12/09/07

TERMINUS 43: O ANONIMATO NOS BLOGS


Parece que lá para Setúbal passa-se qualquer coisa por causa dum blog anónimo cujos textos ultrapassam os limites do politicamente correcto, chegando mesmo ao insulto. Dizem também que um funcionário dessa autarquia foi detido por suspeitas de ser ele o responsável por esse blog.
A qualquer um desses “factos” (coloco as aspas uma vez que não está provado que seja mesmo este funcionário o autor do blog) sou totalmente alheio. Porém, ao tomar conhecimento desta matéria, não podia deixar de me manifestar.
O meu protesto – como sabem sou um gajo do contra – vem, não em relação aos agentes que procederam à detenção, aos queixosos, àqueles que querem limitar a liberdade de expressão, blá blá blá, mas ao autor do blog. O Horácio (vou-lhe chamar assim para não estar sempre a escrever “o autor do blog”, que isso cansa) é um sujeito medricas e sem tomates.
Ó Anacleto (para o caso de o Horácio se chamar mesmo Horácio vou usar um nome diferente de cada vez que me referir a ele), escrever num blog é motivo de orgulho, não de vergonha. Primeiro, provas ao mundo que sabes escrever; segundo, demonstras que dominas as novas tecnologias. Não deves ter medo de deixar as pessoas saberem quem tu és.
Porque, tenta perceber isto Inácia (lembrei-me que o Barnabé pode afinal ser uma gaja) não partilhares o teu nome com o resto de nós, além destes apartes estúpidos a que me obrigo, prova que és uma pessoa vazia e com medo de enfrentar as suas convicções. Quem quer lutar a sério, vai de cara destapada. Essa de só aparecer em publico quando as coisas correm bem para mim não dá.
E supondo que o/a autor(a) seja mesmo um(a) funcionário(a) público(a) (se ler isto é chato, imaginem o que é escrever), fique ele/ela sabendo que eu também sou. Nunca o escondi. Já estava na comunidade antes de estar na função e sempre assumi o que escrevi. Claro que às vezes temo represálias, mas não é por isso que escrevo no anonimato.
O nosso nome é aquilo que de mais precioso temos e negá-lo ou escondê-lo só porque temos que um idiota a quem chamámos idiota se zangue connosco é estúpido.
O truque aqui, Roberta (Roberta é um nome porreiro no caso do Tancredo ou da Amélia estarem indecisos quanto à sua orientação), não é esconder ou negar nada, é ser o mais aberto possível, mas de forma dissimulada. É óbvio que o domínio da linguagem irónico/satírica não está ao alcance de todos, mas há que pelo menos tentar escamotear um pouco as coisas.
O segredo é dizer o que se quer, a quem se quer, de modo a que toda gente perceba o que se está a dizer, mas que ninguém o possa usar para fins judiciais.
Um conselho: vai ler o Gil Vicente ou o Padre António Vieira. Pode ser que eles te ensinem alguma coisa.

Sem comentários: