29/08/07

TERMINUS 40: PEQUENAS COISAS QUE NOS FAZEM GRANDES

CONTRAMÃO - A SEQUELA
O tribunal da Maia proferiu na quinta-feira passada a “sentença da repetição do julgamento do caso de um veículo descontrolado que voou para a contramão da A3, em 2005, esmagando outra viatura e matando a sua condutora.”

Transcrevi a frase tal qual ela veio no jornal onde li a notícia (mas não digo qual porque o CM não me paga a publicidade) porque há nela um elemento em particular que me fez pensar: hã?!
Falo da expressão ‘voou’. Se o carro voava, porque é que não se desviou? Tinha espaço suficiente para isso.
Depois, temos a repetição do julgamento. Falemos da primeira sentença. Dois condutores foram responsabilizados pela morte…

INTERLÚDIO
na notícia falavam de dois condutores: o que deu a pranchada e o que deu pranchada; um deles morreu. Ora, se os dois foram considerados responsáveis, qual será a pena da morto? A condenação eterna?
da condutora e “condenados a visitar semanalmente a unidade de politraumatizados do Hospital de S. João”.
É bonito o gesto, mas ao mesmo tempo é algo que me assusta e me indigna. Por um lado, temos um fantasma a assombrar pessoas que já passaram por muito; por outro, um tipo que provocou um desastre de viação a andar na boa junto de pessoal que ficou paraplégico por causa de pessoas como ele é estar a gozar com quem não mereceu.
Ainda não sei qual o resultado da nova sentença. Quando souber – e se valer a pena – eu depois digo qualquer coisa.

À ESPERA DO INEM
O caso da mulher que ligou para o 112 a pedir auxílio para o seu marido e para o seu sogro teve agora o seu desfecho com a operadora que fez ouvidos de mercador a receber a sua punição. Punição essa que – concordo com o que a mulher diz – é pouca. Cinco dias de suspensão são, realmente, muito pouco. Faz todo o sentido a sugestão dada pela dona Ermelinda. “Ela devia ser colocada noutro serviço com menos responsabilidade”. Concordo perfeitamente, até porque já se viu que a responsabilidade desta operadora é pouca ou nenhuma.


APRENDER A NÃO SER GORDO
O termo científico não é ‘gordo’, é ‘obeso’, mas eu não sou cientista. Digo isto já para que não hajam confusões.

A Faculdade de Motricidade Humana, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras vai lançar o Programa Peso Comunitário. O que se pretende (em linguagem simples) é ensinar os gordos a serem menos gordos, os magros a serem menos magros e os assim assim a ficarem como estão.
Boas intenções, é certo, mas fica-se por aí. E porquê? Por causa do horário. Atenção a uma coisa: eu acredito que os responsáveis do Programa tenham a melhor das intenções e das qualificações, mas eu já estudei em horário pós-laboral e sei como é que a coisa funciona. A malta sai do trabalho e antes de ir para as aulas come ‘qualquer coisa’; antes disso já tomou um ‘lanche reforçado’. Isto, porque chega a casa tarde e já só come ‘uma sopa’. Mais tarde, antes de ir para a cama, come ‘qualquer coisita’ para não ir dormir de estômago vazio.
Comigo é assim, mas assim como eu não sou cientista, também não sou gordo, por isso não sirvo de exemplo.

CRAVO À PROVA DE ROUBO
Em Évora colocaram códigos com tinta invisível e chips electrónicos para identificar no caso de furto duma réplica de um antigo cravo da Universidade de Évora.
Quando li isto a primeira coisa que pensei foi ‘espero que estejam a falar do instrumento e não da flor (sim, existe um instrumento chamado ‘cravo’). Tudo bem que o cravo flor é importante, por causa do 25 de Abril sempre e tal, mas chips electrónicos numa flor é exagerar um pouco. É que depois os chips apitam quando passam nos sensores dos aeroportos. Já vimos como foi com o Castelo Branco há uns anos atrás. Não queremos ver mais.
Depois pensei, ‘ainda que seja o cravo instrumento, não será também um pouco exagerado?’ Gosto de ver Portugal a utilizar novas tecnologias para salvaguardar o seu património mas, convenhamos, quem é que é vai gamar um cravo? (Há quanto tempo é que não liam a palavra ‘gamar’?) Aquela porcaria ainda é grande. Não é propriamente uma harmónica que se meta no bolso.
Por outro lado, há uns anos atrás na Polónia roubaram uma ponte. Desmontaram-na durante a noite e transportaram-na em camiões TIR para depois vender o ferro. Vistas as coisas, se calhar é melhor prevenir.

TERMINUS 39: AI OS MORANGOS, AI OS MORANGOS…


Os exemplos vêm de cima.
A fama subiu-lhe à cabeça.
Duas frases possíveis de se ouvir quando alguém conversa sobre o caso da detenção do jovem Tomás Santos, actor da série infantil ‘Morangos com Açúcar’.
Para os mais atentos, que repararam que eu classifiquei a série em questão infantil e não juvenil, eu explico o porquê desta minha opinião. É que, a julgar pelos comportamentos públicos de alguns deles, não estamos a lidar com adolescentes, e sim putos.
No caso particular do Tomás, consta que foi detido juntamente com mais três indivíduos pela PSP de Cascais por, alegadamente, estarem a tentar sequestrar o condutor do veículo onde se encontravam.
Isto da linguagem jurídico/jornalística é porreiro porque graças a ela e a palavras como ‘consta’, ‘alegadamente’ e ‘tentar’ pude dizer que ele é culpado sem que o tenha dito realmente. Não estou a dizer que seja, mas também não estou a dizer que não seja. Chama-se a isto o principio Marcelo Rebelo de Sousa: pode ser, mas também pode não ser.
Voltando ao caso do sequestro, Valdemar o sequestrado, disse que a razão por detrás do acto era uma dívida antiga que ele tinha ao grupo. Ora, estamos a falar de putos com menos de vinte e cinco anos. Dívidas antigas neste universo etário poderão ser o quê? Berlindes, pastilhas, gomas? Pessoas com menos de vinte e cinco anos não têm dívidas antigas. As dívidas só atingem o estatuto de antigo dos trinta anos para cima.
Se estivéssemos a falar de pessoas com a idade de um Nicolau Breyner ou, melhor ainda, de um Ruy de Carvalho, a expressão ‘dívida antiga’ seria extremamente bem empregue. Como não estamos, eu digo assim: putos dos morangos, cresçam e apareçam!

14/08/07

TERMINUS 38: SALVEMOS AS NOSSAS CRIANÇAS! ELAS NÃO MERECEM ISSO!


No final do ano passado abordei o tema da guerra iniciada pela TVI com a série ‘Morangos com Açúcar’. A SIC, como se sabe, respondeu com a ‘Floribella’. Por sua vez, a TVI contra-atacou com a ‘Doce Fugitiva’.
Terminei o artigo com uma nota de apreensão em relação ao que a retaliação da SIC poderia trazer.
Passados oito meses, temos a resposta. ‘Chiquititas’ (ou ‘Chiquitities’, como eu carinhosamente a baptizei) é a resposta (tardia) à ‘Doce Fugitiva’. Já vi o produto em questão e há muito a apontar.
Comecemos pelos cenários e pelas perguntas que andam na cabeça de toda a gente: onde é que o director artístico compra droga? Será tão barata quanto parece?
Antes de vos responder, deixem-me que vos diga que sou uma pessoa alegre. No entanto, aquela cor toda, aqueles contrastes; aquilo para mim não é alegria, são os ácidos que estão cada vez mais baratos.
Ainda não apanhei bem o rumo da história. Primeiro, porque não vi do princípio; segundo, porque – e eu já tenho a experiência disso – tenho medo de começar a ver e de me interessar. Quase que ia acontecendo o mesmo com a ‘Floribella’ e com os ‘Morangos’. As gajas são boas, um gajo começa a ver, entusiasma-se e… pronto, fica agarrado.
Julgo, porém, que não hão de haver muitas coisas que difiram entre a ‘Floribella’ e as ‘Chiquititas’. As ‘Chiquititas’ têm mais cor. Fora isso, ambas têm crianças parvas, fadas do lar, mulheres más, mulheres boas, homens bons, homens maus, etc. Desconheço se há ou não uma árvore mágica, mas desconfio que um dos putos é capaz de ter uma planta no quarto, daquelas que se secam as folhas e depois fuma-se e é fixe.
Sei também, ou por outra, desconfio que há gémeos ou, pelo menos, há falta de dinheiro para contratarem mais uma actriz e então puseram a mesma actriz a interpretar dois papéis.
No entanto, não foram os maus aspectos de ‘Chiquititas’ que me levaram a escrever este artigo, foram os bons, que, embora em menor quantidade, justificam uma cuidada referência.
Sou fã, ou melhor, sou apreciador do ‘Dragonball’. (Fã alude à compra de cromos e porta-chaves e tatuagens e pins; eu só vejo os episódios). Ao início não era, não suportava aquilo.
Um dia vi um episódio.
Era a batalha entre o Songoku e o Coraçãozinho de Satã, no final da série original. Só queria ver quem ganhava. Foi o suficiente. A batalha ainda mal ia a meio quando comecei a ver e quando, finalmente, terminou já havia sido ‘capturado’.
O ‘Dragonball’ neste aspecto é como as telenovelas, se nos distraímos um pouco somos logo apanhados.
Porquê este desvio para o ‘Dragon Ball’, perguntam vocês. Tem tudo a ver com as ‘Chiquititas’ e com a personagem Lili.
Um dos aspectos mais difíceis, talvez o mais difícil, de um filme do ‘Dragon Ball’ com pessoas é conseguir reproduzir com exactidão o penteado do Songoku sem ter de recorrer a CGIs. Ao ver Lili com aquele penteado, eu ouso acreditar que é possível.
Termino com uma chamada de atenção à actriz Marta Fernandes que disse à revista ‘Correio da Manhã TV’ que a série, e cito, “trata o mundo dos adultos visto do universo das crianças. A visão que tenho deste trabalho é que é uma distorção da realidade adulta que todas as crianças acabam por fazer”.
Ora, eu já fui criança (e em algumas coisas ainda sou) e não me lembro de ver o mundo assim. É claro que no meu tempo o armário dos remédios ficava fechado.
E ao senhor director artístico e aos argumentistas, tentem não deixar as drogas num sítio onde as crianças tenham acesso. É verdade que se as crianças começarem a tomar ácidos vão passar a ver o mundo assim. Só que isso é adaptar a prática à teoria e isso não é correcto.

TERMINUS 37: SIM, É OUTRA VEZ UM ARTIGO SOBRE A COLECÇÃO DE VERÃO DE LIVROS DO DN. E DEPOIS?

Antes que comecem já aí a pensar, eu digo-vos já: não estou a bater no ceguinho. Se escrevo um quarto artigo à volta do mesmo tema, por alguma razão é. Novamente me debruço sobre a questão na medida em que continuo a ter um dedo que adivinha. A vossa atenção agora, por favor.

Trabalho numa Biblioteca Municipal, que se divide numa biblioteca central e mais três pólos em diferentes freguesias do concelho. Nestas últimas duas semanas calhou a mim a tarefa de ir buscar os jornais à papelaria.

Coincidência ou não, na quarta-feira, dia em que escrevi o artigo anterior relacionado com este tema, era suposto ter recebido um livro com o DN – “O Último Adeus” de Balzac – e não veio, veio só na sexta-feira.

Era aqui que eu queria chegar. E porquê? Porque este livro já vem impresso com letra de gente. Só que depois espalharam-se outra vez ao comprido.

A acompanhar “O Último Adeus” veio o livro respectivo de sexta, “O Caso dos Gémeos Desconhecidos” de Ellery Queen, que, mais uma vez, requer o uso de uma lupa para poder ser lido.

No entanto, e é isto que não percebo, o livro que saiu no dia seguinte, o “Daisy Miller” do Henry James, vinha também impresso em letra de gente, um pouco mais pequena do que a do livro do Balzac mas, ainda assim, legível.

Resolvi então pegar nos livros já distribuídos da colecção e fazer uma pequena avaliação. Eis uma lista (a ordem é aleatória):

· DAISY MILLER, de Henry James
· O CASO DOS GÉMEOS DESCONHECIDOS, de Ellery Queen
· O ÚLTIMO ADEUS, de Honoré de Balzac
· O SENHOR DA CHARNECA, de Ruth Rendell
· A DIVINA COMÉDIA: O INFERNO, de Dante
· A MÁQUINA DO TEMPO, de H. G. Wells
· OS EUROPEUS, de Henry James
· CARTAS DE INGLATERRA, de Eça de Queirós
· FREI LUIS DE SOUSA, de Almeida Garrett

Os livros cujos títulos estão a negrito correspondem àqueles publicados com letra legível. Porque é que uns foram publicados assim e outros não?

De início pensei que era um caso de bipolaridade ou que lhes tivesse dado na veneta fazer assim.

Foi após analisar com atenção os dados que possuía que me deparei com uma terrível conclusão.

Tal como o jornalista do “24 Horas” ou do “Tal e Qual” que descobriu que conseguia formar a palavra ‘PORTUGAL’ se tirasse um ‘P’ aqui, um ‘o’ ali, etc., também eu descobri que há um código secreto implícito nos livros publicados.

Primeiro, há que separar os livros; os que nos interessam são aqueles com os títulos a negrito.
Peguemos no ‘Frei Luís de Sousa’ e olhemos com atenção para a CENA VI do Acto Primeiro. É anunciada a chegada do senhor. Jorge, Madalena, Maria e Miranda são as personagens intervenientes. Atenção particular à frase “Terrível sinal naqueles anos e com aquela compleição!”

Saltemos agora para “O Último Adeus”, para a página 24, na qual o magistrado, “apontando para a desconhecida”, pergunta “quem é aquela senhora?”. O senhor de Grandville responde-lhe que é a condessa de Vandières, louca ao que parece, regressada há dois meses.
Uma espreitadela agora ao “Daisy Miller”, à capa e à contracapa, onde podemos observar a figura de Daisy Miller em posições diferentes. Na capa, temos Daisy situada no lado direito, na contracapa, Daisy está do lado esquerdo. O cenário é o mesmo, a posição é a mesma.
Porquê, então, a mudança?

Se à primeira vista a relação entre estas três obras não vos salta à vista, é perfeitamente normal, uma vez que eu também só reparei nisso passado algum tempo.

Nas duas primeiras obras, temos o caso de uma pessoa que regressou após um período de ausência. Na terceira, o caso de uma mulher que é mal vista pelos seus conterrâneos.

Porquê?

Porque é que uma mulher honesta é vista com maus olhos?

Só se não for uma mulher, pensei eu.

Estava descoberto o enigma. D. João, o regressado do Frei Luís de Sousa na figura do Romeiro, era na verdade a condessa de Vandières. Faz todo o sentido que após um cativeiro de vinte anos, D. João não só estivesse um pouco louco como também decidido a experimentar um tipo de vida alternativo.

O Romeiro/condessa de Vandières foi assim perseguido até ao fim da sua vida por aqueles que não o aceitavam. Queimado/a numa fogueira ele/a jurou voltar.

E um dia Daisy Miller nasceu. Mulher por fora, homem por dentro, esconde o seu terrível segredo numa sociedade que não a aceita.

Das duas uma, ou é isto que eu acabei de dizer ou então é mero acaso.

09/08/07

TERMINUS 36: NUNCA ESCREVI UM ARTIGO SOBRE ÓCULOS E ESTE É O PRIMEIRO

Parece que tenho um dedo que adivinha. No meu penúltimo artigo referi a letra minúscula com que os livros da colecção de livros de bolso do DN são impressos. Eu tenho boa vista, graças a um trabalho bem feito pelos meus pais e não por qualquer obra e graça do Espírito Santo. É verdade que tenho algum estigmatismo reduzido na vista esquerda, mas… Bom, não sei se é reduzido ou não. Pelo menos da última vez que fui ao oftalmologista era. Agora não sei. Talvez seja tipo as f—
Peço desculpa por me estar a desviar do assunto em análise. No entanto, esta conversa sobre falta de vista em geral e oftalmologia em particular tem tudo a ver com o tema deste artigo.
Como dizia antes, não tenho falta de vista, mas há quem tenha. E então agora com aqueles que já falei, ainda mais.
No Correio da Manhã do dia 8 de Agosto deparei-me com uma notícia cujo título era ‘ROUBO DE ÓCULOS’. Só de olhar para o título, somei 1+1 (dá 2, para quem não sabe) e pensei: ‘Já estás!’ Porém, ao ler a notícia apercebi-me que a grande parte dos óculos roubados eram óculos de sol. Ainda assim, o artigo refere que também roubaram armações para óculos de prescrição médica.
A sorte do DN é que estes roubos não foram provocados por influência da sua colecção de Verão. Porque, a avaliar pelos prejuízos, se eu fosse um dos donos das lojas assaltadas, quem havia de pagar as despesas era o jornal responsável.
Continuando no mesmo artigo, mas fazendo um viragem de perspectiva, pergunto: de quem foi a culpa dos assaltos? Parte foi dos ladrões, como é óbvio. Creio, porém, que não será errado atribuir uma quota de culpabilidade ao responsável do Centro Óptico de Seia pelo assalto a este local.
Luís, se estiveres a ler isto, eu sei que não fizeste por mal, mas descobrir os melhores ângulos de instalação das câmaras não é coisa que demore muito tempo a fazer. Principalmente num sítio onde se trabalha há já algum tempo e que é suposto conhecer-se bem.
Vá lá, isso eu até deixo passar. Agora, dizeres que foste vítima dum crime organizado… Não sou especialista em assaltos, mas duvido que qualquer acção criminosa que recorra ao uso duma marreta quando há tantos outros objectos mais subtis tenha algo de muito organizado por trás.
Desejo-te sorte em recuperares o que é teu, porque calculo que não tenhas dito o que disseste por maldade. Estavas com a cabeça quente; o que, dada a talhada que foi, é perfeitamente compreensível.

TERMINUS 35: AFINAL EM SANTA COMBA DÃO TAMBÉM HÁ COISAS MÁS

Finalmente condenaram o Cabo Costa. A razão pela qual escrevo ‘finalmente’ não é porque tivesse alguma coisa lá empatada por causa do caso, por conhecer alguma das vítimas e querer justiça ou por não gostar do sujeito em questão, mas simplesmente porque acho que ‘finalmente’ é uma palavra bonita para começar um artigo com ‘Santa Comba Dão’ no título.
Pois é. Não tenho nada, rigorosamente nada, a ver com o caso, mas estou contente que tenha chegado ao fim. A terra de onde veio esse Grande Português com voz de homem forte (daquelas que metem respeito e jamais suscitam dúvidas quanto à sua pujança) que foi Salazar não merecia ver a sua grande História manchada por uma figura sinistra, outrora um agente policial cumpridor da lei.
Por que, senão por Salazar, seria Santa Comba Dão conhecida? Julgo que se o Cabo Costa fosse o único com o selo ‘made in Santa Comba Dão’, que mil vezes prefeririam os seus habitantes serem uma terra insignificante sem quaisquer figuras de referência. Bem melhor estavam quando eram apenas conterrâneos daquele que conduziu os destinos de Portugal durante tantos anos. (Suponho que tenha sido em Santa Comba Dão que Salazar aprendeu a nobre arte de curtir o couro. Senão de onde terá vindo o nickname ‘Botas’?)
O Cabo Costa foi condenado a vinte e cinco anos. A lei não dá para mais. E é pena. Vinte e cinco anos é pouco. Devia ter levado vinte e seis ou, vá lá, se quisermos mesmo ser rigorosos, 27. Já dava nove anos por cada vítima, era mais fácil controlar.
Bandido! Andou a gozar com a gente este tempo todo! É bem feita pra aprender! Assassino! (Estas expressões ficam sempre bem.)
Já estou farto de dizer isto e não me canso: isto queria era um Salazar em cada esquina! De preferência que fosse gaja, limpinha e não cobrasse muito. (Mas agora que passam recibo, não sei…)

TERMINUS 34: COLECÇÃO DE VERÃO - LIVROS DE BOLSO DN - ARTIGO CONTRA

Só podem é ‘tar a gozar com um gajo! É que só podem! Não bastava andarem a saltar com o ‘Bandeira’ dum lado pró outro, agora ainda tiveram a ideia de lançar uma colecção de livros de bolso todos eles publicados no século passado pela Europa-América. Ainda bem que a porcaria dos livros é de graça. À qualidade que eles têm, também era abusar.
O primeiro defeito a apontar é a escolha das obras. Quem é o português típico de praia que vai ler Dante, Balzac ou Dostoievski? Atenção! Não é dizer que todo o português é burro ou que só lê Margarida Rebelo Pinto, Rita Ferro, Dan Brown, Nicholas Sparks, Rodrigues dos Santos ou o que estiver no top do Modelo / Continente.
Eu sei que há portugueses que lêem estes autores. Para dizer a verdade, eu próprio leria. E se aqui escrevo no condicional é precisamente porque a merda da letra é tão pequena que um gajo tem de pensar bem se vale realmente a pena o esforço.
Essa da letra é outra. As edições da Europa-América já de si tinham a letra pequena, mas estes exageraram na dose. Os livros até podem ter sido bem escolhidos, mas só para quem apanhou a lupa distribuída gratuitamente com o primeiro livro. Quem não apanhou, azar. Por outro lado, usar uma lupa para ler aqueles livros à luz do sol, apesar de necessário, pode ter consequências ardentes.
O que me leva ao próximo defeito a apontar: a estação do ano. Numa altura em que as gajas mais andam sem roupa, em que o calor incita à procriação (que este país tanto precisa), o que é que o DN faz? Espeta-nos com livros do arco da velha que qualquer Biblioteca Municipal tem (em edições com letra que se lê) e diz: leiam, eduquem-se. Mais valia terem poupado as arvorezinhas e pegarem num tronco bem grosso e enfiarem-no no recto da senhora dona Europa. Andamos há tanto tempo vergados que nem iríamos notar.
Ainda bem que só voltam para o ano.
(E acabei por não falar do papel. E ainda bem porque aquela porcaria é tão rija que nem para limpar o cu serve.)

TERMINUS 33: COLECÇÃO DE VERÃO - LIVROS DE BOLSO DN - ARTIGO A FAVOR

Agraciar o público que lê tão antigo e, ao mesmo tempo, tão actualizado matutino com algumas das obras literárias mais apreciadas da cena nacional e internacional é algo que – a lógica assim o indica – só podia vir de um jornal com uma marca de qualidade única como é o Diário de Notícias.
A escolha do Verão para lançar esta colecção foi uma escolha mais que sensata. É no Verão que as pessoas mais tempo têm para ler e a visão de portugueses na praia agarrados a tão magníficos livros deixa-me com uma lágrima no canto do olho. Além de que, no Verão, como os dias são mais longos, há mais luz para ler, sem que se tenha de se recorrer a luzes artificiais. Verificamos assim, da parte do DN, uma clara preocupação em dois aspectos; a saber, o ambiente e a difícil situação financeira de alguns portugueses que não fosse por alguns cafés não teriam como aceder a tão fascinante periódico.
Obrigatório será também referir a dimensão dos livros. São livros de bolso, sim mas isso não os torna inferiores em nada em relação a outros de maiores dimensões. Pelo contrário, as suas dimensões reduzidas permitem guardá-los, inclusive, no bolso da camisa. No meu caso, no bolso esquerdo. Bem junto ao coração.
Concluo, dizendo que quando terminar o Verão e, por conseguinte, esta colecção, será um sacrifício ter de esperar mais um ano até que seja época de iniciativa tão louvável poder tornar a acontecer.

