavra ‘retrete’) para que consigamos sair.
E isto no caso de sermos magros. Se formos gordos nem chegamos a entrar.
É por isso que eu gosto das casas de banho grandes. Aquelas em que uma pessoa entra e tem espaço até para meter um roupeiro e uma secretaria – embora fazer isso seja próprio de alguém com perturbações mentais acentuadas, não me custa nada dar a dica só para ver até onde vocês vão.
Há, porém, um senão. Novamente, a questão entre a porta e a sanita. Convém explicar, duma vez por todas, a quem desenha casas de banho públicas que o facto delas serem espaçosas não implica que a porta esteja longe da sanita. Particularmente quando o trinco está avariado e a nossa única defesa contra uma exposição pública não desejada são a esperança e reflexos rápidos. E, já agora, um braço grande para que, quando a porta se começar a abrir, possamos reagir a tempo. Isto é deveras desagradável; para não dizer exaustivo.
Chamo ainda a atenção dos responsáveis para outra coisa: as luzes automáticas. Não gosto. Ao início, sim senhor, é bonito, mas depois... É que o automático funciona para os dois lados, isto é, as luzes tanto acendem automaticamente, como apagam automaticamente. Muitas vezes nas piores alturas.
Afinal de contas, qual é a finalidade das luzes automáticas? Que raio de vantagem é que essa invenção trouxe ao mundo? A meu ver, nenhumas. Ó sim, é muito mais prático entrar na casa de banho e a luz acender-se sozinha. É quase como um tapete vermelho e, realmente, poupa-nos imenso trabalho quando estamos mesmo aflitos. Mas as vantagens ficam por aí.
E isto porquê?
Primeiro, porque os sensores nunca tão colocados como deve ser. Activam-se quando uma pessoa entra, tudo bem, mas depois quando um gajo tá sentado a fazer o serviço, tem de estar, a maior parte das vezes, a mexer os braços, senão é obrigado a fazer o serviço às escuras.
Que raio de ideia foi esta? Eu vou ali para perder peso intestinal (só para não escrever ‘cagar’) não é para dançar. Figuras tristes já as faço cá fora. Não se posso ter um pouco de dignidade na casa de banho, onde é que poderei?
E depois há aquelas casas de banho que o sensor só funciona se tivermos de pé. Se tivermos na sanita podemos até dançar a “macarena” que não há luz pra ninguém.
E isto se forem pessoas altas, ou pelo menos da minha altura. Se forem mais baixas que isto, não se safam. A não ser que levem um banquinho.
Eu vi-me uma vez numa situação parecida. Estava sentado e o sensor estava fora de alcance. Então eu pensei:
E se eu regulasse o sensor de modo a que o ângulo ficasse mais fechado?’
Assim o pensei, assim o fiz; convencido que estava a fazer um grande favor, não só a mim mas também a todos aqueles que tiveram ou poderiam vir a estar naquela mesma situação.
O problema é que o sensor onde eu fui mexer tinha um alarme. Aquela porcaria começou a apitar duma maneira que até parecia que eu estava a assaltar um banco.
O gajo do café veio logo ver o que é que se estava a passar e começou a bater à porta.
Ó amigo, vamos lá a parar com as mexidelas aí para a gente não se zangar!”
E eu ali caladinho. Não que eu tivesse medo dele mas já me bastava estar um gordo careca do outro lado a ralhar comigo por eu estar a fazer brincadeiras na casa de banho.
O outro, lá se foi embora, e foi então que eu percebi para que é que servem as luzes automáticas. Qual a grande, senão a única, vantagem que elas têm. Não para os utilizadores, mas para os donos dos cafés.
A conta da luz é baixíssima.
O pessoal, se para ter a luz acesa precisa de estar aos saltinhos, eh pá, caga lá nisso. Mais vale fazer às escuras. E os gajos poupam dinheiro que é uma coisa parva.

TERMINUS 25: AS CASUALIDADES DA GUERRA


Dei por mim a pensar no seguinte: a TVI começou a guerra com os ‘Morangos com Açúcar’, a SIC respondeu com a ‘Floribela’; a TVI contra-atacou então com a ‘Doce Fugitiva’.
O meu receio, como decerto devem estar a pensar é óbvio: o que é que a SIC vai inventar a seguir?
Pior que isso!
Em caso de resposta à altura, o que é que a TVI vai retirar da sua Caixinha de Programinhos Mágicos?
Ainda não vi a ‘Doce Fugitiva’, por isso não vou tecer aqui quaisquer elogios. Objectivamente falando, prefiro dizer que não presta. É mais seguro, honesto e possível de ser verdadeiro. Subjectivamente falando, julgo que não irei gostar. Mas não dou certezas quanto a isso.
Posso, porém, falar sobre os ‘Morangos com Açúcar’ e a ‘Floribela’. Posso, mas não vou. Porque não me apetece. É uma questão de humores. Os humores vêm do estômago e o meu fica mal-humorado quando penso ou falo sobre estes assuntos.
A questão essencial – não imaginam o quanto eu esperei por poder introduzir a questão essencial num artigo meu – ainda está por ser respondida. Temo até que ainda não tenha sido sequer formulada.
Quem é que assiste aos danos causados por esta guerra? Quem é que cuida das vítimas?
Pais, filhos, adultos, crianças, adolescentes, idosos. Todos sem excepção são deixados ao abandono pela implacável crueldade da guerra das audiências. Enganam-se aqueles que dizem que isto é servir o público. Errado. Trata-se apenas de mantê-lo servido. E mal.
Já falei dos efeitos da ‘Floribela’ e dos ‘Morangos com Açúcar’. Agora decido levar a batalha para outro campo. Os pais dos directores da SIC e da TVI deixam os filhos verem os produtos infantis que eles exibem?
O Francisco Penim tem filhos? Se sim e se ele (ou ela) gostarem de ver a ‘Floribela’, com que cara é que ele (o pai) pode dizer “Vai trabalhar mandrião!’ se o filho for telespectador assíduo da ‘Floribela; cujo lema, recordo, é: ‘rica em sonhos e pobre em ouro’. É um pouco como um incentivo à preguiça e à anarquia. (Aquelas roupas nunca me enganaram, confesso.) Nenhum pai quer isso.
Um pequeno reparo, se mo permitem, esta situação com o Francisco Penim foi toda ela fictícia. Chamo a vossa atenção para isso. Para isso e pasra o facto de que, caso Penim tenha mesmo um filho, provavelmente ele não estará ainda em idade legal para trabalhar. Um ponto a meu ver. Preocupo-me com a integridade física e social das crianças. Só falta outros começarem a preocupar-se com a sua integridade psicológica e mental para que as coisas comecem a entrar nos eixos.
Por agora fico por aqui. Sei que muita coisa ficou por dizer, mas voltarei a este assunto um dia destes.

