29/08/07

TERMINUS 40: PEQUENAS COISAS QUE NOS FAZEM GRANDES

CONTRAMÃO - A SEQUELA
O tribunal da Maia proferiu na quinta-feira passada a “sentença da repetição do julgamento do caso de um veículo descontrolado que voou para a contramão da A3, em 2005, esmagando outra viatura e matando a sua condutora.”

Transcrevi a frase tal qual ela veio no jornal onde li a notícia (mas não digo qual porque o CM não me paga a publicidade) porque há nela um elemento em particular que me fez pensar: hã?!
Falo da expressão ‘voou’. Se o carro voava, porque é que não se desviou? Tinha espaço suficiente para isso.
Depois, temos a repetição do julgamento. Falemos da primeira sentença. Dois condutores foram responsabilizados pela morte…

INTERLÚDIO
na notícia falavam de dois condutores: o que deu a pranchada e o que deu pranchada; um deles morreu. Ora, se os dois foram considerados responsáveis, qual será a pena da morto? A condenação eterna?
da condutora e “condenados a visitar semanalmente a unidade de politraumatizados do Hospital de S. João”.
É bonito o gesto, mas ao mesmo tempo é algo que me assusta e me indigna. Por um lado, temos um fantasma a assombrar pessoas que já passaram por muito; por outro, um tipo que provocou um desastre de viação a andar na boa junto de pessoal que ficou paraplégico por causa de pessoas como ele é estar a gozar com quem não mereceu.
Ainda não sei qual o resultado da nova sentença. Quando souber – e se valer a pena – eu depois digo qualquer coisa.

À ESPERA DO INEM
O caso da mulher que ligou para o 112 a pedir auxílio para o seu marido e para o seu sogro teve agora o seu desfecho com a operadora que fez ouvidos de mercador a receber a sua punição. Punição essa que – concordo com o que a mulher diz – é pouca. Cinco dias de suspensão são, realmente, muito pouco. Faz todo o sentido a sugestão dada pela dona Ermelinda. “Ela devia ser colocada noutro serviço com menos responsabilidade”. Concordo perfeitamente, até porque já se viu que a responsabilidade desta operadora é pouca ou nenhuma.


APRENDER A NÃO SER GORDO
O termo científico não é ‘gordo’, é ‘obeso’, mas eu não sou cientista. Digo isto já para que não hajam confusões.

A Faculdade de Motricidade Humana, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras vai lançar o Programa Peso Comunitário. O que se pretende (em linguagem simples) é ensinar os gordos a serem menos gordos, os magros a serem menos magros e os assim assim a ficarem como estão.
Boas intenções, é certo, mas fica-se por aí. E porquê? Por causa do horário. Atenção a uma coisa: eu acredito que os responsáveis do Programa tenham a melhor das intenções e das qualificações, mas eu já estudei em horário pós-laboral e sei como é que a coisa funciona. A malta sai do trabalho e antes de ir para as aulas come ‘qualquer coisa’; antes disso já tomou um ‘lanche reforçado’. Isto, porque chega a casa tarde e já só come ‘uma sopa’. Mais tarde, antes de ir para a cama, come ‘qualquer coisita’ para não ir dormir de estômago vazio.
Comigo é assim, mas assim como eu não sou cientista, também não sou gordo, por isso não sirvo de exemplo.

CRAVO À PROVA DE ROUBO
Em Évora colocaram códigos com tinta invisível e chips electrónicos para identificar no caso de furto duma réplica de um antigo cravo da Universidade de Évora.
Quando li isto a primeira coisa que pensei foi ‘espero que estejam a falar do instrumento e não da flor (sim, existe um instrumento chamado ‘cravo’). Tudo bem que o cravo flor é importante, por causa do 25 de Abril sempre e tal, mas chips electrónicos numa flor é exagerar um pouco. É que depois os chips apitam quando passam nos sensores dos aeroportos. Já vimos como foi com o Castelo Branco há uns anos atrás. Não queremos ver mais.
Depois pensei, ‘ainda que seja o cravo instrumento, não será também um pouco exagerado?’ Gosto de ver Portugal a utilizar novas tecnologias para salvaguardar o seu património mas, convenhamos, quem é que é vai gamar um cravo? (Há quanto tempo é que não liam a palavra ‘gamar’?) Aquela porcaria ainda é grande. Não é propriamente uma harmónica que se meta no bolso.
Por outro lado, há uns anos atrás na Polónia roubaram uma ponte. Desmontaram-na durante a noite e transportaram-na em camiões TIR para depois vender o ferro. Vistas as coisas, se calhar é melhor prevenir.

1 comentário:

Cati disse...

Muito bem visto e muito bem escrito!
Permite-me só uma pequena correcção: a D. Ermelinda não era da família dos senhores que faleceram à conta da incompetência do INEM, era vizinha (o que no fundo vai dar ao mesmo...)

Isso passou-se aqui perto e foi mesmo uma coisa horrenda, essa moça do INEM e os seus superiores deviam ter outro tipo de punição... Mas isto já sou eu a divagar...

Passo por cá todos os dias - já sou fã!

Beijos!