03/05/09

TERMINUS 71: "SALAZARISTAS TEMEM INFILTRAÇÃO NEONAZI"


Amanhã (ou hoje, mais propriamente, já que estou a escrever isto na madrugada do dia 3) comemoram-se os 120 anos do nascimento de Oliveira Salazar. A iniciativa é organizada pelo Movimento Salazarista e está a gerar a inevitável polémica.
Depois do presidente daquela Junta de Freguesia, lá em Viseu, que não viu qual o problema de inaugurar o Largo Dr. Oliveira Salazar no dia 25 de Abril (e com razão; os americanos inauguraram a Praça Rainha Vitória no dia 4 de Julho e ninguém se queixou), aparecem agora os salazaristas que temem ver a sua festinha inocente e bonita ser infiltrada por gente da extrema-direita (ligada ao PNR) e, pasme-se, por neonazis.
Dos nomes ligados a este evento destacam-se Rui Salazar, sobrinho neto do "Botas", Paulo Rodrigues, ex-secretário pessoal do Oliveira e João Gomes, porta-voz do site "Salazar, o obreiro da Pátria" - acrescente-se que um dos actuais colaboradores de João Gomes é Carlos Paula Pereira, ser (alguém poderá sentir-se ofendido se me referir a ele como pessoa) que fez parte das listas do PNR para as Legislativas de 2005). Perante tudo isto, é natural que os Salazaristas tivessem ficado surpreendidos, quiçá assustados, quando lhes disseram que poderia haver gente da extrema-direita ou neonazis a tentar entrar. Isto porque os acepipes tinham sido encomendados à conta e não iria haver comida que chegasse para todos.
O circo continua.
Em Santa Comba Dão, aconteça o que acontecer, o Salazar há de ser sempre o menino bonito da terra. Aposto que se tivesse nascido ou vivido em Lisboa, não teríamos a Avenida da Liberdade, teríamos a Avenida Salazar.
No já referido site "Salazar, o obreiro da Pátria" está lá uma petição para mudar o nome da Ponte 25 de Abril para Ponte Salazar. De momento "só" têm duas mil assinaturas, faltam outras duas mil para o assunto poder ser levado à Assembleia da Républica. João Gomes (que devia ter um ataque crónico de diarreia e prisão de ventre ao mesmo tempo por ter o mesmo apelido que eu) diz que "Não temos pressa. É escusado apresentar, para já, uma petição destas na AR quando vivemos num regime totalitário." Eu não quero ser má língua e dizer que este João tem os fusíveis trocados. Mas... tem.
Tudo isto prova que gostamos daquilo que é nosso, ao contrário do que dizem, mas só se for mau, estiver morto e/ou fizer sucesso lá fora.
Se o Hitler tivesse passado em Portugal (e provavelmente passou, ainda que não oficialmente) e tivesse sido visto por um miúdo e esse miúdo hoje fosse vivo só que, em vez de miúdo seria um velho com um dente em dois cantos da boca, numa aldeia sem água e luz, mas com Internet, e a TVI ou a SIC ou a RTP descobrissem esse velho e fossem lá falar com ele, para ele lhes dizer como tinha sido ver o Fuhrer ao vivo, havia de aparecer alguém, quase certo, uma semana depois no máximo, a pedir para rebaptizar aquele sítio com o nome do Adolf.
Somos estúpidos a esse ponto.
Em Santa-Clara-a-Velha, a Rua Marechal Carmona parte da Praça Salazar. Em Santa Comba Dão há o tal Largo; em Armamar e Carregal do Sal também há ruas e largos dedicados ao ditador; na aldeia de Castainço, em Penedono, há também uma rua com o nome Oliveira Salazar. Na Madeira não se comemora o 25 de Abril, o que é um sinal de elevada coerência porque não faz sentido assinalar uma data que não lhes diz nada. Seria como os americanos comemorarem o 10 de Junho.
Eu acho que já é tempo de alguém levar por diante a única possível para resolver todos estes problemas.
Na Madeira há muito espaço desabitado. Talvez não muito, mas o suficiente para, digamos, enfiar lá 11 205 pessoas, certo? Mesmo que fiquem um bocadinho encafuadas, com jeitinho cabem lá todas.
Pergunto eu, se os tansos de Armamar, Carregal do Sal, Santa Comba Dão, Santa-Clara-a-Velha e Castainço querem tanto viver num Regime Ditatorial ou, como diz João Gomes, numa sociedade sem partidos e de consenso nacional, porque não mandá-los todos para a Madeira? Mais os Salazaristas, claro.
Eu julgo que esta ideia já terá sido pensada por mais alguém mas, por falta de poder para agir ou porque "parecia mal", ficou tudo em águas de bacalhau.
É tempo de nos deixarmos de mariquices e ajudarmos esta gente que só quer honrar os seus queridos ídolos e mandá-los todos para um sítio onde possam ser felizes.
Ou mandá-los à merda. O que for mais fácil e gratificante.
Por outro lado, e a pensar na falta de espaço, os habitante da Madeira, dissidentes do Regime que lá vigora, poderiam vir para o continente ocupar o lugar dos que tinham ido para o arquipélago. Vistas as coisas, sempre é melhor uma Democracia bipolar do que nenhuma Democracia.
Uma última questão sobre Carlos Paula Pereira: não acham irónico o PNR, conhecido pelas suas orientações xenófobas e homófobas, ter tido nas suas listas um homem com nome de gaja?

25/03/09

TERMINUS 70: JÁ SE PODE GOZAR COM A MADDIE


 pequena correcção, se me permitem, na verdade não é "já se pode gozar com a Maddie" e sim "já se pode gozar acerca da Maddie". Custou mas foi. Eu, posso dizê-lo sem problemas, fui dos poucos que ao longo destes quase dois anos resisti ao máximo por não fazer piadas acerca da menina inglesa desaparecida na praia da Luz.
Por respeito à família (cujo comportamento não foi dos mais exemplares na matéria) e, acima de tudo, à própria Maddie, optei por não gozar com ela ou acerca dela enquanto tal não fosse oficialmente permitido.
E isso finalmente aconteceu.
Da mesma maneira que daqui a algumas semanas irá abrir oficialmente a época balnear, abriu agora a época oficial para se gozar com a Maddie.
Porque é que eu digo isto?
Porque os pais da menina pegaram em dinheiro daquele fundo criado apenas e só para auxiliar na localização dela e espalharam cerca de dez mil fliers mais não sei quantos outdoors por todo o Algarve. Ao ter conhecimento disto, a minha primeira conclusão foi aquela que serviu de base a todo este artigo. Estão a gozar com isto. Os próprios pais estão a gozar com o assunto e se, assim é, qualquer um o pode fazer sem medo de represálias.
A segunda opção, há que considerá-la apesar de pouco provável, é a de haver alguém em Faro que não tenha ouvido falar da Maddie, que nunca tenha visto uma fotografia dela. (Não fosse alguém achar que a Maddie era marroquina ou etíope; o nome pode induzir em erro).
Tenho que admitir que em tempos considerei esta hipótese. Maddie, farta de uma vida confortável, foge do apartamento na praia da Luz, vai a pé até uma daquelas aldeias do interior onde só moram três pessoas mais as cabras, onde não há electricidade, telefones, televisão (mas há um Magalhães pastor) e passa a morar aí, fazendo vida da pastorícia.
Daqui a três anos seria tema de reportagem na TVI: "Menina inglesa desaparecida há cinco anos descoberta em aldeia nos arredores de Faro. É agora pastora de cabras e gostaria de ter um telemóvel de terceira geração para falar com os amigos no hi5 e no Facebook."
Duvido que isso venha a acontecer. Mas se os pais acham que é possível encontrá-la ao fim de dois anos no local onde inicialmente desapareceu, pronto. Procurem-na lá. Eu acho, mas isto sou só eu a dizer, que a Maddie não é uma caneta. Uma caneta é que nós perdemos, corremos a casa toda à procura e ao fim de dois, três anos, quando já não andamos à procura dela, encontramo-la. "Eh pá! Passei não sei quanto tempo à procura desta caneta e agora encontro-a assim sem mais nem menos! Maravilha!" Com a Maddie não pode ser assim. Provavelmente.
Ou se calhar até pode. Ainda ninguém pensou nesta hipótese. E se a Maddie estiver a teimar? Enquanto não a "deslargarem" ela não volta para casa. Afinal de contas, a Maddie é uma criança e se há coisa que algumas crianças têm, é teimosia. A Maddie não será excepção.

21/03/09

TERMINUS 69: INTEGRAÇÃO? EVENTUALMENTE HÁ-DE SER


Tenho-me mantido afastado do blogue por várias razões, sendo a mais premente e honesta a preguiça. Não tem existido falta de assuntos para comentar – estamos em Portugal – mas certos eventos não podem passar despercebidos e este é um daqueles obrigatórios.
Em Barcelos, terra dos galos e de outras coisas, na Escola Básica de Lagoa Negra em Barqueiros, construíram um monobloco onde só têm aulas alunos de etnia cigana.
A informação é esta. Sem quaisquer comentários adjacentes. Só que há sempre opiniões, contra ou a favor. É como o copo; uns vêem-no meio cheio, outros meio vazio. Eu prefiro vê-lo como demasiado pequeno.
A medida visa ajudar a integrar as crianças da etnia cigana junto das outras crianças. Trata-se de um “projecto que é, a todos os níveis, excepcional”, palavras de Margarida Moreira, directora da D.R.E.N. Esta é a mesma Margarida Moreira que pôs um processo ao Professor Fernando Charrua por este ter contado uma piada sobre o Primeiro-Ministro José Sócrates; portanto, podemos estar descansados que isto não é uma coisa feita em cima do joelho por mero capricho de poder.
Até porque, é preciso admitir isto, isolar um grupo é, sem dúvida, a melhor maneira de o integrar no resto da sociedade. É para isso que servem os bairros sociais.
Quase que arriscaria dizer que era esse o grande objectivo de Hitler com os campos de concentração, a integração. Infelizmente para o Adolf, não tinha uma Margarida Moreira à frente do projecto.
Apesar das minhas palavras tenho que admitir que não sei o que se passa. O que sei é o que me chega através da comunicação social e, mesmo a fazer fé na sua imparcialidade, esta está sempre sujeita a padrões editoriais que diferem de jornal para jornal, de estação para estação.
Se um caso semelhante, idêntico ou pior, tivesse acontecido no Sul de Portugal, com um Governo de direita (outro que não este PS), as vozes que hoje aprovam seriam as vozes que então criticariam e apontariam o dedo. É por isso que, antes de começarmos a criticar a medida e a chamá-la de xenófoba, que devemos pensar o que aconteceria se as circunstâncias fossem outras.
Pessoalmente não concordo com ela. Seja em que zona for, seja por quem for. Sejam por motivos étnicos, maior ou menor dificuldade de aprendizagem, ou outros. Admito que há casos pontuais que podem necessitar de um abordagem diferente, mas nunca se deve tomar o todo pela parte.
Em tudo na vida há excepções e se naquela turma de crianças ciganas há aquelas para quem esta medida é benéfica, outras há que se sentem discriminadas e postas de parte.
O grande problema, tanto nesta como em tantas outras situações, continua a ser o de se fazer as coisas sem as explicar. A intenção até pode ser boa, estar bem estruturada, mas se não existir diálogo com os visados estes nunca entenderão o que se pretende.
Em Ditadura decide-se e faz-se e ponto. Em Democracia é diferente, deveria ser diferente. É por isso que, em jeito de conclusão, quando penso naquelas crianças ciganas a terem aulas naquele monobloco, isoladas dos outros alunos, excepto nos intervalos, penso em como isso é parecido com Portugal na Europa. De vez em quando brincamos com eles mas, na maior parte do tempo, estamos no nosso pequeno mundo. Bem integrados.