TERMINUS 24: VER SEM MEXER

Dizem que os espanhóis vêem bem é com as mãos. Não quer isto dizer que os espanhóis sejam cegos ou que tenham a sua anatomia focal desviada do sítio; mas sim que são espertos e aproveitam-se da fama para ter o proveito.
Eu não sou espanhol – embora tenha uma costela vinda desse outro lado da Península – por isso não sei o que é isso de ver com as mãos. Assim, limito-me a fingir que hablo un poquito de espanhol. Como podem ver, nem escrever espanhol como deve ser eu sei, quanto mais falar.
E agora, passo ao assunto do dia: a frustração.
Gosto de espanholas. Gosto de italianas, brasileiras, eslovenas, portuguesas, americanas. Pronto. Gosto de gajas. Mas de gajas como deve ser. Daquelas que um gajo encontra num daqueles bares onde se pagam 100€ só para entrar. O café lá nunca é menos de 2€, mas num sítio onde se pagam vinte contos para entrar o que se quer menos é café. Mesmo quando há sono. Umas notas em mão certa e o sono desaparece e outras zonas corpóreas ficam logo pré-dispostas para se animarem.
Quem já frequentou locais como este, sabe o que pode encontrar lá. Desde o simples mas honesto strip-tease, ao dispendioso (mas proveitoso) free-for-all. Pelo meio há algo que, para mim, se qualifica como sinónimo de tortura da mais vil que existe. Falo do lap-dance.
No strip podemos ter uma gaja boa, no free-for-all outra ainda melhor; mas a gaja que apanhamos no lap-dance põe logo as outras duas a um canto.
E o pior é que não podemos fazer nada. Ao mínimo toque vêem logo dois matulões que nos põem dali para fora num instante. Não sem antes nos explicarem à custa de várias nódoas negras e ossos partidos que é para ver sem mexer.
Para quem procura diversão, isto é do pior que pode haver. Além de caro, não se chega a provar nada. No entanto, há alguns para quem este tipo de práticas, mais do que pela sexualidade se caracteriza pelo seu lado profissionalmente engrandecedor.
Refiro-me não às executantes, mas aos clientes. Nomeadamente o Clero. No meu ver, padre é que é padre é casto e não tem pensamentos libidinosos. (Pelo menos, não os deveria ter.) Logo, ter uma gaja toda boa a esfregar-se nele e ele sem reagir é bom sinal. É sinal que é puro.
Ou não.
Talvez não reaja por não apreciar aquele tipo de iguaria, o que não augura bons tempos para os putos da catequese.
Uma última nota sobre a questão da castidade dos padres; muita gente confunde castidade com celibato. Não misturem as coisas. Celibato é não casar, castidade é não molhar o bico (dito em bom português). Os padres fazem voto de castidade, o que implica o celibato.
Infelizmente, pelas regras deles, para se comer tem de se primeiro entrar no restaurante. E isso eles não podem. Podem comer, mas não podem entrar. Podem conduzir, não podem é ter carro. Por outras palavras, eles podem consumar o casamento. Só que não se podem casar. É a paga. Por isso é que alguns fazem biscates por fora.

03/12/06

TERMINUS 23: O QUE FOI AGORA? OUTRA VEZ AQUELA CENA DE CAMARATE?


Acho que já ia sendo tempo de escrever um artigo sobre Camarate. Confesso que a vontade não era muita, mas agora tenho uma justificação para o fazer. Do caso em si já muito foi dito. Portanto dizer coisas como ‘foi tudo uma granda aldrabice’ ou ‘aquilo foi coisas dos americanos’ seria ‘chover no molhado’. Optei por esperar.
E a espera valeu a pena. Pelo menos parece.
Sô Zé’, também conhecido no mundo das pessoas normais por José Esteves (ou será antes José Esteves, também conhecido por ‘Sô Zé’?) veio a público dizer que foi ele quem construiu o engenho explosivo (que raio de ocultista é este que diz tudo assim à balda?; até parece que agora já não lhe podem fazer nada) que arrebentou (dito em bom português) com o avião onde viajava o Primeiro-Ministro Sá Carneiro e o Ministro da Defesa Amaro da Costa.
Até aqui nada de novo, até porque o nome do confessor já fazia parte do top de suspeitos desde há muito. É tipo aquela história do pai que pergunta aos filhos quem partiu a janela e os filhos calados e então o pai volta a perguntar e os filhos nada até que o pai diz aos que não atiraram uma fisgada ao vidro para levantarem o braço e depois vai-se a ver e não foi nenhum dos miúdos na volta se calhar foi a mãe. Pronto, o exemplo não é dos melhores. Mas há de servir de exemplo para outra coisa. Julgo eu.
O truque (voltando ao ‘Sô Zé’) é que o crime já prescreveu. Por outras palavras, já não o podem acusar. Isto agora teria muito mais impacto (piada não digo, mas impacto certamente) se lá atrás não tivesse escrito já isso.
Ora, isto pode parecer triste (a prescrição) – há até quem diga que é ‘uma vergonha para a justiça portuguesa’ – mas do ponto de vista humorístico é do melhor que se arranja. Primeiro, temos a referência a ‘justiça portuguesa’. Segundo, a piada em si do dizer ‘sou culpado’ quando já arrebentou a bolha.
Ainda por cima, o próprio ‘Sô Zé’é uma piada. Não gosto de julgar as pessoas pelas suas crenças ou aparenças, mas olhando para a foto dele, diria que parece um José Castelo Branco envelhecido. (Diria, mas não digo porque isso seria de mau gosto.) A juntar a tudo isto, José Esteves foi Segurança (era o único que entrava com bombas, os outros ficavam todos à porta que até se lixavam), foi membro dum grupo terrorista de extrema-direita (ai onde vão esses tempos…); hoje é vidente convertido ao Islamismo. Fazia-nos falta uma figura assim há muito tempo.
Acrescento ainda que, a bem ou a mal, Sá Carneiro e Amaro da Costa tinham de morrer mais cedo ou mais tarde. Os conspiradores dizem que era por causa das armas que foram vendidas pouco depois ao Irão. Os sábios, como eu, sabem que a única maneira de fazerem um aeroporto Francisco Sá Carneiro era se Sá Carneiro morresse numa queda de avião. Basta verem a quantidade de nomes de figuras públicas que baptizam locais públicos e contar quantos deles estão ainda vivos.
Para terminar, a minha boa acção do dia, uma correcção a Leonete Botelho, jornalista do Público: o incidente de Camarate ocorreu em 1980, não em 2004 como escreveu na peça publicada a 29 de Novembro deste ano. Mais cuidado para a próxima. O que a gente precisa menos aí são informações falsas para desviar a nossa atenção.
E já agora, sabiam que certa pessoa bem conhecida da nossa sociedade portuguesa, indivíduo ligado ao ramo do imobiliário, foi visto a perguntar as horas a um sujeito que andou na mesma escola que um actual assessor do Governo? Dizem que tiveram a mesma professora de Físico-Química, mas isso cá para mim já é especulação.

TERMINUS 22: TUDO MENOS CINEMA


Dois artigos seguidos sobre o Manoel de Oliveira pode parecer implicância da minha parte – e se calhar até é – mas julgo que não. É apenas uma precaução. Como sabem, o senhor já passou dos noventa e tal anos e, por isso, como eu acredito que ele fez tanto pelo cinema português como o talhante da minha rua, resolvi escrever isto antes que ele fosse desta para outra (decerto, bem mais movimentada comparativamente). Tudo para que esta não seja uma crítica póstuma.
Passando ao assunto em concreto, há cerca de dois, três meses li uma crónica no jornal 'Público' escrita por, lá está, Manoel de Oliveira. Na altura pensei em escrever um artigo sobre certas ideias que ele havia exposto nessa crónica. Felizmente para mim o meu gosto pela vida ainda não havia esmorecido.
Passado todo este tempo, apercebo-me que o meu gosto pela vida ainda continua por esmorecer mas, ao mesmo tempo, apercebo-me e assumo que às vezes é preciso fazer sacrifícios por um bem maior.
Comecemos pelo título. 'Cinema de ontem, cinema de amanhã'. Eis algo que me assusta. Manoel de Oliveira é tido como o grande patrono do cinema português e fez tão bem as suas jogadas que o cinema de amanhã, mesmo já sem ele, seguirá o mesmo rumo.
Como sabem, o nosso cinema é rico em variedade. Desde filmes sobre toxicodependentes, a pessoas com depressão, a padres que caem na tentação, a padres toxicodependentes com depressão que caem na tentação. E no meio podem pôr uma prostituta arrependida. Ou então fazem um filme de época. Assim, estilo 'Branca de Neve'. Não se nota, mas é. Dizem.
Gosto de uma coisa nele (Manoel de Oliveira) – precisamente também o que mais odeio – aos noventa e tal anos ainda filma. Por esta altura, já perdi a esperança de que venha a ter acção nos seus filmes. Se não teve nas últimas décadas, não era agora que ia começar a ter.
Entristece-me é a nova vaga de realizadores – os apadrinhados – que ainda tem forças para se mexerem e mudarem o rumo que seguimos desde há muito tempo e, em vez disso, cedem à inércia para não perderem o apoio que tanto lubrificante lhes custou.
Outra coisa que admiro em Manoel de Oliveira é a honestidade. Eu desconfiava e ele, sincero e justo como poucos, confirmou-o na tal crónica. No último parágrafo, Manoel de Oliveira escreve: “Curiosamente, da minha parte, faço sempre um grande esforço para que não aconteça durante a fabricação de qualquer um dos meus filmes que eu nunca caia nesse estado de um abstracto, de um pressuposto que frequentemente leva as pessoas a acreditarem que estão a fazer cinema. O que, sempre que começo uma nova filmagem, me leva a dizer para comigo mesmo, e até, por vezes, a prevenir o chefe operador: vamos fazer tudo o que for preciso, tudo menos cinema.” É bonito e confirma as minhas suspeitas. Só precisa é de ter mais divulgação.
Quanto à escrita em si.... bom, os que compreenderam e apreciaram a crónica são aqueles doutorados ou pseudo-intelectuais que apreciam e julgam compreender os filmes dos grandes realizadores portugueses. A eles, peço desculpa pelos termos usados neste meu modesto artigo. Só espero que a simplicidade não vos tenha ofendido.

