13/12/08

TERMINUS 68: MANOEL DE OLIVEIRA E JOÃO CÉSAR MONTEIRO (TUDO NO MESMO SACO E ATIRADO AO RIO)

Manoel de Oliveira, o mais velho realizador em actividade do mundo comemorou cem anos. E disse que não se vai reformar. Ainda.
Às vezes perguntam-me, “ó Joel, se tu não gostas do senhor, porque é que te dás ao trabalho de escrever sobre ele?” Bom, a verdade é que nunca me senti atraído pela sua obra cinematográfica. Pode ser muito boa, bla bla, mas a mim “não puxa”. A título profissional, é mais ou menos isto. Quanto à parte pessoal, não o conheço, não posso comentar.
Não podia, melhor dizendo.
Há dias li declarações do senhor Manoel de Oliveira, a queixar-se de que se tivesse de depender do Estado português para fazer filmes, teria ficado por um ou dois.
Ora bem, eu entendo que o senhor esteja a ficar senil. É a única desculpa possível e aceitável para tais declarações. Se não é senilidade, é arrogância.
Não tenho por hábito responder a comentários feitos a posts anteriores, mas acho que é importante abrir aqui uma excepção apenas para consolidar o que estou a dizer.
O comentário foi a propósito do meu post “TERMINUS 21: MANOEL DE OLIVEIRA A 48 VELOCIDADES” e dizia:
Leiam muito, vejam muito cinema, mesmo que vos dê seca no inicio, e depois hão de ver que não querem outra coisa. Ou então, senao gostarem paciencia. Considero Manoel de Oliveira e João Cesar Monteiro os maiores clássicos do cinema português, e lamento os comentários que se escrevem acerca deles.Quem não estuda matemática também a detesta. Mas se esforçar e aprender ficará a gostar.Pela ordem de ideias dos detractores, também os clássicos da cultura humanistica seriam para deitar fora , no entanto são a maior riqueza espiritual da Humanidade.
Subscrevo que devemos valorizar os clássicos. Quanto a valorizar Manoel de Oliveira e José César Monteiro, nem pensar. Quem quiser gostar, é livre de gostar, mas eu não consigo gostar, ou sequer respeitar chulos (sim, foi mesmo chulos que escrevi) que sempre receberam dinheiro dos contribuintes para fazer filmes que não deram lucro nenhum, só despesa e vêm dizer que “o Estado não nos dá apoio” ou “Eu quero é que o público português se foda.”
Eu digo-vos o que é que queria.
É melhor não.
O Paulo Branco, ex-produtor do Manoel de Oliveira, disse na RTP que o Estado português não investe no cinema português. Se ele com isto queria dizer ‘bom cinema português’, é verdade; investe só nos dele.
Manoel de Oliveira largou o senhor Paulo Branco e passou a trabalhar com o menino Gonçalo Cadilhe, filho do ex-Ministro das Finanças do Governo de Cavaco Silva. Será assim tão difícil para um realizador obter fundos para fazer um filme, quando o seu produtor é filho de um ex-Ministro das Finanças do actual Presidente da Republica?
Eu não digo que haja favoritismos (todos sabemos que nestas coisas somos modelos a seguir), mas dá que pensar.
Também já disse que não sou apologista do filme feito às três pancadas. Sexo, gaja boa e tiros e explosões; só, não chega. Gosto de bons filmes. Com ou sem efeitos especiais. Não é negar a expressão artística do velhinho e amigos e idolatrizar o comercialismo.
É ter um meio termo.
Que o Estado dê dinheiro a um realizador ou outro, cujo filme faça um mau resultado junto do publico mas um sucesso com os críticos, de vez em quando… eu aceito. O que eu não aceito é que isso seja feito (felizmente a lei já mudou) apenas porque a pessoa tem nome e já é velhinha e não se pode dizer não ao velhinho senão dá-lhe o badagaio.
O que se deve fazer é incentivar a indústria, fazer filmes que façam dinheiro, mas que não deixem de poder ser considerados obras de arte. Filmes bons, filmes maus, mas que despertem o interesse das pessoas, que espevitem alguns, que digam “eu consigo fazer melhor”. Força. Façam. Tentem.
É assim tão difícil combinar as duas coisas? ‘A Lista de Schindler’, ‘Titanic’, ‘O Padrinho’; há infinitos exemplos de filmes que são considerados obras clássicas do cinema e que, por incrível que pareça, não foram fracassos de bilheteira.
A frase Yes, we can! está muito na moda entre os nossos políticos. Que tal começarmos a aplicá-la no cinema também?
(Uma última curiosidade sobre o Manoel de Oliveira: em França, há uma especialização numa licenciatura de cinema sobre o senhor. Exactamente. Há pessoas que são especializadas em Manoel de Oliveira. É fácil identificá-los. Olhem para uma pessoa; se ela estiver sem se mexer durante dez minutos seguidos, é bem provável que seja um especialista em Manoel de Oliveira.)

03/12/08

TERMINUS 67: SOU EU QUE SOU ESTÚPIDO OU?

