22/04/10

TERMINUS 78: INESITA, EU PERDOO-TE


O assunto das viagens da deputada socialista Inês de Medeiros já decorria há algum tempo, mas só há poucos dias é que foi resolvido. As vozes da discórdia insurgiram-se logo contra a decisão de ser o Parlamento a assumir o pagamento das deslocações entre Paris e Lisboa feitas pela deputada.
E sem razão.
Jaime Gama, na sua elevada sapiência, que este é um assunto que está fora das preocupações do País. "Numa escala de zero a cem das preocupações do país, esse assunto deve vir em 300", disse o próprio, quando confrontado com o caso.
Mais de 6000 (seis mil) euros por mês para a menina andar a passear sempre em primeira classe é, de facto, um assunto que não preocupa a maioria dos portugueses. A maioria dos portugueses está preocupada com outras coisas. Tais como, trabalho e comida.
Mas eu entendo a Inês. Eu já fui como ela. Não no sentido de ter sido gaja ou assim, mas vivi uma situação quase parecida.
Aqui há uns anos andei a estudar em Tomar e era a Instituição (Estado) que pagava as minhas deslocações e o meu alojamento. Habituado que estava viajar no Inter-Regional, também eu sonhava em ser deputado (por qualquer Partido) e viajar por esse mundo em primeira classe.
Lembro-me dos meus primeiros tempos como trabalhador. A ganhar pouco e a ter de pagar do meu bolso para viajar, não em primeira, mas no primeiro barco para Lisboa. Ahh! Que saudades! Acordar cedo, viajar ao lado de pessoas suadas sem dinheiro para sabonete. Tudo isto numa altura em que era permitido fumar em espaços públicos.
A Inês se calhar passou por isto. Acredito que todos os deputados que agora ganham BEM e, além do que ganham ainda têm "despesas de representação", passaram por isto. Só pode.
A propósito, o que é isso de "despesas de representação"? Já ouvi chamarem artistas às pessoas que trabalham na Assembleia. Será que não ficaria mais em conta contratarmos uma companhia de teatro profissional? Podiam ir às terrinhas fazer plenários e dizerem coisas como "manso é a tua tia, pá!" Desde que, obviamente, nenhum dos artistas morasse em Paris.

19/04/10

TERMINUS 77: O 1%


Aqui há dias cometi um erro.
Eu sei que esta informação acabou de deixar muita gente em estado de choque. Muitos, provavelmente, para não dizer certamente, jamais consideraram que eu fosse capaz disso. Não de cometer um erro, já que isso eu faço com abundante frequência (e gosto), mas de o assumir.
O que se passou? Portanto, eu li uma notícia, tirei as minhas "conclusões" e publiquei uma mensagem no meu Facebook que dizia o seguinte:

O Bono comprou 1% disto por 67 milhões de euros. No Ano Internacional de combate à pobreza, é bom saber que ainda há pessoas que não gastam dinheiro em merdinhas.

