21/03/09

TERMINUS 69: INTEGRAÇÃO? EVENTUALMENTE HÁ-DE SER


Tenho-me mantido afastado do blogue por várias razões, sendo a mais premente e honesta a preguiça. Não tem existido falta de assuntos para comentar – estamos em Portugal – mas certos eventos não podem passar despercebidos e este é um daqueles obrigatórios.
Em Barcelos, terra dos galos e de outras coisas, na Escola Básica de Lagoa Negra em Barqueiros, construíram um monobloco onde só têm aulas alunos de etnia cigana.
A informação é esta. Sem quaisquer comentários adjacentes. Só que há sempre opiniões, contra ou a favor. É como o copo; uns vêem-no meio cheio, outros meio vazio. Eu prefiro vê-lo como demasiado pequeno.
A medida visa ajudar a integrar as crianças da etnia cigana junto das outras crianças. Trata-se de um “projecto que é, a todos os níveis, excepcional”, palavras de Margarida Moreira, directora da D.R.E.N. Esta é a mesma Margarida Moreira que pôs um processo ao Professor Fernando Charrua por este ter contado uma piada sobre o Primeiro-Ministro José Sócrates; portanto, podemos estar descansados que isto não é uma coisa feita em cima do joelho por mero capricho de poder.
Até porque, é preciso admitir isto, isolar um grupo é, sem dúvida, a melhor maneira de o integrar no resto da sociedade. É para isso que servem os bairros sociais.
Quase que arriscaria dizer que era esse o grande objectivo de Hitler com os campos de concentração, a integração. Infelizmente para o Adolf, não tinha uma Margarida Moreira à frente do projecto.
Apesar das minhas palavras tenho que admitir que não sei o que se passa. O que sei é o que me chega através da comunicação social e, mesmo a fazer fé na sua imparcialidade, esta está sempre sujeita a padrões editoriais que diferem de jornal para jornal, de estação para estação.
Se um caso semelhante, idêntico ou pior, tivesse acontecido no Sul de Portugal, com um Governo de direita (outro que não este PS), as vozes que hoje aprovam seriam as vozes que então criticariam e apontariam o dedo. É por isso que, antes de começarmos a criticar a medida e a chamá-la de xenófoba, que devemos pensar o que aconteceria se as circunstâncias fossem outras.
Pessoalmente não concordo com ela. Seja em que zona for, seja por quem for. Sejam por motivos étnicos, maior ou menor dificuldade de aprendizagem, ou outros. Admito que há casos pontuais que podem necessitar de um abordagem diferente, mas nunca se deve tomar o todo pela parte.
Em tudo na vida há excepções e se naquela turma de crianças ciganas há aquelas para quem esta medida é benéfica, outras há que se sentem discriminadas e postas de parte.
O grande problema, tanto nesta como em tantas outras situações, continua a ser o de se fazer as coisas sem as explicar. A intenção até pode ser boa, estar bem estruturada, mas se não existir diálogo com os visados estes nunca entenderão o que se pretende.
Em Ditadura decide-se e faz-se e ponto. Em Democracia é diferente, deveria ser diferente. É por isso que, em jeito de conclusão, quando penso naquelas crianças ciganas a terem aulas naquele monobloco, isoladas dos outros alunos, excepto nos intervalos, penso em como isso é parecido com Portugal na Europa. De vez em quando brincamos com eles mas, na maior parte do tempo, estamos no nosso pequeno mundo. Bem integrados. 

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