As pessoas lêem cada vez menos. As estatísticas até são capazes de dizer que não – não tenho nenhuma à mão neste momento para confirmar ou desconfirmar – e ao vermos a parafernália de livros que enchem as estante e expositores das livrarias e supermercados e os novos autores que brotam como cogumelos em terreno próprio para cogumelos, quase que acreditamos que é verdade.
Só que não é.
A verdade – ainda que esta possa ser subjectiva, mas o blogue é meu e eu é que sei – é que as pessoas lêem menos. E lêem menos, decerto não em quantidade, porque a oferta é cada vez mais vasta, mas em qualidade, uma vez que não houve (nem creio que vá haver) alguém que separe o lixo efémero do que é realmente literatura. Bem sei que não se deve comentar o gosto dos outros. E os críticos fazem o quê? Não comentam, fazem pior, impõem-nos o seu gosto. Criticar é feio, mas se for pago está tudo bem. É isso?
Para mim, as pessoas lêem mais coisas más agora do que em qualquer outra altura do passado recente e menos recente. Não porque queiram – certo e sabido que há os que querem ou não se importam – mas porque existe uma estupidificação maciça da sociedade. O tempo é cada vez menos, o dinheiro escasseia. Quem quer ler bons livros, ou tem tempo e dinheiro para investir, ou vê-se obrigado a comprar o que está em promoção nas prateleiras do Modelo. E quando falo em tempo, não é só do tempo que falo, é de cabeça também. Alguém disse-me uma vez “É preferível lerem porcaria (literatura light no caso em particular) do que não lerem nada.” Não, não é. Porque quem vai para a literatura light como primeira opção já dali não sai.
Começa logo na escola com a leitura de histórias mutiladas. Crianças que mal sabem limpar o rabo a analisar morfologicamente os textos. Bons textos na sua versão original são reduzidos a excertos. E a acompanhar esses textos vêm exercícios. Chama-se a isto “leitura orientada”.
Sou o trigésimo sétimo (ou oitavo, não sei bem agora) a dizer que saber analisar um texto é importante, mas não como vi em certos livros. Num livro do 4º ano do Primeiro Ciclo encontrei um poema de Eugénio de Andrade. Introduzir poesia às crianças é nobre, é de saudar, mas há um meio correcto de se fazer as coisas que não foi o utilizado neste caso.
Depois do poema, na página seguinte, vinha... uma ficha de leitura. A ideia subjacente aqui é: não basta ler e sentir a poesia, é preciso esmifrá-la bem esmifrada. As palavras do poeta podem carregar tantos significados, mas o que é passado é a interpretação de meia dúzia de iluminados que decifraram o que o poema quer realmente dizer e impõem essa sua visão.
Primeiro exercício:
Assinala com V para Verdadeiro, F para Falso e T para Talvez as seguintes frases.
Talvez”? Pergunto eu, em vez de “talvez”, que dá uma certa ideia de insegurança, porque não “Pode ser”, “É possível que sim”, “Se calhar”, ou (a minha preferida) “Vai na volta...”
E já agora, Verdadeiro e Falso já está muito visto. Porque não “Com certeza” e “Hmmm... duvido”? Ou “É pois!” e “Népias, não dá!”? Há tanto por onde escolher. Inovem, meus caros.
Segundo exercício:
Dos seguintes desenhos, identifica o que NÃO está relacionado com o Inverno
E tínhamos um boneco de neve, um velho de ar rezingão e um camelo.
Se os camelos soubessem escrever, diria que um deles foi quem elaborou aquele exercício.
Por fim, o terceiro exercício
Descreve em três linhas “o que é para mim o Inverno...”
Ah! Dar liberdade de expressão às crianças! Tão querido! Depois de um exercício que restringe a interpretação de um poema a critérios objectivos e outra que cultiva a imbecilidade, não há nada melhor do que um exercício que promova a veia criativa. Mas só em três linhas. Criatividade sim, mas com moderação. A nível pedagógico isto é bestial, perdão, de besta.
Notem bem, sou a favor das crianças lerem textos e depois analisarem esses textos. Em certos casos, até concordo com as fichas de leitura. Mas! (friso a exclamação) só se se estiverem relacionadas com o poema em si e não com a generalidade do tema que o poema aborda. Há uma diferença.
Por outro lado, sou contra a leitura recreativa que é passada através da escola. Porque não é de leitura recreativa que se trata na maior parte das vezes. Recreativo é sinónimo de lazer e lazer exclui fichas de leitura.
Parece que os professores agora não podem passar trabalho para férias, então sugerem “leitura de Verão”. No meu tempo havia trabalho para férias, não era segredo, e ninguém morria por isso. Hoje em dia está tudo escamoteado. Gozávamos o Verão todo e deixávamos aquilo para a véspera e ninguém morria. No caso da leitura recreativa, como é para entreter, os próprios pais impõem nos filhos a obrigação de passarem parte das férias de volta desses textos.
Mais uma vez digo: a leitura deve ser estimulada, não imposta.
Há dias conversava com alguém sobre isto e essa pessoa deu-me o melhor exemplo possível para este caso:
