03/12/06

TERMINUS 23: O QUE FOI AGORA? OUTRA VEZ AQUELA CENA DE CAMARATE?


Acho que já ia sendo tempo de escrever um artigo sobre Camarate. Confesso que a vontade não era muita, mas agora tenho uma justificação para o fazer. Do caso em si já muito foi dito. Portanto dizer coisas como ‘foi tudo uma granda aldrabice’ ou ‘aquilo foi coisas dos americanos’ seria ‘chover no molhado’. Optei por esperar.
E a espera valeu a pena. Pelo menos parece.
Sô Zé’, também conhecido no mundo das pessoas normais por José Esteves (ou será antes José Esteves, também conhecido por ‘Sô Zé’?) veio a público dizer que foi ele quem construiu o engenho explosivo (que raio de ocultista é este que diz tudo assim à balda?; até parece que agora já não lhe podem fazer nada) que arrebentou (dito em bom português) com o avião onde viajava o Primeiro-Ministro Sá Carneiro e o Ministro da Defesa Amaro da Costa.
Até aqui nada de novo, até porque o nome do confessor já fazia parte do top de suspeitos desde há muito. É tipo aquela história do pai que pergunta aos filhos quem partiu a janela e os filhos calados e então o pai volta a perguntar e os filhos nada até que o pai diz aos que não atiraram uma fisgada ao vidro para levantarem o braço e depois vai-se a ver e não foi nenhum dos miúdos na volta se calhar foi a mãe. Pronto, o exemplo não é dos melhores. Mas há de servir de exemplo para outra coisa. Julgo eu.
O truque (voltando ao ‘Sô Zé’) é que o crime já prescreveu. Por outras palavras, já não o podem acusar. Isto agora teria muito mais impacto (piada não digo, mas impacto certamente) se lá atrás não tivesse escrito já isso.
Ora, isto pode parecer triste (a prescrição) – há até quem diga que é ‘uma vergonha para a justiça portuguesa’ – mas do ponto de vista humorístico é do melhor que se arranja. Primeiro, temos a referência a ‘justiça portuguesa’. Segundo, a piada em si do dizer ‘sou culpado’ quando já arrebentou a bolha.
Ainda por cima, o próprio ‘Sô Zé’é uma piada. Não gosto de julgar as pessoas pelas suas crenças ou aparenças, mas olhando para a foto dele, diria que parece um José Castelo Branco envelhecido. (Diria, mas não digo porque isso seria de mau gosto.) A juntar a tudo isto, José Esteves foi Segurança (era o único que entrava com bombas, os outros ficavam todos à porta que até se lixavam), foi membro dum grupo terrorista de extrema-direita (ai onde vão esses tempos…); hoje é vidente convertido ao Islamismo. Fazia-nos falta uma figura assim há muito tempo.
Acrescento ainda que, a bem ou a mal, Sá Carneiro e Amaro da Costa tinham de morrer mais cedo ou mais tarde. Os conspiradores dizem que era por causa das armas que foram vendidas pouco depois ao Irão. Os sábios, como eu, sabem que a única maneira de fazerem um aeroporto Francisco Sá Carneiro era se Sá Carneiro morresse numa queda de avião. Basta verem a quantidade de nomes de figuras públicas que baptizam locais públicos e contar quantos deles estão ainda vivos.
Para terminar, a minha boa acção do dia, uma correcção a Leonete Botelho, jornalista do Público: o incidente de Camarate ocorreu em 1980, não em 2004 como escreveu na peça publicada a 29 de Novembro deste ano. Mais cuidado para a próxima. O que a gente precisa menos aí são informações falsas para desviar a nossa atenção.
E já agora, sabiam que certa pessoa bem conhecida da nossa sociedade portuguesa, indivíduo ligado ao ramo do imobiliário, foi visto a perguntar as horas a um sujeito que andou na mesma escola que um actual assessor do Governo? Dizem que tiveram a mesma professora de Físico-Química, mas isso cá para mim já é especulação.

1 comentário:

Papoila disse...

Camarate.. kem? o kê? Kando? bahhh ixo é 1 mito pah... lololol
bjuuus*

[houve alguem xta cena k t xamou dread... foi 1 prof!!! heheh yeh yo!! kk dias és ganster tb lolol]