05/08/08

TERMINUS 63: SUGESTÕES DE LEITURA PARA AGOSTO

Esperando que as sugestões do mês passado vos tenham proporcionado agradáveis momentos de lazer, aqui ficam as sugestões de leitura para o mês de Agosto.

1 - DICAS DE BELEZA PARA PESSOAS COM VERRUGAS
2 - RITOS DE ACASALAMENTO DOS BEDUÍNOS
3 - CATÁLOGO PRIMAVERA-VERÃO PARA PESSOAS ANTIPÁTICAS
4 - FALSIFIQUE NOTAS COM LENÇOS DE PAPEL
5 - DIGA NÃO A TUDO
6 - LISTA DE NOMES IDIOTAS PARA DAR AO SEU FILHO HERMAFRODITA
7 - DICIONÁRIO DE INSULTOS PARA INDIVÍDUOS DE ORELHAS GRANDES
8 - JOGOS E BRINCADEIRAS EM CAMPOS DE MINAS
9 - O SEU VOTO CONTA
10 - COMO DIZER SEMPRE A FRASE CERTA
11 - 1001 FORMAS DE PEDRA DE CALÇADA
12 - BRICOLAGES DE CASA DE BANHO
13 - ENFEITE A SUA SECRETÁRIA COM FOTOGRAFIAS DOS FILHOS DOS SEUS COLEGAS
14 - A SUA HIGIENE DIÁRIA EM UM MINUTO
15 - ASSUSTE O SEU PARCEIRO COM RESULTADOS DE EXAMES MÉDICOS
16 - TÉCNICAS DE ACASALAMENTO COM ANIMAIS DE PÊLO BRANCO
17 - TRANSFORME OS SEUS RECIBOS VELHOS EM FLORES DE PAPEL
18 - UMA LISTA DE TODAS AS FRASES ESCRITAS EM CASAS DE BANHO PÚBLICAS
19 - UMA LISTA DE TODAS AS PESSOAS PARA QUEM PODE LIGAR ÀS 4 DA MANHÃ
20 - COMO AFUGENTAR TIAS CHATAS

TERMINUS 62: PRIVADAS & PÚBLICAS

Passei por quatro universidades na minha vida – duas públicas e duas privadas –, estudei numa e trabalhei nas outras três. Conheço bem o panorama das universidades públicas e privadas. Ou melhor, conhecia de 1999 até meados de 2006. Depois disso, parti para outra.
Era, por vezes, demais evidente o nível que distinguia os alunos de uma e de outra universidade. A privada com pré-requisitos académicos mais baixos e mensalidades mais altas dava espaço aos meninos e meninas de bem, aos “senhores” e aos “filhos dos senhores”. Na pública, entravam por mérito próprio. Pagavam menos, mas o nível de exigência era diferente. Não sendo isto uma regra de ouro, eram mais as vezes em que acontecia assim do que o contrário.
Não estou, portanto, a ser apologético de uma e crítico de outras, mas era isto que se verificava. A postura dos alunos na pública era mais humilde do que a dos alunos na privada. Eis um exemplo (real, não inventado):
Dois alunos, oriundos da mesma escola, da mesma turma, candidataram-se ao curso de Direito. Um entrou na pública, o outro na privada. Os dois freaks.
No primeiro ano, continuaram como freaks. No segundo ano, o que estava na privada, cortou o cabelo e passou a vestir calça de ganga e camisa. No terceiro ano, andava de fatinho e gravata. O outro continuou como freak até ao final do curso.
Hoje em dia, o freak anda de fato, mas é a profissão que obriga a isso. Exerce advocacia, o outro trabalha num café.
Isto acontecia em Direito, acontecia em Economia, Gestão, Informática, etc. E agora leio no DN que o decréscimo de alunos não tem a ver com a descredibilização das universidades privadas, mas sim com a crescente concorrências das públicas. Em parte, é verdade, mas só em parte.
Tomemos como exemplo alguns dos casos que vieram a público sobre universidades privadas (alguns não passam de rumores, mas mencionemos-los na mesma):
Universidade Independente: suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, falsificação de documentos, etc.
Universidade Moderna: associação criminosa, gestão danosa, apropriação ilícita, corrupção activa e passiva e falsificação de documentos.
Universidade Autónoma: suspeitas de corrupção, exames comprados, etc.
Estes são os casos de que me lembro e que encontrei na net. Que também possam haver casos assim ou piores nas universidades públicas, não me surpreende. Surpreende-me é dizerem que o facto do número de alunos ter diminuído nos últimos dez anos não tem nada a ver com isto.
Este é um Governo de imagem. Tudo é feito à superfície, a porcaria varrida para baixo do tapete. Acho que se fosse um objecto, este Governo seria uma capa para telemóvel. O telemóvel cai ao chão, fica feito em merda por dentro, troca-se a capa e, voilá!, fica como novo.
Algumas coisas terão mudado nestes últimos dois anos em que estive afastado do ambiente universitário. A começar pelo grau de exigência para entrada na pública. O cenário que eu descrevia ao início, muito provavelmente, não ocorre nos dias de hoje.
E isso surpreende alguém?
A mim não.
Fiz o ensino secundário na área de Comunicação. Aprendi as quatro perguntas principais a que um jornalista tem de responder quando escreve uma notícia (QUEM, O QUÊ, ONDE e QUANDO) na minha primeira semana de aulas.
Quando fui trabalhar para a primeira privada, na altura dos exames finais, apanhei um aluno do 4º ano, curso de Ciências da Comunicação, vertente de Jornalismo, a fazer cábulas para o exame final. Só tinha lá uma coisa “QUEM, O QUÊ, ONDE e QUANDO”. Hoje trabalha no 24 Horas. Talvez.
Pagou para entrar, mas era óbvio que não tinha cabeça para aquilo.
Hoje corre-se o risco de este cenário aconteceu em todas as universidades. Alunos mal preparados, que entram porque têm dinheiro para isso, mantêm-se porque têm dinheiro para isso e acabam porque têm dinheiro para isso.
Começa com algo tão simples e bonito como a subida miraculosa dos resultados dos exames de Matemática. Num ano estamos cá em baixo tudo, no ano seguinte ninguém nos agarra. Alunos super inteligentes? Professores super dinâmicos e instrutivos? Não sei. Mas imagino que as capas para telemóveis nos chineses estejam muito baratas.