A ideia era, sempre que alguém clicasse num link no Facebook, escutasse um sample duma música dos U2. De preferência sempre a mesma (porque toda a gente sabe que não cansa ouvir dezenas ou centenas de vezes a mesma coisa; quando os pais nos davam sermões... ui! adorávamos aquilo!).
Considerei um caso sério de hipocrisia, alguém que tanto dizia "Os países ricos têm de ajudar os pobrezinhos." (tipo Luciana Abreu, mas sem sotaque). E depois gasta 67 milhões de euros em 1% duma rede social? Aquele 1% é o quê? Os contactos dele? As fotos da namorada? Se dividirmos o ecrã em 100 quadradinhos há um deles que é do Bono?
Já se sabe que, nisto dos dinheiros, nós cá ganhamos sempre mal (tirando o António, claro) e que lá fora as coisas são sempre caras. Se calhar na Irlanda, 67 milhões de euros é o que se gasta por semana em cerveja e whisky.
Por causa disto, eu falei mal do Bono. Só que, e foi aqui que eu detectei pela primeira vez que poderia estar a ser injusto para com o mocito, o cheque que ele passou não foi de 67 milhões, mas sim de 67 milhões e um euro. "Para os senhores do Facebook ajudarem os pobres."
Eu percebi que tinha cometido um erro quando descobri que 0,000001% do Facebook contém 30% do VDR (Valor Diário de Referência para Adultos). A cada 100 pixéis correspondem 372kcal em valor energético, 8,8 g de proteínas, 3,7 g de fibras alimentares e 60 g de hidratos de carbono. Isto tudo a dividir por não sei quantos milhões de pessoas, era um petisco.
É mentira. Não aconteceu nada disto. Ele gastou 67 milhões de euros em 1% duma rede social. Não me perguntem porquê. Eu quando era pequeno e me davam dinheiro, diziam sempre "Não o gastes mal gasto." O meu azar era na altura não haver redes sociais. O máximo que se podia fazer era termos um grupo que conversava por correspondência e eu comprar um por cento de cada selo. O que seria estúpido.

07/04/10

TERMINUS 76: O PANDA


Este não era o primeiro (nem tão pouco o segundo ou terceiro) assunto que eu queria abordar hoje. Porém, após ser obrigado a ver o vídeo cada vez que lia uma mensagem, teve de ser.
Esta mensagem é dedicada a quem usa o Hotmail (e aos que não usam também):
Enquanto vê este panda a espirrar...

                                                      

Internet Explorer 8 bloqueou 1.000 ataques à sua privacidade em todo o Mundo.E depois? Três pontos pelos quais, isso não me interessa para nada.
  1. Se a alternativa a não ter mil ataques à minha privacidade em todo o Mundo é gramar este vídeo ad infinitum, por favor, invadam a minha privacidade.
  2. Não será em todo o Mundo, mas sim de todo o Mundo. Para ser em todo Mundo, eu teria de estar em todo o Mundo e não estou. Estou apenas aqui.
  3. E mais importante: eu uso o Firefox!
Mais artigos ainda hoje.

05/04/10

TERMINUS 75: COISAS QUE DESCOBRI HOJE E QUE PODEM OU NÃO ESTAR RELACIONADAS

  • António Mexia, presidente executivo da EDP, recebeu em 2009 cerca de 3,1 milhões de euros
  • Uma (semi) autobiografia póstuma do comediante George Carlin foi posta à venda
  • Vai haver uma segunda temporada da série 'White Collar' (a passar na Fox sob o título 'Apanha-me Se Puderes')
  • Vai haver uma quarta temporada da série 'Burn Notice' (a passar na Fox sob o título 'Espião Fora de Jogo)
  • Estas duas séries poderão ter o chamado crossover (não confundir com crossdreassing)
  • O lógotipo da EDP aparenta ter um sorriso meio trocista
  • É fácil ser guionista, mas é difícil viver disso. E não é só cá em Portugal
Hoje não tive tempo para ler jornais ou ver televisão; nem sequer ouvi rádio. Foi um dia longo. Amanhã volto mais fresco. E mais impertinente.

04/04/10

TERMINUS 74: OS "MURMURINHOS" DO MOMENTO


Perante a polémica recente em torno dos casos de pedofilia que fervilham na praça pública - alguns recentes, outros rebuscados no passado, mas sempre em quantidade generosa - certa figura da Igreja Católica (as minhas desculpas por não conseguir citar a fonte exacta) considerou isto como "o murmurinho do momento".
Quando se começou a falar do Caso Freepor(t), da licenciatura em Engenharia na Universidade Independente, do Caso Face Oculta, etc., qual foi o termo que o Primeiro-Ministro utilizou para se referir a estes casos?
Cabala.
Ora, eu comprei um dicionário de 18 volumes, não para encher a estante, mas para o consultar sempre que necessário. E assim sendo:
cabala (...) 3 (1525) exegese, interpretação ou método interpretativo das escrituras bíblicas (Antigo Testamento), ger. com base em alegorias e outras operações e recursos simbólicos, envolvendo esp. anagramas, transposições de letras, etc., atribuição de valores numéricos às letras do alfabeto hebraico e de significado aos números, e que é característico da cabala (acp. 1) judaica 6 1989) fig. elucubração ou cálculo feito em segredo, esp. negócio ou combinação secreta, entre indivíduos ou grupos que têm um objectivo comum; intriga, conluio, maquinação 6.1 acção combinada, ou outra manobra ou arranjo pelo qual, nos círculos editoriais ou teatrais, se consegue determinar o sucesso ou fracasso imerecido de alguma obra ou de algum artista(...)
Não transcrevi todas as definições existentes do termo, escolhi apenas aquelas que se relacionam com o assunto em questão. E, embora cabala não seja, propriamente, um sinónimo de murmurinho, anda lá perto. Quer isto dizer que, na opinião do tal senhor, quando alguém chama a atenção para um caso de pedofilia cometido por uma figura da Igreja, não está a atentar contra a instituição, e sim contra a sua figura máxima.
"Este é um ataque à minha pessoa!"
Quem foi que disse isso? Antigamente era fácil de dizer, agora já não se percebe.
Houve também quem afirmasse, e depois pedisse desculpa por isso, que a polémica em torno da pedofilia é a mesma coisa que os movimentos anti-semitas que houve em tempos. E eu concordo com isso. Concordo com o pedido de desculpa porque, de facto, não são. Na verdade, não há rigorosamente nada que ligue estas duas situações.
Uma é algo cometido por um nicho de renegados que envergonha a Igreja e os seus representantes; uma mancha na instituição que a Igreja procura limpar, não pela via do esquecimento e do suborno, mas da redenção. A outra é algo a que alguns membros da Igreja se dedicam e até parece mal mas, enfim, quando não há nada para fazer, é o que se tem.
O difícil é saber qual é qual.
Um assunto ao qual irei voltar com mais detalhe.

03/04/10

TERMINUS 73: MAIS OU MENOS AINDA A PROPÓSITO DO MEU REGRESSO


Durante o dia de ontem, após ter publicado a mensagem anterior, dei por mim a pensar: 'Porque razão é que alguém iria perder tempo a visitar isto e, mais, a ler o que eu aqui escrevi?'
A pergunta não é retórica, não é irrelevante, é concreta. Se fosse para escrever apenas por escrever, apenas para meu contentamento, bastar-me-ia abrir um documento de texto ou usar um caderno e guardar tudo bem guardadinho. Todavia, não é disso que se trata. Se me dou ao trabalho de estar a escrever aqui, se me disponibilizo a partilhar com vocês as palavras com vocês, é porque intento ter o vosso feedback.
Para isso, voltando ao pergunta de partida, porque razão é que vocês viriam aqui? A fidelização não se compra (quer dizer, se eu vos pagasse, vocês até vinham aqui e se vos pagasse bem, vocês até liam, mas isso não vai acontecer), porém, ela pode ser obtida e mantida.
Para isso é preciso, antes de eu honrar os compromissos perante os leitores, honrar os compromissos perante mim mesmo e tratar isto de forma séria. Escrever pontualmente, regularmente, e não apenas quando me apetece ou quando há assunto pertinente a tratar.
Nos últimos meses, no último ano, melhor dizendo, a minha vida passou por grandes mudanças. Algumas menos boas (não chegaram a ser más), outras muito boas. As minhas prioridades mudaram, a minha percepção do mundo mudou e talvez seja por isso que regressei aqui.
Por esta altura, alguns estarão a pensar 'É agora que vem a parte do «Quando descobri Jesus...»' Calma! Eu não descobri Jesus (durante a minha infância acreditava que ele estava enterrado na minha cave), nem Alá, nem Shiva, nem nada. Na passada sexta-feira passei nos Restauradores, naquele centro comercial que tem uma igreja maná (ou lá o que é), mas foi para ir à loja de revistas que fica à entrada. [Boa loja de revistas! Recomendo a quem não conhece.]
Continuo a ser o mesmo Joel que diz alarvidades sem pensar, o mesmo que se comporta de forma bizarra em público para envergonhar quem está à sua volta. Eu não mudei e o mundo à minha volta também não. O que mudou foi a forma como olho para algumas coisas.
Não se enganem. Ainda sou capaz de escrever o tipo de piada que vos faz rir inesperadamente e salpicar o ecrã com a vossa saliva.
Fiquem descansados que isso não acontecerá hoje.

02/04/10

TERMINUS 72: O REGRESSO INESPERADO


Há muito tempo que não postava nada aqui. Tanto assim era que estava quase a atingir a situação em que os comentários promovendo vários produtos (penis enlargement, os melhores seguros, como ver pornografia sem pagar, os melhores comprimidos para tudo e mais alguma coisa) ameaçavam ser mais numerosos do que os próprios artigos.
Deparado com este problema, e era um problema, eu pensei para comigo, "Já vai sendo tempo de escreveres qualquer coisa." Convém dizer que, além do seu número ameaçador, a malta que me enviava esses comentários [todos removidos; tivessem visto quando eles lá estavam que ainda foi bastante tempo] dava-se ao trabalho de pôr pontuação e acentuar (os portugueses pelo menos) aquilo. Se até a malta do SPAM consegue ser rigorosa e assídua, era mesmo obrigatório que eu também o fosse.
A oportunidade, ou o chamamento, surgiu há poucos dias quando li no jornal que o Ricky Martin anunciou a sua homossexualidade. Calha bem porque eu precisava de um motivo suficientemente forte para me fazer levantar o rabo da cadeira e começar a trabalhar num artigo.
(Na verdade, para escrever isto, fui obrigado a sentar o rabo na cadeira, mas vocês percebem o que eu digo. Haja alguém que perceba!)
Vamos lá ao Ricky. (Salvo seja!)
O Ricky saiu do armário. Huuu! Totalmente inesperado! Isso não é notícia nem na Cochichina (apareceu-me o sublinhado debaixo da palavra Cochichina, mas não me apetece ver agora como é que se escreve) nem em qualquer outro sítio.
Também não é notícia para aqui. O que é que me deu? Com tanta coisa boa que há a acontecer no país, no mundo, eu fui pegar numa notícia sem qualquer relevância e destaquei-a, levando vocês a, por momentos, não pensarem em outros assuntos mais importantes e urgentes.
A Ministra da Cultura (Maria Canivetes ou Cacilhas ou lá como chamam à senhora) vai em breve apresentar as propostas portuguesas (ou já apresentou) para combater a violação dos direitos de autor e aqui estou a fazer o papel do Governo a atirar fumo para os vossos olhos.
Um pequeno aparte em relação às propostas portuguesas: se forem todas tão boas como aquele filmezito que temos de gramar sempre que COMPRAMOS UM DVD ORIGINAL, os autores bem se podem preparar para continuar a ser violados.
Para terminar deixo-vos uma pequena lista de livros que vos manterão entretidos até ao meu próximo regresso:
  • OS MELHORES SPOTS PARA SNIPPERS EM FÁTIMA
  • PROFESSOR MARCELO CRITICA LIVROS: OS MELHORES MOMENTOS
  • COMO ELABORAR UM ORÇAMENTO DE ESTADO PARA TOTÓS
  • O FREDERICO FOI À SEGURANÇA SOCIAL
  • AS MINHAS VIZINHAS NÃO SÃO NADA CUSCAS
  • COMO SE APROVEITAR DE CATÁSTROFES NATURAIS
  • PDM: CONVÉM REVER DEPOIS DE ACONTECER ALGUMA COISA TIPO DERROCADAS OU ASSIM
  • AUMENTE O SEU BASTÃO EM 10 DIAS!
Por agora chega. Volto para a semana ou antes disso.