03/08/07

TERMINUS 32: NOVO FUNDO DE INVESTIMENTO CINEMATOGRÁFICO

Aos anos que andavam a falar disto e até me custa a acreditar. Será que foi mesmo desta?
No dia 24 de Julho o Ministério da Cultura anunciou a surpresa que todos aguardavam há três anos. Convenhamos que em termos de surpresa não terá resultado muito bem, mas a nível de efeitos positivos foi uma boa nova.
Para quem não sabe o Ministério da Cultura criou um novo fundo de investimento para o cinema e o audiovisual que vai deixar de ser atribuído apenas pelo ICAM (Fundo de Apoio Indiscriminado a Paulo Branco e Outros), passando a ter a participação da RTP, da SIC (não me lembro se também da TVI, mas é possível). Em suma, entidades públicas e privadas.
Sublinho aqui a presença das privadas num fundo de investimento. É o que me faz estar contente. Investimento privado implica retorno do investimento, o que vai obrigar muitos cineastas portugueses a deixarem de olhar tanto o seu umbigo e fazer filmes para o público.
Por outro lado temos a primeira consequência negativa disso que é começarem a fazer filmes tipo ‘O Crime do Padre Amaro’ à paposeco. Se é excelente a ideia de ver gajas como a Soraia Chaves nuas a toda a hora e instante, às tantas tanta oferta torna-se monótona e perde o interesse.
Não sou contra o cinema de autor – o Manoel de Oliveira quer fazer um filme? Deixem-no – nem sou contra “Padres Amaros”, “Sortes nulas” ou “Coisas ruins”. Há lugar para tudo e para todos. Façam o que quiserem, mas façam para o público.
O grande problema do cinema português é apenas este: a bipolarização. São dois extremos tão distintos que quando vemos um, não acreditamos que existe outro. O que eu quero é algo que estará algures no meio.
E se alguns temem que conceitos como ‘rendimento’, ‘comercialização’ ou ‘lucro’ possam tornar os filmes desprovidos de vida ou interesse cultural, pensem nos subsídios que receberam durante anos e no que fizeram pelo cinema português em Portugal. Lá fora é bom, mas (preto no branco) que se foda isso. Estamos cá dentro, não é lá fora.
O senhor Paulo Branco, um dos (senão o) produtores portugueses que mais dinheiro recebeu do Estado para fazer filmes ao desbarato, aquele que num programa da RTP disse em directo que o Estado não lhe dava apoios (abro aqui um parêntesis para dizer que se calhar isso até é verdade; em nome individual, Paulo Branco nunca recebeu apoio do Estado para fazer filmes, só através da Madragoa, da Clap Filmes, talvez também da Medeia, etc., o que é muito pouco realmente) nenhuns foi o porta-voz dos indignados nessa tal conferência. Para ele e outros como ele a ideia de fazer filmes que gerem receitas é um anátema.
O desrespeito que tiveram pelos contribuintes portugueses que vos sustentaram os ‘tiques’ vai vos sair caro. Agora é que vão ver como elas vos mordem!

TERMINUS 31: 3 COISAS COM QUE EU NÃO BRINCO E PORQUÊ

No mundo de hoje é preciso sabermos bem distinguir o bem do mal, o certo do errado. É preciso traçar linhas e sabermos quais os nossos limites. Em tempos lutaram pela nossa liberdade, o que, apesar de simpático, não teve grande efeito prático na elaboração desta pequena lista de três coisas com que eu não brinco.

1ª coisa com que eu não brinco: Deus
A minha política no que se refere a coisas “gozáveis” é simples: têm de existir. Deus não existe, logo não brinco com ele. Alguma piada ou referência que eu faça é apenas porque, de vez em quando, vejo Deus como um gambuzino.

2 ª coisa com que eu não brinco: ciganos
Admiro-lhes o espírito de união, o nomadismo e o modo como se aguentaram ao longo dos tempos. Confesso a minha ignorância em relação à sua cultura e costumes (tipo usar uma banheira como horta). Acredito que existam alguns com espírito para a brincadeira, mas a diferença de culturas ensina-me a ser cauteloso e a pensar bem antes de agir. Por isso, não brinco com eles.

3 ª coisa com que eu não brinco: José Sócrates
Como aspirante a funcionário público que sou, devo pensar bem antes de dizer o que seja sobre o Senhor Primeiro-Ministro Engenheiro José Sócrates, não vá dizer algo impróprio sem querer. Mesmo que fosse trabalhador do sector privado, continuaria a rezar pela sua alma e a considerar este o melhor Primeiro-Ministro de sempre.
Um grande bem haja para si, Senhor Primeiro-Ministro
Que Deus o tarde o a ter na sua companhia que o mundo bem precisa de si.

Assina
Um funcionário público dedicado

P.S.: Sócrates rules! Plato, go fuck yourself!

TERMINUS 30: PROFESSORES E JUNTAS MÉDICAS - AFINAL O QUE SE PASSA?

A classe dos professores queixa-se de estar a ser vítima de injustiças, discriminações, atentados aos direitos fundamentais, blá blá blá. Essa cambada (que é o mínimo que se pode dizer) queixa-se, queixa-se e sem razão. Primeiro eram os horários, depois eram as deslocações (tomara muitos pilotos da TAP viajarem tanto como certos professores), depois vieram os programas escolares, os putos delinquentes. Agora, para animar a festa, são as Juntas Médicas.
Eu já não sou estudante, também não sou professor – esses problemas passam-me todos ao lado – mas porra! arranjem outra merdinha para se queixarem. Tudo bem, morreram dois professores. Só que não se esqueçam. Uma tinha leucemia, outro tinha cancro. Não é ser má língua ou insensível, mas não eram propriamente os melhores exemplos de saúde que andavam aí.
No dia 24 de Julho li no DN a propósito de um terceiro caso do género, o de uma professora, também com cancro. Desconheço a situação actual da senhora desde então; sei que a Junta Médica que avaliou o seu pedido de aposentação, recusou a aceder. E fez senão bem. É que é preciso ser insensível ou burro para não ver o bem que estas Juntas Médicas estão a fazer por estes professores.
É muito simples. Se a Junta Médica os tivesse reformado, o que teria acontecido? Ficavam em casa, na companhia dos seus, a viver bem e a sonhar, diriam os mais positivos. A verdade é que a serem reformados mais cedo, estes professores ficariam em casa, a pensar no que já não poderiam fazer, no pouco tempo que tinham, a lamentar-se por decisões mal tomadas e que já não poderiam corrigir. Ficariam tristes e morreriam depressivos.
Ao trabalharem até quinar, nem dão pelo tempo a passar. Alguns nem conseguem pensar se estão alegres ou tristes; continuam a educar os seus alunos. O que é senão nobre.
Além de que, isso de trabalhar até morrer é um acto que muitos sonham atingir, mas que poucos querem que passe realmente do sonho. O verdadeiro actor, o verdadeiro artista, quer morrer no palco, o verdadeiro lutador quer morrer no ringue, o verdadeiro toureiro quer morrer na arena. Estes professores têm o privilégio de poderem morrer nas salas de aula – imaginem o que seria um professor de Expressão Dramática ao encenar uma morte, soltar o último fôlego. Mais realista seria impossível – e ainda se queixam.
Isto sem falar que no ‘tempo da outra senhora’ (a versão espacial desta expressão será, porventura, na ‘casa da Joana’?) ainda continuavam a exercer o seu poder de voto depois de mortos. Alguns tinham a vida, perdão, tarefa, facilitada. Nem se precisavam de mexer; já estavam nas urnas, era só votar.
Bons tempos, bons tempos…
(Quis meter-me na pele dum dos sujeitos das Juntas Médicas que têm tomado estas decisões tão humanistas e respeitadoras da dignidade profissional. Além do que acabaram de ler, isto provocou-me também uma azia. Conto que tenha sido por ter estado tanto tempo na pele de tal espécime e não por qualquer coisa que tenha comido estragada.)