22/07/08

TERMINUS 61: QUINTA DA FONTE


Após centenas de emails e cartas a pedirem, a exigirem que eu me manifestasse acerca dos acontecimentos que tiveram lugar na Quinta da Fonte, em Loures, eu continuei na minha. Disse-lhes a todos que a minha criatividade não podia ser encomendada. "Eu escrevo sobre o que me apetece," disse-lhes. E mantive-me firme.
Até que uma das leitoras resolveu ser um bocadinho mais persistente e... Enfim, digamos que eu faço isto POR VOCÊS.
Vamos lá então, Quinta da Fonte. Primeiro, não me interessa quem teve razão, se ciganos ou pretos (ou negros, ou afro-portugueses, ou qualquer que seja o termo politicamente correcto neste momento em vigor). Há sítios onde eles se dão bem, há sítios onde se dão mal. Aquilo é um bairro social. Fiquei espantado por uma situação daquelas ter acontecido lá. Nunca pensei.
A única coisa que posso comentar em concreto sobre este caso, prende-se com as declarações que ouvi duma abécula, ave rara, (etc. ad infinitum) que disse no fórum da TSF que "os ciganos são um povo nómada e nós [sociedade ocidental] tentamos sedentarizá-lo." Na opinião dessa aventesma em vez de casas devíamos dar-lhes antes roullotes.
Porque assim não há perigo de, ao mínimo sinal de merda, zarparem para Espanha.
Obviamente, e isto é o que se deve ter SEMPRE em conta, apesar das escaramuças que se possam ter tido com ciganos ou pretos (ou negros, ou etc.) não se pode rotular tudo. Já tive a experiência de ter sido uma vez confrontado por um cigano que me confundiu com alguém que apareceu na televisão a dizer coisas como "os ciganos deviam ir todos prá terra deles."
Quem já teve confusões com eles, sabe que confusões são motivo para espancamento. Tanto faz ser verdade como mentira. Tentando manter a postura, expliquei-lhe que não podia ser eu e... ele aceitou. Pediu desculpa, disse que tinha sido erro da parte dele e foi à sua vida. Cruzei-me com ele algumas vezes, cumprimentámos-nos com um acenar e seguimos.
Por isso, Quinta da Fonte, Cova da Moura, Chelas, Laranjeiro, Vale da Amoreira, etc., etc., olhem para esses bairros, vejam em que condições algumas (nem todas) dessas pessoas vivem. E mesmo aqueles que têm actividades ilícitas, considerem o que aconteceu para eles enveredarem por essa vida.
E digam se a culpa é mesmo deles ou de quem os pôs lá.

(to be replied)

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