TERMINUS 21: MANOEL DE OLIVEIRA A 48 VELOCIDADES


Têm criticado os filmes de Manoel de Oliveira. Eu próprio, em tempos, subscrevi essas críticas. E sem razão. Diz-se que os filmes de Manoel de Oliveira são chatos e lentos e sendo ele o autor, atribui-se a culpa disso a ele.
Nada está mais longe da verdade.
E é em nome da verdade que vou revelar quem é o verdadeiro responsável pelos filmes de Manoel de Oliveira (e outros!) serem lentos e chatos. Até porque, convenhamos, é muita coincidência tantos realizadores portugueses fazerem filmes tão parecidos.
A culpa será deles?
Não.
A culpa é da tecnologia.
E para aqueles que pensam que sou um conservador, que no ‘antigamente’ é que era bom, passo a explicar o porquê do meu descontentamento.
Os clássicos portugueses têm estado a ser reeditados em DVD. Isso é bom. O que não é bom é continuarem a fazer nas edições em DVD o mesmo que haviam feito nas edições em VHS, ou seja, porem os filmes numa velocidade mais lenta que a original.
Esta é a verdade! Os filmes portugueses estão carregados de acção!
Só que estão em câmara lenta.
Ou vocês acham que o Estado português iria dar 450 mil euros (na altura 150 mil contos) a um realizador para ele filmar uma pedra durante quase cinco minutos? Ou para fazer planos fixos ainda mais longos que isso?
Chegaram, inclusive, ao ridículo de dizer que houve um realizador que recebeu dinheiro do Estado para fazer um filme sem imagem. Mas alguém acredita nisto?
É lógico que não.
Isto acontece porque, muito provavelmente, quem pediu os subsídios não foi o realizador. É só fazerem as contas.
O subsídio para longas-metragens é de 150 mil ou 450 mil euros eo de curtas 50 mil. Ora, entre 50 e 150 a escolha é fácil de fazer, não é?
Vamos reconhecer as longas-metragens portuguesas como aquilo que elas realmente são: curtas-metragens em câmara lenta.
Vamos acertar os subsídios e dar aos grandes realizadores portugueses aquilo que eles realmente merecem. E aproveitamos para dar o que sobrar à nova vaga de realizadores que luta nas sombras para fazerem filmes que as pessoas queiram ver.