28/12/06

TERMINUS 26: UMA QUESTÃO DE DISTÂNCIA


Finalmente trago um assunto pertinente para ser discutido dentro e fora da blogosfera: casas de banho públicas, com enfoque na distância que vai da retrete à porta. Friso que incluo na definição de ‘casa de banho pública’ não só as ‘cabines’, como também as de cafés e restaurantes.
Já todos nós estivemos em situações de aperto – no sentido fisiológico do termo – e chegámos a um local onde esperávamos encontrar alívio e no fim encontrámos um novo aperto – desta vez a nível espacial. Esta situação tende a repetir-se constantemente. Porque é que ninguém fala disto?
Os ‘gabinetes’ são demasiado exíguos. Mal dá para uma pessoa abrir a porta como deve ser. Às vezes chega a ser necessário pôr os pés em cima da sanita (gosto mais da palavra ‘sanita’ do que da palavra ‘retrete’) para que consigamos sair.
E isto no caso de sermos magros. Se formos gordos nem chegamos a entrar.
É por isso que eu gosto das casas de banho grandes. Aquelas em que uma pessoa entra e tem espaço até para meter um roupeiro e uma secretaria – embora fazer isso seja próprio de alguém com perturbações mentais acentuadas, não me custa nada dar a dica só para ver até onde vocês vão.
Há, porém, um senão. Novamente, a questão entre a porta e a sanita. Convém explicar, duma vez por todas, a quem desenha casas de banho públicas que o facto delas serem espaçosas não implica que a porta esteja longe da sanita. Particularmente quando o trinco está avariado e a nossa única defesa contra uma exposição pública não desejada são a esperança e reflexos rápidos. E, já agora, um braço grande para que, quando a porta se começar a abrir, possamos reagir a tempo. Isto é deveras desagradável; para não dizer exaustivo.
Chamo ainda a atenção dos responsáveis para outra coisa: as luzes automáticas. Não gosto. Ao início, sim senhor, é bonito, mas depois... É que o automático funciona para os dois lados, isto é, as luzes tanto acendem automaticamente, como apagam automaticamente. Muitas vezes nas piores alturas.
Afinal de contas, qual é a finalidade das luzes automáticas? Que raio de vantagem é que essa invenção trouxe ao mundo? A meu ver, nenhumas. Ó sim, é muito mais prático entrar na casa de banho e a luz acender-se sozinha. É quase como um tapete vermelho e, realmente, poupa-nos imenso trabalho quando estamos mesmo aflitos. Mas as vantagens ficam por aí.
E isto porquê?
Primeiro, porque os sensores nunca tão colocados como deve ser. Activam-se quando uma pessoa entra, tudo bem, mas depois quando um gajo tá sentado a fazer o serviço, tem de estar, a maior parte das vezes, a mexer os braços, senão é obrigado a fazer o serviço às escuras.
Que raio de ideia foi esta? Eu vou ali para perder peso intestinal (só para não escrever ‘cagar’) não é para dançar. Figuras tristes já as faço cá fora. Não se posso ter um pouco de dignidade na casa de banho, onde é que poderei?
E depois há aquelas casas de banho que o sensor só funciona se tivermos de pé. Se tivermos na sanita podemos até dançar a “macarena” que não há luz pra ninguém.
E isto se forem pessoas altas, ou pelo menos da minha altura. Se forem mais baixas que isto, não se safam. A não ser que levem um banquinho.
Eu vi-me uma vez numa situação parecida. Estava sentado e o sensor estava fora de alcance. Então eu pensei:
E se eu regulasse o sensor de modo a que o ângulo ficasse mais fechado?’
Assim o pensei, assim o fiz; convencido que estava a fazer um grande favor, não só a mim mas também a todos aqueles que tiveram ou poderiam vir a estar naquela mesma situação.
O problema é que o sensor onde eu fui mexer tinha um alarme. Aquela porcaria começou a apitar duma maneira que até parecia que eu estava a assaltar um banco.
O gajo do café veio logo ver o que é que se estava a passar e começou a bater à porta.
Ó amigo, vamos lá a parar com as mexidelas aí para a gente não se zangar!”
E eu ali caladinho. Não que eu tivesse medo dele mas já me bastava estar um gordo careca do outro lado a ralhar comigo por eu estar a fazer brincadeiras na casa de banho.
O outro, lá se foi embora, e foi então que eu percebi para que é que servem as luzes automáticas. Qual a grande, senão a única, vantagem que elas têm. Não para os utilizadores, mas para os donos dos cafés.
A conta da luz é baixíssima.
O pessoal, se para ter a luz acesa precisa de estar aos saltinhos, eh pá, caga lá nisso. Mais vale fazer às escuras. E os gajos poupam dinheiro que é uma coisa parva.

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