24/05/10

TERMINUS 83: UMA PEQUENA AJUDA AO PLANETA


Por ser um apreciador de cinema, faço por estar atento aos avanços da tecnologia que vão surgindo para tornar a experiência de ver um filme algo cada vez mais especial. Ainda não era vivo quando inventaram o cinema sonoro ou o cinema a cores, mas já estava cá quando apareceram os formatos de alta definição e, mais recentemente, o cinema 3D.
Antes de Avatar estrear nas salas já a expectativa em relação a este filme era grande. Para outras pessoas, o seu período de incerteza e de espera angustiante iniciou há poucos dias quando foi anunciado que a indústria de cinema para adultos – um nome mais meiguinho para cinema porno – vai também começar a produzir filmes em 3D.
Esta nova invenção foi apresentada na mais recente edição do Festival de Cinema de Cannes pelo produtor Marc Dorcel. Durante dois minutos os espectadores daquele Festival de Cinema, dos mais reputados do mundo da sétima arte, puderam apreciar um pequeno espectáculo de striptease a três dimensões. Dois minutos não parecem muito. Só que, aos dois minutos de striptease, têm de se lhe juntar os outros quinze ou vinte que vêm a seguir.
É urgente que se faça um estudo cuidado sobre os perigos da exposição prolongada ao 3D. Eu lembro-me quando apareceram os primeiros canais de regabofe codificados. A quantidade de pessoas que foram parar ao hospital com um deslocamento de retina foi abismal. Com o número de hospitais no nosso país a diminuir de dia para dia, teme-se que não hajam meios para auxiliar a tanta gente. Vai ser uma pandemia e desta vez não vai haver vacina que a cure.
Algumas pessoas cresceram com a ideia de que certas actividades de lazer podem provocar cegueira. Eu cresci com a ideia que muito dessa actividade faz músculo. Ninguém sabe o que a exposição prolongada à terceira dimensão pode causar. Eu fiz maratonas a ver a Quinta Dimensão, ainda com o Rod Serling, e não me aconteceu nada. Só que a Quinta Dimensão era a duas dimensões, a preto e branco e sem imagem aos saltinhos.
Sabe-se que aqueles óculos que uma pessoa tem de usar para ver um filme a três dimensões, reduzem muito as poucas chances que alguns homens têm de conseguir qualquer coisa com uma mulher. No caso do Avatar, mesmo que o filme fosse a duas dimensões, não me surpreenderia encontrar a sala cheia de pessoas com óculos. No caso dum filme porno, também não me surpreenderia encontrar essas mesmas pessoas na sala. Agora vai ser a vez do 3D e quer me parecer que vai ser pior. Ainda por cima dizem que, num futuro próximo, o espectador poderá escolher o local e a actriz para uma cena ao seu gosto.
Fala-se muito da escassez de recursos e do excesso de população no planeta. Ao nosso planeta já só restam mais meia dúzia de milhões de anos (dois anos e picos para alguns). Se nada melhor surgir entretanto, a pornografia a três dimensões tem o potencial de reduzir a taxa de natalidade mundial. Vai estar tudo ocupado a experimentar o brinquedo e ninguém vai ter tempo para o produto a sério.

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