03/08/07

TERMINUS 30: PROFESSORES E JUNTAS MÉDICAS - AFINAL O QUE SE PASSA?

A classe dos professores queixa-se de estar a ser vítima de injustiças, discriminações, atentados aos direitos fundamentais, blá blá blá. Essa cambada (que é o mínimo que se pode dizer) queixa-se, queixa-se e sem razão. Primeiro eram os horários, depois eram as deslocações (tomara muitos pilotos da TAP viajarem tanto como certos professores), depois vieram os programas escolares, os putos delinquentes. Agora, para animar a festa, são as Juntas Médicas.
Eu já não sou estudante, também não sou professor – esses problemas passam-me todos ao lado – mas porra! arranjem outra merdinha para se queixarem. Tudo bem, morreram dois professores. Só que não se esqueçam. Uma tinha leucemia, outro tinha cancro. Não é ser má língua ou insensível, mas não eram propriamente os melhores exemplos de saúde que andavam aí.
No dia 24 de Julho li no DN a propósito de um terceiro caso do género, o de uma professora, também com cancro. Desconheço a situação actual da senhora desde então; sei que a Junta Médica que avaliou o seu pedido de aposentação, recusou a aceder. E fez senão bem. É que é preciso ser insensível ou burro para não ver o bem que estas Juntas Médicas estão a fazer por estes professores.
É muito simples. Se a Junta Médica os tivesse reformado, o que teria acontecido? Ficavam em casa, na companhia dos seus, a viver bem e a sonhar, diriam os mais positivos. A verdade é que a serem reformados mais cedo, estes professores ficariam em casa, a pensar no que já não poderiam fazer, no pouco tempo que tinham, a lamentar-se por decisões mal tomadas e que já não poderiam corrigir. Ficariam tristes e morreriam depressivos.
Ao trabalharem até quinar, nem dão pelo tempo a passar. Alguns nem conseguem pensar se estão alegres ou tristes; continuam a educar os seus alunos. O que é senão nobre.
Além de que, isso de trabalhar até morrer é um acto que muitos sonham atingir, mas que poucos querem que passe realmente do sonho. O verdadeiro actor, o verdadeiro artista, quer morrer no palco, o verdadeiro lutador quer morrer no ringue, o verdadeiro toureiro quer morrer na arena. Estes professores têm o privilégio de poderem morrer nas salas de aula – imaginem o que seria um professor de Expressão Dramática ao encenar uma morte, soltar o último fôlego. Mais realista seria impossível – e ainda se queixam.
Isto sem falar que no ‘tempo da outra senhora’ (a versão espacial desta expressão será, porventura, na ‘casa da Joana’?) ainda continuavam a exercer o seu poder de voto depois de mortos. Alguns tinham a vida, perdão, tarefa, facilitada. Nem se precisavam de mexer; já estavam nas urnas, era só votar.
Bons tempos, bons tempos…
(Quis meter-me na pele dum dos sujeitos das Juntas Médicas que têm tomado estas decisões tão humanistas e respeitadoras da dignidade profissional. Além do que acabaram de ler, isto provocou-me também uma azia. Conto que tenha sido por ter estado tanto tempo na pele de tal espécime e não por qualquer coisa que tenha comido estragada.)

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