19/09/07

TERMINUS 44: MONOPÓLIO

Há alturas em que penso não haver nada de novo para falar, que tudo o que eu faço é reafirmar o óbvio de forma diferente. Também há alturas em que há tanta coisa por onde escolher que eu fico à nora e acabo por pegar num tema fraquinho e não dar enfâse ao que interessa.
E depois há alturas como esta, alturas em que um tema se evidencia dos demais.
Não é uma notícia de última hora - tem o seu q de antigo - mas para muita malta da minha geração é um verdadeiro símbolo de horas e horas de diversão nos seus tempos de infância e juventude. Falo, como o título do artigo indica, do jogo MONOPÓLIO.
Monopólio, esse clássico jogo de tabuleiro que nos ensinou valores tão úteis numa sociedade de consumo como 'capital', 'luxo', 'imposto', 'banca', 'renda', 'paga!' e, claro 'monopólio'. Tinha o seu lado social; numa altura em que algumas pessoas pediam cinquenta escudos para uma sopa, podíamos comprar a Rua Augusta por quinhentos. Aquilo era jogo para levar dias e dias até alguém ganhar. Quando a malta estava bem equiparada era assim. O dinheiro estava sempre a circular.
A razão que me leva escrever um artigo sobre o ‘Monopólio’ é porque li há umas semanas atrás que uma produtora americana (só podia), creio que foi a 20th Century Fox, comprou os direitos de adaptação do jogo ao cinema.
Hã?!
Quem já jogou e tiver um ‘Monopólio’ em casa, pare de ler e vá buscá-lo. Já foram? Ok. Agora montem o jogo para… 4 pessoas, e depois de terem tudo no sítio – os peões, o dinheiro distribuído, os dados, os títulos de propriedade tudo ordenado, os cartões da ‘Sorte’ e da ‘Caixa da Comunidade’ – fechem os olhos um segundo ou dois e tornem a abri-los
Eu fiz esta experiência para ver se conseguia perceber o que passou na cabeça do gajo que olhou para uma caixa do ‘Monopólio’ e pensou ‘Olha, isto era capaz de dar um filme porreiro! Só preciso dum gajo para o realizar. Já sei! Pode ser aquele tipo do ‘Gladiador’.’
Pois é. Ridley Scott é o nome apontado como possível realizador. E neste caso o termo ‘apontado’ dá-me a ideia que foi castigo. “Vais tu que é pra aprender!” Depois de ter feito o ‘Blade Runner’ não merecia, mas também ninguém o mandou fazer o ‘GI Jane’. É assim, Ridley.
Voltemos então ao gajo que teve a ideia de adaptar o ‘Monopólio’ ao cinema; tomemos como hipótese a ideia ter surgido quando ele entrou numa loja de brinquedos e olhou para o jogo –
PAUSA PARA CONSIDERAÇÃO PERTINENTE (sem pontuação bem aplicada)
um gajo que tem a ideia de transformar um jogo de tabuleiro num filme (além de ser parvo) tem de ter dinheiro e idade para não se rirem dele e o mandarem dar uma volta; o mais certo é ser um velho gordo e rebarbado, com uma ligeira psique daquelas mesmo estranhas, tipo aquele que num episódio do CSI tinha a panca de andar de fraldas; será que queremos gente assim a frequentar lojas de brinquedos? Não creio.

Vamos supor agora que em vez do ‘Monopólio’ ou da loja de brinquedos, ele tinha passado num parque e visto dois velhos a jogar às ‘Damas’ ou ao ‘Dominó’. Não imagino qual seja o plot para o filme do ‘Monopólio’ mas, como guionista que sou, resolvi pensar num ou mais
plots caso o jogo das damas ou do dominó fossem também adaptados ao cinema.
Eis o que me ocorreu:

DAMAS
Títulos possíveis: Oreo Vídeo Fitness Program; Damarado; Rio Acima, Rio Abaixo; etc.
No caso do jogo das damas achei que aquilo era mais estilo aula de step do que outra coisa qualquer. Aquele ‘anda para aqui, anda para ali’ dá-me ideia disso. Mas é uma aula de step que se transforma em orgia com as damas a comerem-se todas umas às outras. E isso é bonito.
Pensei também numa cena tipo western feminista, com coristas dum lado e squaws do outro. O filme acompanharia o processo de preparação para a grande batalha. E no fim, novamente uma orgia com as damas a comerem-se umas às outras. Ou então uma cena canibalesca. É a ver.

DOMINÓ
Títulos possíveis: A Bicha; A Pilha; A Parelha; etc.
Um filme sobre o Dominó tem de ser algo passado numa prisão. Uma cena tipo ‘Expresso da Meia-noite’ com um pouco de ‘Porridge’ à mistura, para a malta se rir um bocado. Talvez também um pouco de ‘Prison Break’ que, além de estar na moda, tem sempre aquele suspense que a malta curte.
A história, por outro lado, não teria nada a ver com isso; iria girar à volta dum prisioneiro de seu número 1:1 que descobre que está num centro de clonagem e que todos lá têm um siamês que pode ou não ser um clone. A cena seria também um musical com os vários clones a desempenharem coreografias bem bonitas ao som de belos fados.
A certa altura iria surgir um prisioneiro de número 6:6, conhecido pelos demais como ‘O Carrão’, que por ser o mais gordo teria fama e proveito de sodomizar toda a gente.
Estas são as minhas ideias. Sei que são ideias de merda, mas lembrem-se do que deu origem a este artigo. Lavo daí as minhas mãos.

2 comentários:

Cati disse...

As ideias nem estão assim tão más... mas é óbvio que são tão patetas como adaptar o Monopólio ao cinema.

Deixo mais uma sugestão: adaptação ao cinema do jogo Mikado.

Beijinhos!

Sofia disse...

E se soubesses os filmes que eu já fiz na minha cabeça sobre os berlindes... (quando era criança, claro)!