14/08/07

TERMINUS 38: SALVEMOS AS NOSSAS CRIANÇAS! ELAS NÃO MERECEM ISSO!


No final do ano passado abordei o tema da guerra iniciada pela TVI com a série ‘Morangos com Açúcar’. A SIC, como se sabe, respondeu com a ‘Floribella’. Por sua vez, a TVI contra-atacou com a ‘Doce Fugitiva’.
Terminei o artigo com uma nota de apreensão em relação ao que a retaliação da SIC poderia trazer.
Passados oito meses, temos a resposta. ‘Chiquititas’ (ou ‘Chiquitities’, como eu carinhosamente a baptizei) é a resposta (tardia) à ‘Doce Fugitiva’. Já vi o produto em questão e há muito a apontar.
Comecemos pelos cenários e pelas perguntas que andam na cabeça de toda a gente: onde é que o director artístico compra droga? Será tão barata quanto parece?
Antes de vos responder, deixem-me que vos diga que sou uma pessoa alegre. No entanto, aquela cor toda, aqueles contrastes; aquilo para mim não é alegria, são os ácidos que estão cada vez mais baratos.
Ainda não apanhei bem o rumo da história. Primeiro, porque não vi do princípio; segundo, porque – e eu já tenho a experiência disso – tenho medo de começar a ver e de me interessar. Quase que ia acontecendo o mesmo com a ‘Floribella’ e com os ‘Morangos’. As gajas são boas, um gajo começa a ver, entusiasma-se e… pronto, fica agarrado.
Julgo, porém, que não hão de haver muitas coisas que difiram entre a ‘Floribella’ e as ‘Chiquititas’. As ‘Chiquititas’ têm mais cor. Fora isso, ambas têm crianças parvas, fadas do lar, mulheres más, mulheres boas, homens bons, homens maus, etc. Desconheço se há ou não uma árvore mágica, mas desconfio que um dos putos é capaz de ter uma planta no quarto, daquelas que se secam as folhas e depois fuma-se e é fixe.
Sei também, ou por outra, desconfio que há gémeos ou, pelo menos, há falta de dinheiro para contratarem mais uma actriz e então puseram a mesma actriz a interpretar dois papéis.
No entanto, não foram os maus aspectos de ‘Chiquititas’ que me levaram a escrever este artigo, foram os bons, que, embora em menor quantidade, justificam uma cuidada referência.
Sou fã, ou melhor, sou apreciador do ‘Dragonball’. (Fã alude à compra de cromos e porta-chaves e tatuagens e pins; eu só vejo os episódios). Ao início não era, não suportava aquilo.
Um dia vi um episódio.
Era a batalha entre o Songoku e o Coraçãozinho de Satã, no final da série original. Só queria ver quem ganhava. Foi o suficiente. A batalha ainda mal ia a meio quando comecei a ver e quando, finalmente, terminou já havia sido ‘capturado’.
O ‘Dragonball’ neste aspecto é como as telenovelas, se nos distraímos um pouco somos logo apanhados.
Porquê este desvio para o ‘Dragon Ball’, perguntam vocês. Tem tudo a ver com as ‘Chiquititas’ e com a personagem Lili.
Um dos aspectos mais difíceis, talvez o mais difícil, de um filme do ‘Dragon Ball’ com pessoas é conseguir reproduzir com exactidão o penteado do Songoku sem ter de recorrer a CGIs. Ao ver Lili com aquele penteado, eu ouso acreditar que é possível.
Termino com uma chamada de atenção à actriz Marta Fernandes que disse à revista ‘Correio da Manhã TV’ que a série, e cito, “trata o mundo dos adultos visto do universo das crianças. A visão que tenho deste trabalho é que é uma distorção da realidade adulta que todas as crianças acabam por fazer”.
Ora, eu já fui criança (e em algumas coisas ainda sou) e não me lembro de ver o mundo assim. É claro que no meu tempo o armário dos remédios ficava fechado.
E ao senhor director artístico e aos argumentistas, tentem não deixar as drogas num sítio onde as crianças tenham acesso. É verdade que se as crianças começarem a tomar ácidos vão passar a ver o mundo assim. Só que isso é adaptar a prática à teoria e isso não é correcto.

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