25/03/09

TERMINUS 70: JÁ SE PODE GOZAR COM A MADDIE


 pequena correcção, se me permitem, na verdade não é "já se pode gozar com a Maddie" e sim "já se pode gozar acerca da Maddie". Custou mas foi. Eu, posso dizê-lo sem problemas, fui dos poucos que ao longo destes quase dois anos resisti ao máximo por não fazer piadas acerca da menina inglesa desaparecida na praia da Luz.
Por respeito à família (cujo comportamento não foi dos mais exemplares na matéria) e, acima de tudo, à própria Maddie, optei por não gozar com ela ou acerca dela enquanto tal não fosse oficialmente permitido.
E isso finalmente aconteceu.
Da mesma maneira que daqui a algumas semanas irá abrir oficialmente a época balnear, abriu agora a época oficial para se gozar com a Maddie.
Porque é que eu digo isto?
Porque os pais da menina pegaram em dinheiro daquele fundo criado apenas e só para auxiliar na localização dela e espalharam cerca de dez mil fliers mais não sei quantos outdoors por todo o Algarve. Ao ter conhecimento disto, a minha primeira conclusão foi aquela que serviu de base a todo este artigo. Estão a gozar com isto. Os próprios pais estão a gozar com o assunto e se, assim é, qualquer um o pode fazer sem medo de represálias.
A segunda opção, há que considerá-la apesar de pouco provável, é a de haver alguém em Faro que não tenha ouvido falar da Maddie, que nunca tenha visto uma fotografia dela. (Não fosse alguém achar que a Maddie era marroquina ou etíope; o nome pode induzir em erro).
Tenho que admitir que em tempos considerei esta hipótese. Maddie, farta de uma vida confortável, foge do apartamento na praia da Luz, vai a pé até uma daquelas aldeias do interior onde só moram três pessoas mais as cabras, onde não há electricidade, telefones, televisão (mas há um Magalhães pastor) e passa a morar aí, fazendo vida da pastorícia.
Daqui a três anos seria tema de reportagem na TVI: "Menina inglesa desaparecida há cinco anos descoberta em aldeia nos arredores de Faro. É agora pastora de cabras e gostaria de ter um telemóvel de terceira geração para falar com os amigos no hi5 e no Facebook."
Duvido que isso venha a acontecer. Mas se os pais acham que é possível encontrá-la ao fim de dois anos no local onde inicialmente desapareceu, pronto. Procurem-na lá. Eu acho, mas isto sou só eu a dizer, que a Maddie não é uma caneta. Uma caneta é que nós perdemos, corremos a casa toda à procura e ao fim de dois, três anos, quando já não andamos à procura dela, encontramo-la. "Eh pá! Passei não sei quanto tempo à procura desta caneta e agora encontro-a assim sem mais nem menos! Maravilha!" Com a Maddie não pode ser assim. Provavelmente.
Ou se calhar até pode. Ainda ninguém pensou nesta hipótese. E se a Maddie estiver a teimar? Enquanto não a "deslargarem" ela não volta para casa. Afinal de contas, a Maddie é uma criança e se há coisa que algumas crianças têm, é teimosia. A Maddie não será excepção.

21/03/09

TERMINUS 69: INTEGRAÇÃO? EVENTUALMENTE HÁ-DE SER


Tenho-me mantido afastado do blogue por várias razões, sendo a mais premente e honesta a preguiça. Não tem existido falta de assuntos para comentar – estamos em Portugal – mas certos eventos não podem passar despercebidos e este é um daqueles obrigatórios.
Em Barcelos, terra dos galos e de outras coisas, na Escola Básica de Lagoa Negra em Barqueiros, construíram um monobloco onde só têm aulas alunos de etnia cigana.
A informação é esta. Sem quaisquer comentários adjacentes. Só que há sempre opiniões, contra ou a favor. É como o copo; uns vêem-no meio cheio, outros meio vazio. Eu prefiro vê-lo como demasiado pequeno.
A medida visa ajudar a integrar as crianças da etnia cigana junto das outras crianças. Trata-se de um “projecto que é, a todos os níveis, excepcional”, palavras de Margarida Moreira, directora da D.R.E.N. Esta é a mesma Margarida Moreira que pôs um processo ao Professor Fernando Charrua por este ter contado uma piada sobre o Primeiro-Ministro José Sócrates; portanto, podemos estar descansados que isto não é uma coisa feita em cima do joelho por mero capricho de poder.
Até porque, é preciso admitir isto, isolar um grupo é, sem dúvida, a melhor maneira de o integrar no resto da sociedade. É para isso que servem os bairros sociais.
Quase que arriscaria dizer que era esse o grande objectivo de Hitler com os campos de concentração, a integração. Infelizmente para o Adolf, não tinha uma Margarida Moreira à frente do projecto.
Apesar das minhas palavras tenho que admitir que não sei o que se passa. O que sei é o que me chega através da comunicação social e, mesmo a fazer fé na sua imparcialidade, esta está sempre sujeita a padrões editoriais que diferem de jornal para jornal, de estação para estação.
Se um caso semelhante, idêntico ou pior, tivesse acontecido no Sul de Portugal, com um Governo de direita (outro que não este PS), as vozes que hoje aprovam seriam as vozes que então criticariam e apontariam o dedo. É por isso que, antes de começarmos a criticar a medida e a chamá-la de xenófoba, que devemos pensar o que aconteceria se as circunstâncias fossem outras.
Pessoalmente não concordo com ela. Seja em que zona for, seja por quem for. Sejam por motivos étnicos, maior ou menor dificuldade de aprendizagem, ou outros. Admito que há casos pontuais que podem necessitar de um abordagem diferente, mas nunca se deve tomar o todo pela parte.
Em tudo na vida há excepções e se naquela turma de crianças ciganas há aquelas para quem esta medida é benéfica, outras há que se sentem discriminadas e postas de parte.
O grande problema, tanto nesta como em tantas outras situações, continua a ser o de se fazer as coisas sem as explicar. A intenção até pode ser boa, estar bem estruturada, mas se não existir diálogo com os visados estes nunca entenderão o que se pretende.
Em Ditadura decide-se e faz-se e ponto. Em Democracia é diferente, deveria ser diferente. É por isso que, em jeito de conclusão, quando penso naquelas crianças ciganas a terem aulas naquele monobloco, isoladas dos outros alunos, excepto nos intervalos, penso em como isso é parecido com Portugal na Europa. De vez em quando brincamos com eles mas, na maior parte do tempo, estamos no nosso pequeno mundo. Bem integrados.