03/12/06

TERMINUS 21: MANOEL DE OLIVEIRA A 48 VELOCIDADES


Têm criticado os filmes de Manoel de Oliveira. Eu próprio, em tempos, subscrevi essas críticas. E sem razão. Diz-se que os filmes de Manoel de Oliveira são chatos e lentos e sendo ele o autor, atribui-se a culpa disso a ele.
Nada está mais longe da verdade.
E é em nome da verdade que vou revelar quem é o verdadeiro responsável pelos filmes de Manoel de Oliveira (e outros!) serem lentos e chatos. Até porque, convenhamos, é muita coincidência tantos realizadores portugueses fazerem filmes tão parecidos.
A culpa será deles?
Não.
A culpa é da tecnologia.
E para aqueles que pensam que sou um conservador, que no ‘antigamente’ é que era bom, passo a explicar o porquê do meu descontentamento.
Os clássicos portugueses têm estado a ser reeditados em DVD. Isso é bom. O que não é bom é continuarem a fazer nas edições em DVD o mesmo que haviam feito nas edições em VHS, ou seja, porem os filmes numa velocidade mais lenta que a original.
Esta é a verdade! Os filmes portugueses estão carregados de acção!
Só que estão em câmara lenta.
Ou vocês acham que o Estado português iria dar 450 mil euros (na altura 150 mil contos) a um realizador para ele filmar uma pedra durante quase cinco minutos? Ou para fazer planos fixos ainda mais longos que isso?
Chegaram, inclusive, ao ridículo de dizer que houve um realizador que recebeu dinheiro do Estado para fazer um filme sem imagem. Mas alguém acredita nisto?
É lógico que não.
Isto acontece porque, muito provavelmente, quem pediu os subsídios não foi o realizador. É só fazerem as contas.
O subsídio para longas-metragens é de 150 mil ou 450 mil euros eo de curtas 50 mil. Ora, entre 50 e 150 a escolha é fácil de fazer, não é?
Vamos reconhecer as longas-metragens portuguesas como aquilo que elas realmente são: curtas-metragens em câmara lenta.
Vamos acertar os subsídios e dar aos grandes realizadores portugueses aquilo que eles realmente merecem. E aproveitamos para dar o que sobrar à nova vaga de realizadores que luta nas sombras para fazerem filmes que as pessoas queiram ver.

1 comentário:

J Martins disse...

Leiam muito, vejam muito cinema, mesmo que vos dê seca no inicio, e depois hão de ver que não querem outra coisa.Ou então, senao gostarem paciencia.
Considero Manoel de Oliveira e João Cesar Monteiro os maiores clássicos do cinema português, e lamento os comentários que se escrevem acerca deles.
Quem não estuda matemática também a detesta.Mas se esforçar e aprender ficará a gostar.
Pela ordem de ideias dos detractores, também os clássicos da cultura humanistica seriam para deitar fora , no entanto são a maior riqueza espiritual da Humanidade.