15/03/07

TERMINUS 28: O PRIMEIRO POST DO ANO – A PROPÓSITO DE…

Talvez a minha ausência algo prolongada vos tenha dado a ideia (errada) de que havia abandonado a escrita neste blogue. O que é que querem? Não há tempo para tudo. Não que eu tenha uma vida super ocupada – sim, eu trabalho – é se calhar mais por falta de vontade do que propriamente por falta de ideias. As ideias são até demais, para dizer a verdade. De facto, se tenho estado ausente este tempo todo, não é por falta de assuntos para cometer, é sim por ter muito e não saber o que escolher.
Continuamos com o Apito Dourado, com a Casa Pia, passou o Referendo ao Aborto, o Luz do Samoeiro ou Samouco (ou lá de onde era), a cena das urgências em Odemira. Alguns casos sazonais, outros pontuais; nada de importante portanto. Compreendi então que um regresso não podia ser feito através de um comentário – por muito bem elaborado e escrito que possa ser – a assuntos que já fazem parte do quotidiano da nossa praça pública.
Pensei então sobre que tema seria o ideal para eu analisar neste post. Após uma profunda e cuidada reflexão cheguei ao tema fulcral, o tema que de norte a sul junta pessoas numa acção quase ritualista, de transe. Falo, naturalmente, da recolha de tampas de plástico.
Quase de certeza já falaram nisto. É mais que provável. Mas tê-lo-ão feito (aposto) na altura em que a recolha começou, na altura em que era ‘um gesto bonito’ (para uns) ou ‘algo condenado a desaparecer em menos de nada’ (para outros). O desafio a que eu me proponho é trazer este assunto de novo à luz da ribalta e, passados estes anos, analisar que efeitos a tampomania[1] teve na população portuguesa.
Convivo regularmente com pessoas que sofrem de tamponite[2] e sei o que o malefício das tampas lhes fez. E digo malefício sem qualquer hesitação. Eu sei que há um propósito nobre a orientar tudo isto (dizem), só que à custa disso esquecemo-nos sempre dos que contribuem para isso. Não nos lembramos das pessoas que deixaram de consumir álcool para passar a beber só aguinha e iogurtes líquidos. Hábitos de alimentação alterados por completo para que alguém receba uma cadeira de rodas.
Não me entendam mal. Acho bem que se ajude quem precisa, mas há coisas que não compreendo. Como por exemplo: porque é que o único plástico aproveitável é o das tampas? As garrafas também são feitas de plástico. Não podemos reciclá-las também? E sim. O plástico é reciclado. Mas o único plástico que vai para as cadeiras (pelo que dizem) é o das tampas.
Tentem lembrar-se de quando a coisa começou. No início só recolhiam tampas de garrafas de água – as tampas azuis –, só depois passaram para os iogurtes e refrigerantes e outros produtos. Se repararem, as pessoas fazem uma cara estranha quando vêem uma tampa de outra cor que não azul no meio duma pilha de tampas recolhidas. Cheguei a ver o dono dum café a chocalhar o garrafão das tampinhas colocado em cima do balcão para ocultar amarela que alguém lá havia deixado.
Mas voltemos ao tema do plástico. Quantas toneladas é que eles dizem ser preciso? Uma? Duas? Quatros? Dez? E só à custa de tampinhas. Sabem quantas tampinhas são precisas para fazer um quilo? Quinhentas. Pela lógica matemática, para fazer duas toneladas são precisas um milhão de tampinhas. A considerar isto tudo como proveniente de garrafas de água, a coisa deverá rondar os 75 cêntimos por tampinha. Contas feitas, estamos a falar dum valor na ordem dos 750 mil euros. Talvez o preço da cadeira seja mesmo esse mas, também, talvez fosse possível fazer mais cadeiras se aproveitassem mais plástico. Digo eu.
Até há pouco julgava que tudo isto não passava duma manobra orquestrada pelos donos das companhias de sumos, águas, etc. para vender mais e mais. Vendo as coisas doutra perspectiva, vejo que talvez a resposta seja mais óbvia que isso que se, por alguma razão, nos escapou durante todo este tempo é porque somos estúpidos.
Eis a minha dedução: só recolhem tampas. Não lógico assumir que é o pessoal que fabrica as tampas que tem algo a ganhar? E agora vocês interrogam-se: mas as tampas são feitas no mesmo sítio não são? E eu é que sei? Se as minhas conclusões vos fizerem algum sentido, talvez sejam; senão, quem sabe?
A verdade é que isto que eu estou a dizer, faz tanto sentido quanto aquilo que nos disseram. A diferença é que não peço nada em troca. Ainda.
[1] Se ninguém registou isto, azar. O termo agora passa a ser meu.
[2] Outra para mim.

2 comentários:

Nan disse...

hum
...
disseste "aguinha"?

:)

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quanto ao resto, acho que te vou pôr a escrever para mim, enquanto trato do seguro lá do outro e assim...

e também não peço nada em troca.

Papoila disse...

a tua falta foi sentida... noites a xorar, gritaria, mt ranho, 1 kase tentativa d suicidiu! afinal akabast por voltar e o ceu brilhou novamente...
bjiis*