03/08/07

TERMINUS 32: NOVO FUNDO DE INVESTIMENTO CINEMATOGRÁFICO

Aos anos que andavam a falar disto e até me custa a acreditar. Será que foi mesmo desta?
No dia 24 de Julho o Ministério da Cultura anunciou a surpresa que todos aguardavam há três anos. Convenhamos que em termos de surpresa não terá resultado muito bem, mas a nível de efeitos positivos foi uma boa nova.
Para quem não sabe o Ministério da Cultura criou um novo fundo de investimento para o cinema e o audiovisual que vai deixar de ser atribuído apenas pelo ICAM (Fundo de Apoio Indiscriminado a Paulo Branco e Outros), passando a ter a participação da RTP, da SIC (não me lembro se também da TVI, mas é possível). Em suma, entidades públicas e privadas.
Sublinho aqui a presença das privadas num fundo de investimento. É o que me faz estar contente. Investimento privado implica retorno do investimento, o que vai obrigar muitos cineastas portugueses a deixarem de olhar tanto o seu umbigo e fazer filmes para o público.
Por outro lado temos a primeira consequência negativa disso que é começarem a fazer filmes tipo ‘O Crime do Padre Amaro’ à paposeco. Se é excelente a ideia de ver gajas como a Soraia Chaves nuas a toda a hora e instante, às tantas tanta oferta torna-se monótona e perde o interesse.
Não sou contra o cinema de autor – o Manoel de Oliveira quer fazer um filme? Deixem-no – nem sou contra “Padres Amaros”, “Sortes nulas” ou “Coisas ruins”. Há lugar para tudo e para todos. Façam o que quiserem, mas façam para o público.
O grande problema do cinema português é apenas este: a bipolarização. São dois extremos tão distintos que quando vemos um, não acreditamos que existe outro. O que eu quero é algo que estará algures no meio.
E se alguns temem que conceitos como ‘rendimento’, ‘comercialização’ ou ‘lucro’ possam tornar os filmes desprovidos de vida ou interesse cultural, pensem nos subsídios que receberam durante anos e no que fizeram pelo cinema português em Portugal. Lá fora é bom, mas (preto no branco) que se foda isso. Estamos cá dentro, não é lá fora.
O senhor Paulo Branco, um dos (senão o) produtores portugueses que mais dinheiro recebeu do Estado para fazer filmes ao desbarato, aquele que num programa da RTP disse em directo que o Estado não lhe dava apoios (abro aqui um parêntesis para dizer que se calhar isso até é verdade; em nome individual, Paulo Branco nunca recebeu apoio do Estado para fazer filmes, só através da Madragoa, da Clap Filmes, talvez também da Medeia, etc., o que é muito pouco realmente) nenhuns foi o porta-voz dos indignados nessa tal conferência. Para ele e outros como ele a ideia de fazer filmes que gerem receitas é um anátema.
O desrespeito que tiveram pelos contribuintes portugueses que vos sustentaram os ‘tiques’ vai vos sair caro. Agora é que vão ver como elas vos mordem!

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