Pedir às crianças que preencham fichas de leitura acerca de textos que leram nos seus tempos livres, é o mesmo que trancar as portas do cinema e só deixar o pessoal saair depois de cada pessoa preencher uma ficha para ver se perceberam o filme ou não.
A leitura deveria ser estimulada, não imposta. O que se faz é sobrecarregar alunos e professores com cargas horárias violentas e matérias com poucas ou nenhuma utilidade prática. Era assim no meu tempo (em parte), mas agora está pior. É o caso do Inglês no 4º ano. Quando surgiu, fui favor, agora oiço dizer que no 5º ano começam tudo de novo. Não fui confirmar isto mas, a ser verdade, porra! Os putos andam lá a aprender o quê?
É desmotivante. Os alunos que querem (ou melhor, têm de) ser cumpridores e estudiosos não têm tempo para serem crianças. Os professores que escolheram essa profissão por razões nobres não têm como fugir ao que o Ministério da Educação define como “conteúdos programáticos obrigatórios”. Uns não podem sair para lá da caixa, outros não querem, outros não deixam. E a criatividade lá vai desaparecendo.
(Atenção que nem tudo o que o Ministério da Educação faz é mau. Aspectos positivos: a minha professora de Matemática do 8º ano, a minha professora de Geografia do 11º, e mais uma ou outra mula que andavam por lá. Eram visualmente agradáveis e até sabiam ensinar. O problema era nós prestarmos atenção ao que elas diziam. É difícil aprender equações quando a professora tem um decote até ao pescoço. Mas que é estimulante, não há dúvidas.)
Isto não vem de agora, mas agora está pior do que nunca. E parte da culpa é deste Governo de imagem. (O jornal espanhol El Mundo elaborou uma lista dos vinte homens mais elegantes de 2008. E José Sócrates ficou em sexto lugar. Querem melhor exemplo?) Como o são todos em Portugal. É preferível parecer bonito do que funcionar. Só que nem funciona, nem quando visto de perto parece bonito.
É a televisão, poderão dizer. Não deixa de ter a sua quota parte de culpa, mas não é a principal responsável. É o “Big Brother”, é os “Morangos com Açúcar”, é o “Olha quem dança”. É o que for, não importa. Eu olho para esses e outros exemplos como se fossem balas. A cada tiro é uma mini-lobotomia involuntária que foremos. Só que não são eles que disparam. Os Directores dos canais dizem que só que mostram o que o público quer ver. E eu sei que há gente estúpida neste país, mas tanta assim?
Não gosto de usar expressões como “sistema”; parece paranóia. Só que não consigo deixar de ver uma certa organização macabra nesta situação toda.
O Governo promove a estupidificação desde os tempos de escola até à entrada no mercado de trabalho. Começa por ser muito fácil, depois vai ficando difícil sem rumo certo, até que a certo ponto a espiral inverte e os critérios deixam de ser os mesmos. Hoje em dia termos anormalidades como turmas de 1º e 2º ano misturados, ou 2º e 3º ou 1º e 4º, ou os quatro anos numa única sala. Porque no entender da senhora Ministra da Educação, “chumbar uma criança é anti-pedagógico”. Além de dar muito mais trabalho a justificar. Por isso, o nível aumenta e aumenta a um extremo em que poucos alunos conseguem acompanhar e assimilar, mas ninguém chumba. Todos passam, todos sem excepção. E quando chega a hora de ir para a Faculdade, a única coisa que precisam é pagar a matrícula e a inscrição. Podem ter média de sete ou oito, interessa é pagar.
Quem não tem dinheiro e não vai para a faculdade, trabalha e o ritmo é tão intenso, a cabeça é tão bombardeada com o estado do país, com a economia, o desemprego, que quando chegam a casa não querem ver nada. Talvez um filmezinho. Mas uma coisa que não puxe muito pela cabeça. Infelizmente muitos vão para as telenovelas, para os reality-shows, os talk-shows, aquelas coisas que existem para se ver sem olhar, para encher o tempo. E a estupidificação continua.
Incapazes de pensar por nós próprios, assistimos a notícias sobre o aumento da criminalidade. Carjacking, homejacking, tráfico de armas, lenocínio, tráfico de pessoas e bens, TVI. Será assim tão estranho num sistema que protege os direitos dos criminosos em relação às vítimas, haverem assim tantos crimes? Não me parece.
E mesmo que isto seja sensacionalismo da minha parte, mesmo que haja um exagero dos casos aqui apresentados, não creio que isto seja feito por acaso. A intenção é assustar e manter as pessoas assustadas. Pessoas estupidificadas desde crianças, a viverem com medo de serem assaltadas, de serem despedidas; todas com deveres, poucas com direitos reais.
Na manhã em que comecei a escrever este artigo (demorou mais tempo do que esperava) anunciaram na TSF a publicação da lista de credores do Estado. Ouvi isso e pensei logo 'Ninguém vai lá pôr o nome'. Passado este tempo, vejo que não me enganei. Seria como o caixa de óculos no 1º C ir cobrar os dez cêntimos que emprestou ao folião do 4º E para este comprar gomas. Ele até lhe pode pagar, só na brincadeira, mas quando o outro menos esperar...

28/10/08

TERMINUS 66: DISCURSO EM DIRECTO


Se há coisa que gosto de ver são pessoas entrevistadas em directo darem respostas parvas a perguntas concretas. Não gosto tanto como gosto, por exemplo, de ovos estrelados, mas gosto. E se é verdade que às vezes andamos tempos e tempos sem nenhum caso digno de referência (a não ser de futebolistas, só que isso é tão habitué que já chateia), quando menos esperamos aparece um caso como deve de ser.
O caso mais recente data de ontem (dia 27 de Outubro). Antes da pergunta e da resposta, uma pequena contextualização para que tudo faça sentido (ou não).
No dia em que se começou a administrar a vacina contra o cancro do colo do útero (Gardasil), vieram a público uma notícia via CNN que dava conta de cerca de dez mil jovens que sofreram "efeitos nefastos" (incluindo 21 mortes) após terem sido administradas com a tal vacina. (Sou só eu, ou esta frase 'tá assim um bocado mal escrita?)
Como nós em Portugal somos pessoas sensatas, fomos logo (quando fomos, refiro-me aos repórteres) pedir explicações à Direcção Geral de Saúde, que garantiu não haver razões para alarme.
E é lógico que não há. Se não, vejam.
REPÓRTER - Como comenta as notícias da CNN sobre jovens que morreram ou adoeceram após terem sido injectadas com Gardasil?
(Um aparte antes da resposta. Isto é uma pergunta que um repórter nunca faria em directo. Muito longa. Vêem como já estão a aprender?)
GRAÇA FREITAS (a respondona) diz, e cito, "em matéria de vacinas e medicamentos, a vigilância é apertada, realçando que ainda não está comprovada uma relação de causa efeito entre os problemas detectados nas jovens e a Gardasil".
Pronto. Se tivesse ficado por aqui, tudo bem. Era uma resposta um tanto quanto evasiva. Como o pessoal que fez a avaliação do acidente na linha do Tua dizer que aquilo estava tudo a cair de podre, agora daí a dizer que isso teve alguma coisa a ver com acidente, calma lá. O problema é que ela quis dar um exemplo.
Eu nem vou dizer nada. Leiam só.
«Posso ir a um centro de saúde apanhar uma vacina e nas horas a seguir por acaso parto uma perna, foi na sequência da vacina, mas não quer dizer que tenha sido causada pela vacina. Por isso é que os organismos que controlam os medicamentos, não emitiram nenhuma recomendação, no sentido de se estar atento»


Faz todo o sentido. Querem mais exemplos do género para ver como isto faz sentido? Cá vai.
«Posso ir a um matadoro matar um porco e nas horas a seguir por acaso dar corda ao relógio, foi na sequência da matança do porco, mas não quer dizer que tenha sido causada pela matança do porco. Por isso é que os senhores que controlam os porcos, não emitiram nenhuma recomendação, no sentido de se estar atento.»
«Posso ir a um parque de diversões comer algodão doce e nas horas a seguir por acaso elaborar um orçamento para reparação de uma persiana, foi na sequência do algodão doce, mas não quer dizer que tenha sido causado pelo algodão doce. Por isso é que os senhores que adoçam o algodão, não emitiram nenhuma recomendação, no sentido de se estar atento.»
«Posso ser informado que a vacina que a entidade pela qual eu sou responsável começou a administrar é capaz de não ser lá muito boa e nas horas a seguir dar um exemplo que faz de mim um atrasadinho, foi na sequência de não ter tomado a medicação, mas não quer dizer que tenha sido causada por isso. Por isso é que os senhores que mandam na clínica onde resido, não emitiram nenhuma recomendação, no sentido de se estar atento.»
Acho que já chega.
Bem esteve o W. que quando um repórter o questionou sobre um assunto pertinente, respondeu "Gostava que me tivesse enviado essa questão previamente por email." (Corri o Youtube e o Google à procura da expressão correcta, mas não consegui. As minhas desculpas.)


18/09/08

TERMINUS 65: CORRUPÇÃO PARA TODOS


Sofia divide o tempo entre dois empregos. De tarde trabalha num supermercado, à noite num bar de alterne frequentado por dirigentes desportivos, autarcas, polícias e juízes. Numa noite, Sofia recebe uma proposta de um inspector da Polícia Judiciária, Luís, que reconhece nela uma certa classe, charme e inteligência que a destacam de todas as outras mulheres que habitualmente se encontram nesses locais. A proposta é simples e perigosa: Sofia deve dar-se a conhecer a um dirigente de um clube desportivo da primeira liga, seduzi-lo, conhecer os seus segredos. Sofia aceita o desafio, mas aos poucos começa a pôr em causa o que lhe é dito pelo inspector. Mas o cerco policial ao "Presidente" continua, o que o leva a manter Sofia afastada de qualquer informação comprometedora. Sofia está agora disposta a revelar tudo o que sabe. Mas a verdade tem um preço muito alto.

-- sinopse do filme português CORRUPÇÃO

Ora bem, isto já vem mais do que tarde, vem tardíssimo, mas eu tenho um problema – aliás, tenho mais do que um, mas para o caso não interessa – que é ser preguiçoso. E outro que é não ligar a filmes que não interessam. Eu vi as conversas no programa da Fátima Lopes sobre a Carolina Salgado, portanto já sabia de tudo o que ia acontecer no filme. Ou, assim pensava eu. Pois ao ir a uma papelaria e encontrar o dvd do filme 'Corrupção' e por curiosidade (mórbida? não tanto, é mais pelo gozo) pegar para ler a sinopse, constatei que o filme tinha e tem mais do que eu julgava.
A história está lá como eu tinha ouvido dizer n vezes, tanto na Fátima Lopes, como no Manuel Luís, só que ninguém (e aqui fica o meu reparo a esses senhores críticos sociais) me disse que o filme ia ser uma fábula da Disney. Ou tentativa de. Pelo menos é o que parece. Vejam porquê:
Uma mulher ter dois empregos para sustentar as filhas e um deles ser num bar de alterne, não é a primeira nem há-de ser a última. Se o emprego diurno for fiscal da ASAE, pronto é mau exemplo. Mas o alterne, além de poder ajudar as gaiatas quando for a altura dos exames de Educação Sexual, também aprende a tirar cervejas e a preparar cocktails. Imagine-se o caso das filhas irem pelo mesmo caminho, abrem negócio em casa e é só facturar.
O bar é frequentado por gente importante, entre os quais dirigentes desportivos, autarcas, juízes, policias. Ora bem, por definição e por ética, a prostituição de alto nível é onde uma pessoa pode ir e despejar os seus problemas (e não só) e fica descansado porque dali não sai nada. Primeiro sinal de que quem escreveu o filme nunca pôs os pés numa casa de alterne ou então era ela que não era capaz de ficar com a boca fechada.
O que remete para a próxima parte da história. Vai lá um polícia bêbado fazer-lhe uma proposta . E bêbado porquê? “(...) Luís [o bófia] (...) reconhece nela uma certa classe, charme e inteligência que a destacam de todas as outras mulheres que habitualmente se encontram nesses locais” Que locais? Balcõesdo CitiBank? Repartições de Finanças? Não. Casas de alterne. Classe, charme e inteligência numa alternadeira? Pode ter, calma, mas não é coisa que se veja e muito menos diga num primeiro encontro.
Diálogo romântico pouco provável de acontecer:
Então és tu a Marlene. Os meus amigos já me tinham falado de ti.”
E tu és o Elias. Lindo nome. Deves ser um garanhão.”
Noto em ti uma certa classe, charme e inteligência tão grandes que sinto que vou arrebentar.”
É melhor irmos para o quarto tratar disso.”
Se for por trás é mais caro ou é o mesmo preço?”
E por aí fora. Vêem isto acontecer na vida real? Eu não.
Mas a coisa não fica por aqui. Continua a ser tentativa de fábula.
Ela ouve a proposta de meter-se com um gajo para lhe sacar informação e aceita. Aceita ajudar o bófia que não conhece de lado nenhum, traindo assim os principios que regem toda uma classe de gente trabalhadora, e a troco de quê? Acaba por ser descoberta e espancada e ficar de mãos a abanar.
Mas antes do espancamento (que não é nada tão espectacular como foi o de Leonor Cipriano (ver nota no fim)) ainda deu tempo para uma bela história de amor entre um senhor do desporto e uma menina da noite. Momentos de grande ternura e alguma badalhoquice, como a cena do coelhinho. (Espero que tenha a cena do coelhinho. Disseram-me que tinha a cena do coelhinho. Agora se não tem é que é chato que eu até seria capaz de comprar o filme só para ver a cena do coelhinho.)
Classe, charme e inteligência? Lá paciência para aturar paneleirices isso ela tem e sobra. Classe, talvez. Dentro do género é possível que sim. E mesmo charme. Ao fim ao cabo (que linda expressão!) são tudo aspectos superficiais. Nada visível a olho nu como a inteligência. E aceitar ajudar fazer a folha a um gajo que até seria um bom ganha-pão se não o lixasse, só porque alguém lhe deu um piropo, não evidencia uma inteligência por aí além.
Porém, ao mesmo tempo que espia, começa a pensar que o bófia é capaz de não lhe ter contado tudo como deve ser. Hum? Ponderações? Minha menina, estamos a entrar no campo da Filosofia e isso é terreno muito pantanoso para meninas com classe. Como até não está a fazer nada de mal e como quem diz a verdade não merece castigo, o que é que ela resolve fazer? Contar a verdade. É então que leva o espancamento e o pontapé no rabo e põe-te a andar.
Estes são alguns dos aspectos que o filme possui que o impedem de ser uma fábula da Disney. O que seria necessário para que fosse, de facto, uma fábula?
Mantém-se tudo como está, mas sai o presidente e em vez disso entra o coelhinho. Temos assim a figura racional do filme e outros animais é tirar-lhes a voz e deixá-los como estão.


Nota referente a há pouco: Leonor Cipriano, a ser verdade o que dizem, teve dos melhores espancamentos dados pela Polícia Judiciária. Carolina Salgado (ou Sofia) foi espancada por grunhos e estes, por muito que tentem, não chegam aos calcanhares da gente da PJ. E não é por serem dos Super Dragões ou do Torreense ou do Clube de Xadrez Unidos da Betesga que são grunhos. São grunhos porque um gajo vestido de coelho diz-lhes para espancarem uma gaja com classe, charme e inteligência e eles espancam a gaja em vez de darem uma paulada no coelhinho e pô-lo no forno a assar. Quem sabe, se depois do coelhinho não a comiam de sobremesa? Talvez com a promoção “Leve com quatro e pague dois” a coisa ficasse por um bom preço. Não pensaram nisso, agora olha.


TERMINUS 64: SUGESTÕES (TARDIAS) DE LEITURA PARA SETEMBRO

O tempo é pouco e, infelizmente, só agora é que consegui vir aqui deixar-vos a lista de livros a ler durante o mês de Setembro. Para compensar o meu atraso e uma vez que metade do mês já passou, em vez de vinte levam trinta sugestões. Quem é amigo, quem é?


1 – SURPREENDA OS SEUS VIZINHOS DURANTE A NOITE
2 – TODOS OS TOQUES DE TELEMÓVEL EM LINGUAGEM SMS
3 – APRENDA A DIMINUIR AS SUAS EXPECTATIVAS
4 – DISFARCE O EXCESSO DE ÁLCOOL ATRAVÉS DE DANÇAS DE SALÃO
5 – UMA LISTA DE TODAS AS MULHERES QUE NÃO FINGEM
6 – UMA LISTA DE PESSOAS QUE NÃO DÃO TRABALHO A NINGUÉM
7 – UMA LISTA DE PESSOAS QUE NÃO INTERESSAM
8 – O MENINO JESUS JÁ QUER IR ÀS MENINAS
9 – COMO CONSEGUIR BONS DESCONTOS EM TUDO
10 – O MEU ARCO-ÍRIS: MEMÓRIAS DE UM ESTRÁBICO
11 – LISTA DE TODOS OS PREÇOS DE PASTAS DENTÍFRICAS EM MERCEARIAS DE IDANHA-A-NOVA
12 – 100 RECEITAS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS
13 – SAIBA SE ESTÃO A GOZAR CONSIGO ATRAVÉS DE AERÓBICA
14 – 27 FRASES PARA DIZER QUANDO ENCONTRAR DEUS
15 – UMA ANÁLISE DE TUDO O QUE FOI DITO SOBRE A CONJUNTURA
16 – APRENDA A CONTAR PELOS DEDOS EM TRÊS TEMPOS
17 – DISFARCE O SEU ODOR CORPORAL COM UMA SOLUÇÃO À BASE DE VINAGRE E CEBOLA
18 – ENCICLOPÉDIA DE MEDICINA ARTIFICIAL
19 – TONS DE CORES QUENTES PARA VERNIZ DE UNHAS
20 – O PLANO NACIONAL DE SAÚDE SOB O OLHAR DE JOSEF MENGELE
21 – APRENDA A NÃO DESISTIR (com prefácio de Pedro Santana Lopes)
22 – TODAS AS PALAVRAS QUE NINGUÉM LEU
23 – SEJA O CENTRO DAS ATENÇÕES ATRAVÉS DE SONS CORPORAIS
24 – COMO USAR BOM SENSO EM DISCUSSÕES COM BÊBADOS ARMADOS
25 – TODAS AS CAVIDADES CORPORAIS ONDE PODE ESCONDER DROGA
26 – GINCANA DE MÉDICOS-LEGISTAS
27 – PADRÕES DE PAPEL DE EMBRULHO COM RISCAS
28 – OS ENDEREÇOS DE TODAS AS PESSOAS COM APELIDOS COMEÇADOS POR 'S'
29 – A RAIZ QUADRADA DE 2 EM 1700 PÁGINAS
30 – PIROPOS DE TROLHA PARA USAR NO CONVENTO

05/08/08

TERMINUS 63: SUGESTÕES DE LEITURA PARA AGOSTO

Esperando que as sugestões do mês passado vos tenham proporcionado agradáveis momentos de lazer, aqui ficam as sugestões de leitura para o mês de Agosto.

1 - DICAS DE BELEZA PARA PESSOAS COM VERRUGAS
2 - RITOS DE ACASALAMENTO DOS BEDUÍNOS
3 - CATÁLOGO PRIMAVERA-VERÃO PARA PESSOAS ANTIPÁTICAS
4 - FALSIFIQUE NOTAS COM LENÇOS DE PAPEL
5 - DIGA NÃO A TUDO
6 - LISTA DE NOMES IDIOTAS PARA DAR AO SEU FILHO HERMAFRODITA
7 - DICIONÁRIO DE INSULTOS PARA INDIVÍDUOS DE ORELHAS GRANDES
8 - JOGOS E BRINCADEIRAS EM CAMPOS DE MINAS
9 - O SEU VOTO CONTA
10 - COMO DIZER SEMPRE A FRASE CERTA
11 - 1001 FORMAS DE PEDRA DE CALÇADA
12 - BRICOLAGES DE CASA DE BANHO
13 - ENFEITE A SUA SECRETÁRIA COM FOTOGRAFIAS DOS FILHOS DOS SEUS COLEGAS
14 - A SUA HIGIENE DIÁRIA EM UM MINUTO
15 - ASSUSTE O SEU PARCEIRO COM RESULTADOS DE EXAMES MÉDICOS
16 - TÉCNICAS DE ACASALAMENTO COM ANIMAIS DE PÊLO BRANCO
17 - TRANSFORME OS SEUS RECIBOS VELHOS EM FLORES DE PAPEL
18 - UMA LISTA DE TODAS AS FRASES ESCRITAS EM CASAS DE BANHO PÚBLICAS
19 - UMA LISTA DE TODAS AS PESSOAS PARA QUEM PODE LIGAR ÀS 4 DA MANHÃ
20 - COMO AFUGENTAR TIAS CHATAS

TERMINUS 62: PRIVADAS & PÚBLICAS

Passei por quatro universidades na minha vida – duas públicas e duas privadas –, estudei numa e trabalhei nas outras três. Conheço bem o panorama das universidades públicas e privadas. Ou melhor, conhecia de 1999 até meados de 2006. Depois disso, parti para outra.
Era, por vezes, demais evidente o nível que distinguia os alunos de uma e de outra universidade. A privada com pré-requisitos académicos mais baixos e mensalidades mais altas dava espaço aos meninos e meninas de bem, aos “senhores” e aos “filhos dos senhores”. Na pública, entravam por mérito próprio. Pagavam menos, mas o nível de exigência era diferente. Não sendo isto uma regra de ouro, eram mais as vezes em que acontecia assim do que o contrário.
Não estou, portanto, a ser apologético de uma e crítico de outras, mas era isto que se verificava. A postura dos alunos na pública era mais humilde do que a dos alunos na privada. Eis um exemplo (real, não inventado):
Dois alunos, oriundos da mesma escola, da mesma turma, candidataram-se ao curso de Direito. Um entrou na pública, o outro na privada. Os dois freaks.
No primeiro ano, continuaram como freaks. No segundo ano, o que estava na privada, cortou o cabelo e passou a vestir calça de ganga e camisa. No terceiro ano, andava de fatinho e gravata. O outro continuou como freak até ao final do curso.
Hoje em dia, o freak anda de fato, mas é a profissão que obriga a isso. Exerce advocacia, o outro trabalha num café.
Isto acontecia em Direito, acontecia em Economia, Gestão, Informática, etc. E agora leio no DN que o decréscimo de alunos não tem a ver com a descredibilização das universidades privadas, mas sim com a crescente concorrências das públicas. Em parte, é verdade, mas só em parte.
Tomemos como exemplo alguns dos casos que vieram a público sobre universidades privadas (alguns não passam de rumores, mas mencionemos-los na mesma):
Universidade Independente: suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, falsificação de documentos, etc.
Universidade Moderna: associação criminosa, gestão danosa, apropriação ilícita, corrupção activa e passiva e falsificação de documentos.
Universidade Autónoma: suspeitas de corrupção, exames comprados, etc.
Estes são os casos de que me lembro e que encontrei na net. Que também possam haver casos assim ou piores nas universidades públicas, não me surpreende. Surpreende-me é dizerem que o facto do número de alunos ter diminuído nos últimos dez anos não tem nada a ver com isto.
Este é um Governo de imagem. Tudo é feito à superfície, a porcaria varrida para baixo do tapete. Acho que se fosse um objecto, este Governo seria uma capa para telemóvel. O telemóvel cai ao chão, fica feito em merda por dentro, troca-se a capa e, voilá!, fica como novo.
Algumas coisas terão mudado nestes últimos dois anos em que estive afastado do ambiente universitário. A começar pelo grau de exigência para entrada na pública. O cenário que eu descrevia ao início, muito provavelmente, não ocorre nos dias de hoje.
E isso surpreende alguém?
A mim não.
Fiz o ensino secundário na área de Comunicação. Aprendi as quatro perguntas principais a que um jornalista tem de responder quando escreve uma notícia (QUEM, O QUÊ, ONDE e QUANDO) na minha primeira semana de aulas.
Quando fui trabalhar para a primeira privada, na altura dos exames finais, apanhei um aluno do 4º ano, curso de Ciências da Comunicação, vertente de Jornalismo, a fazer cábulas para o exame final. Só tinha lá uma coisa “QUEM, O QUÊ, ONDE e QUANDO”. Hoje trabalha no 24 Horas. Talvez.
Pagou para entrar, mas era óbvio que não tinha cabeça para aquilo.
Hoje corre-se o risco de este cenário aconteceu em todas as universidades. Alunos mal preparados, que entram porque têm dinheiro para isso, mantêm-se porque têm dinheiro para isso e acabam porque têm dinheiro para isso.
Começa com algo tão simples e bonito como a subida miraculosa dos resultados dos exames de Matemática. Num ano estamos cá em baixo tudo, no ano seguinte ninguém nos agarra. Alunos super inteligentes? Professores super dinâmicos e instrutivos? Não sei. Mas imagino que as capas para telemóveis nos chineses estejam muito baratas.

22/07/08

TERMINUS 61: QUINTA DA FONTE


Após centenas de emails e cartas a pedirem, a exigirem que eu me manifestasse acerca dos acontecimentos que tiveram lugar na Quinta da Fonte, em Loures, eu continuei na minha. Disse-lhes a todos que a minha criatividade não podia ser encomendada. "Eu escrevo sobre o que me apetece," disse-lhes. E mantive-me firme.
Até que uma das leitoras resolveu ser um bocadinho mais persistente e... Enfim, digamos que eu faço isto POR VOCÊS.
Vamos lá então, Quinta da Fonte. Primeiro, não me interessa quem teve razão, se ciganos ou pretos (ou negros, ou afro-portugueses, ou qualquer que seja o termo politicamente correcto neste momento em vigor). Há sítios onde eles se dão bem, há sítios onde se dão mal. Aquilo é um bairro social. Fiquei espantado por uma situação daquelas ter acontecido lá. Nunca pensei.
A única coisa que posso comentar em concreto sobre este caso, prende-se com as declarações que ouvi duma abécula, ave rara, (etc. ad infinitum) que disse no fórum da TSF que "os ciganos são um povo nómada e nós [sociedade ocidental] tentamos sedentarizá-lo." Na opinião dessa aventesma em vez de casas devíamos dar-lhes antes roullotes.
Porque assim não há perigo de, ao mínimo sinal de merda, zarparem para Espanha.
Obviamente, e isto é o que se deve ter SEMPRE em conta, apesar das escaramuças que se possam ter tido com ciganos ou pretos (ou negros, ou etc.) não se pode rotular tudo. Já tive a experiência de ter sido uma vez confrontado por um cigano que me confundiu com alguém que apareceu na televisão a dizer coisas como "os ciganos deviam ir todos prá terra deles."
Quem já teve confusões com eles, sabe que confusões são motivo para espancamento. Tanto faz ser verdade como mentira. Tentando manter a postura, expliquei-lhe que não podia ser eu e... ele aceitou. Pediu desculpa, disse que tinha sido erro da parte dele e foi à sua vida. Cruzei-me com ele algumas vezes, cumprimentámos-nos com um acenar e seguimos.
Por isso, Quinta da Fonte, Cova da Moura, Chelas, Laranjeiro, Vale da Amoreira, etc., etc., olhem para esses bairros, vejam em que condições algumas (nem todas) dessas pessoas vivem. E mesmo aqueles que têm actividades ilícitas, considerem o que aconteceu para eles enveredarem por essa vida.
E digam se a culpa é mesmo deles ou de quem os pôs lá.

(to be replied)

11/07/08

TERMINUS 60: SUGESTÕES DE LEITURA PARA JULHO


Julho vai quase a meio mas ainda há tempo para muito boa leitura. Aqui ficam algumas sugestões.

1 - O PLANO NACIONAL DE LEITURA PARA ANALFABETOS
- COMO ATINGIR PESSOAS DE CABEÇA PEQUENA COM UMA FISGA
3 - COMO TER GRANDES IDEIAS SEM LER ESTE LIVRO
4 - IMPRESSIONE OS OUTROS SEM DIZER NADA
5 - 1001 MANEIRAS DE USAR UM FURADOR
6 - SAIBA O QUE DIZEM DE SI QUANDO NÃO ESTÁ PRESENTE
7 - COMO ALIMENTAR A SUA MANIA DE PERSEGUIÇÃO
8 - UMA LISTA DE TODAS AS PALAVRAS QUE NÃO DEVE DIZER A UM HOMEM
9 - UMA LISTA DE TODAS AS PALAVRAS QUE NÃO DEVE DIZER A UMA MULHER
10 - MANUAL DE CONSTRUÇÕES COM UNHAS CORTADAS
11 - COMO SER AMIGO DE TODA A GENTE
12 - SUGESTÕES PARA DOBRAGEM DE GUARDANAPOS
13 - DOMINE A INTERNET A PARTIR DO SEU TELEFONE DE CASA
14 - COMO ESCOLHER O SEU PARTIDO POLÍTICO
15 - 100 FRASES DE PESSOAS QUE NINGUÉM CONHECE
16 - APRENDA A NÃO SE RALAR
17 - COMPÊNDIO DE TODAS AS DOENÇAS CONTRAÍDAS POR PESSOAS NASCIDAS NO SÉCULO XX
18 - COMO SUBIR NA VIDA SEM DAR O CÚ E CINCO TOSTÕES
19 - ADOCE A SUA VIDA COM ASPARTAME
20 - 110 RECEITAS À BASE DE PETAZETAS