14/08/07

TERMINUS 37: SIM, É OUTRA VEZ UM ARTIGO SOBRE A COLECÇÃO DE VERÃO DE LIVROS DO DN. E DEPOIS?

Antes que comecem já aí a pensar, eu digo-vos já: não estou a bater no ceguinho. Se escrevo um quarto artigo à volta do mesmo tema, por alguma razão é. Novamente me debruço sobre a questão na medida em que continuo a ter um dedo que adivinha. A vossa atenção agora, por favor.

Trabalho numa Biblioteca Municipal, que se divide numa biblioteca central e mais três pólos em diferentes freguesias do concelho. Nestas últimas duas semanas calhou a mim a tarefa de ir buscar os jornais à papelaria.

Coincidência ou não, na quarta-feira, dia em que escrevi o artigo anterior relacionado com este tema, era suposto ter recebido um livro com o DN – “O Último Adeus” de Balzac – e não veio, veio só na sexta-feira.

Era aqui que eu queria chegar. E porquê? Porque este livro já vem impresso com letra de gente. Só que depois espalharam-se outra vez ao comprido.

A acompanhar “O Último Adeus” veio o livro respectivo de sexta, “O Caso dos Gémeos Desconhecidos” de Ellery Queen, que, mais uma vez, requer o uso de uma lupa para poder ser lido.

No entanto, e é isto que não percebo, o livro que saiu no dia seguinte, o “Daisy Miller” do Henry James, vinha também impresso em letra de gente, um pouco mais pequena do que a do livro do Balzac mas, ainda assim, legível.

Resolvi então pegar nos livros já distribuídos da colecção e fazer uma pequena avaliação. Eis uma lista (a ordem é aleatória):

· DAISY MILLER, de Henry James
· O CASO DOS GÉMEOS DESCONHECIDOS, de Ellery Queen
· O ÚLTIMO ADEUS, de Honoré de Balzac
· O SENHOR DA CHARNECA, de Ruth Rendell
· A DIVINA COMÉDIA: O INFERNO, de Dante
· A MÁQUINA DO TEMPO, de H. G. Wells
· OS EUROPEUS, de Henry James
· CARTAS DE INGLATERRA, de Eça de Queirós
· FREI LUIS DE SOUSA, de Almeida Garrett

Os livros cujos títulos estão a negrito correspondem àqueles publicados com letra legível. Porque é que uns foram publicados assim e outros não?

De início pensei que era um caso de bipolaridade ou que lhes tivesse dado na veneta fazer assim.

Foi após analisar com atenção os dados que possuía que me deparei com uma terrível conclusão.

Tal como o jornalista do “24 Horas” ou do “Tal e Qual” que descobriu que conseguia formar a palavra ‘PORTUGAL’ se tirasse um ‘P’ aqui, um ‘o’ ali, etc., também eu descobri que há um código secreto implícito nos livros publicados.

Primeiro, há que separar os livros; os que nos interessam são aqueles com os títulos a negrito.
Peguemos no ‘Frei Luís de Sousa’ e olhemos com atenção para a CENA VI do Acto Primeiro. É anunciada a chegada do senhor. Jorge, Madalena, Maria e Miranda são as personagens intervenientes. Atenção particular à frase “Terrível sinal naqueles anos e com aquela compleição!”

Saltemos agora para “O Último Adeus”, para a página 24, na qual o magistrado, “apontando para a desconhecida”, pergunta “quem é aquela senhora?”. O senhor de Grandville responde-lhe que é a condessa de Vandières, louca ao que parece, regressada há dois meses.
Uma espreitadela agora ao “Daisy Miller”, à capa e à contracapa, onde podemos observar a figura de Daisy Miller em posições diferentes. Na capa, temos Daisy situada no lado direito, na contracapa, Daisy está do lado esquerdo. O cenário é o mesmo, a posição é a mesma.
Porquê, então, a mudança?

Se à primeira vista a relação entre estas três obras não vos salta à vista, é perfeitamente normal, uma vez que eu também só reparei nisso passado algum tempo.

Nas duas primeiras obras, temos o caso de uma pessoa que regressou após um período de ausência. Na terceira, o caso de uma mulher que é mal vista pelos seus conterrâneos.

Porquê?

Porque é que uma mulher honesta é vista com maus olhos?

Só se não for uma mulher, pensei eu.

Estava descoberto o enigma. D. João, o regressado do Frei Luís de Sousa na figura do Romeiro, era na verdade a condessa de Vandières. Faz todo o sentido que após um cativeiro de vinte anos, D. João não só estivesse um pouco louco como também decidido a experimentar um tipo de vida alternativo.

O Romeiro/condessa de Vandières foi assim perseguido até ao fim da sua vida por aqueles que não o aceitavam. Queimado/a numa fogueira ele/a jurou voltar.

E um dia Daisy Miller nasceu. Mulher por fora, homem por dentro, esconde o seu terrível segredo numa sociedade que não a aceita.

Das duas uma, ou é isto que eu acabei de dizer ou então é mero acaso.

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