18/05/10

TERMINUS 79: CINEMA PONTO PÊTÊ


São poucos os filmes portugueses que me conseguem levar ao cinema. A falta de originalidade, a previsibilidade, a teatralidade, etc. são alguns dos ponto mais apontados. Os últimos três que vi no cinema fugiram um pouco a este espectro. Embora não fossem perfeitos, não foram enfadonhos. Os diálogos não eram maus, o ritmo não era estanque. Não eram totalmente originais; em certos aspectos, eram algo previsíveis mas, se formos por aí, há muito filme americano com essas mesmas características e não é por isso que os deixamos de ver.
O problema, na minha opinião, é o cunho excessivamente artístico que alguns realizadores tentam dar às suas obras. Não tenho nada contra isso. Antes pelo contrário. Como escritor e guionista, defendo que a primeira pessoa a quem se deve agradar é ao próprio. Contudo, quando a produção do filme parte do bolso dos contribuintes, como acontece na maioria dos casos, creio que a postura deve ser diferente.
Durante anos assistiu-se a um desbaratar de dinheiro a fundo perdido para fazer filmes que eram muito bonitos, muito giros. Lá fora. Nos Festivais Internacionais, em que a coisa funciona muito à base de amizade, fartavam-se de ganhar prémios. Cá havia salas às moscas.
As alterações ao financiamento de cinema em Portugal feitas em 2007 tentaram acabar com esse cenário, introduzindo entidades privadas no grupo de investidores. Como é hábito nosso, o Estado Português foi o primeiro a faltar ao compromisso.
Esta intromissão de investidores privados suscitou reacções de medo e indignação por parte de quem estava habituado a não ter de justificar o dinheiro que recebia. Temia-se que a filmografia portuguesa resvalasse da utopia artística para as histórias de tiros e maminhas. Em vários casos, o temor foi justificado.
Em Portugal há bons profissionais. Há bons guionistas com histórias para contar. Não estamos fechados ao mundo, assim como o mundo não está fechado a nós. Ser-se artístico ou ser-se comercial é uma visão maniqueísta que ainda prevalece. Citando um amigo meu, "O cinema é um negócio em que por vezes se produzem obras de arte." Não podia estar mais certo.

Sem comentários: