27/05/10

TERMINUS 86: A PLATAFORMA CONTINENTAL E OS RECIBOS VERDES


Cá está! Andamos nós a falar mal deste Governo e do outro antes (que só por acaso era o mesmo) e do outro antes desse (que não era o mesmo mas, se formos a ver bem, não se nota assim tanto a diferença) e cá está uma informação que diz muito daquilo que o Governo anda a fazer por nós. Qualquer outro Estado preocupar-se-ia em resolver os problemas do país. Este preocupa-se em arranjar mais país.
Mas que levanta algumas dúvidas. Para que querem um terreno maior se não conseguem dar conta das ervas daninhas neste quintalinho? Há também aquela questão, um pouco pertinente, desse prolongamento de terreno estar situado debaixo de água. Notem: eu não estou contra a medida; apenas tento percebê-la. Agradeço o gesto e espero que a proposta seja aceite. Sempre é mais um bocadinho que podemos nadar.
É verdade que um prolongamento no sentido oposto, em direcção a Espanha, traria mais benefícios mas isso seria um erro. Não apenas um erro, seria também uma violação de algumas leis internacionais às quais Portugal aderiu. Deve ter aderido. Provavelmente. (Espero não estar a colocar o meu país numa situação complicada ao dizer isto.) Além disso, não temos necessidade de incorrer nessa medida, uma vez que os recursos naturais a que Portugal terá acesso vão ser imensos. Nuno Lourenço, coordenador do Gabinete de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, disse que lá em baixo “existe aquilo a que se chama os 'oásis de vida', em zonas hiper-báricas, onde os seres vivos se adaptaram a condições extremas de vida.”
E é aqui que eu começo a pensar no que de facto se pretende. Se calhar não querem mais país para ficarmos todos mais à larga. (Embora em certos espaços públicos essa medida fosse muito apreciada.) O que eles devem querer é enfiar um bom magote numa dessas zonas hiper-báricas para reduzir o número de portugueses cujos problemas eles têm de fingir que tentam resolver.
Se for essa a sua intenção, proponho que sejam os trabalhadores a recibos verdes. Já que não são um problema aos olhos do Estado não há razão para continuarem a ocupar espaço em território nacional. E atenção que eu incluo-me nesse grupo. Eu sei do que estou a falar. Querem mais país para menos pessoas. Tudo bem. Eu vou para um desses 'oásis da vida'. Tenho quase a certeza de que, assim que desenvolver guelras, as minhas condições de vida vão melhorar substancialmente.

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