13/06/10

TERMINUS 100: O FIM DA TELENOVELA


Ora, finalmente!, cá temos o final da telenovela que tanto nos tem entusiasmado durante os últimos meses. O Governo interveio ou não no negócio da compra da TVI pela PT? Rui Pedro Soares era amigo ou só conhecido? Se Henrique Granadeiro era a pílula do dia seguinte, quem era o contraceptivo original?
Estas e muitas outras perguntas prenderam o país à televisão durante meses a fio. A minha televisão estava sempre sintonizada no Canal Parlamento para não perder pitada. Desde a Comissão de Inquérito ao Caso BPN, com aquelas magníficas interpretações de Oliveira e Costa e Dias Loureiro, que temia ser impossível repetir-se algo tão espectacular. Estava enganado. Eu e muitos outros.
As evasões de Dias Loureiro, o seu recurso à falta de memória e à ambiguidade foram marcas de um grande intérprete, embora parecessem um pouco amadoras, quando comparadas com as declarações de Rui Pedro Soares. Para um estreante esteve muito bem. É, sem dúvida, um talento a ter em conta.
A condução dos trabalhos foi bem desempenhada. Os interrogadores jogaram bem com a técnica do “polícia bom / polícia mau”, ou seja, Mota Amaral e João Semedo (ou Pacheco Pereira). O enredo começou um tanto ou quanto tremido. (Confesso que não me atraiu logo de início.) O que tornou esta telenovela um must-see, foi quando Armando Vara entrou em cena.
Desde há muitos anos que aprecio bastante o trabalho de Armando Vara. Penso que é um dos nossos melhores actores. Sempre seguro nas suas declarações; dá gosto vê-lo trabalhar.
Voltando ao enredo, houve alguns momentos monótonos e previsíveis. Por exemplo, aqueles episódios sobre que perguntas colocar ao Primeiro-Ministro. Algo que se despachava bem numa cena de cinco minutos, foi esticado até vários episódios. O resultado, todavia, foi uma surpresa. José Sócrates decidiu não comparecer na Comissão de Inquérito (o que foi pena, já que teria sido, certamente, mais uma interpretação soberba) e enviar as suas respostas por escrito. Perdeu-se uma grande cena, mas essa escolha por parte dos autores, ajudou a que a história avançasse mais depressa.
Duas outras surpresas vieram dos personagens Zeinal Bava e Mota Amaral. Sobre o primeiro, penso que não ficou bem a Comissão de Inquérito ter de se reunir de propósito a um Domingo para questionar o CEO da PT sobre o negócio. Perdoa-se a liberdade criativa mas, se fosse a sério, isto nunca aconteceria. Quanto a Mota Amaral, foi com grande júbilo que assisti ao seu volte-face final. Não esperava que fosse o responsável máximo da Comissão de Inquérito a dificultar a resolução do caso. Isto é o que distingue as grandes histórias das demais: nunca antecipamos o que aí vem.
Tal como os Perdidos, foram muitas as perguntas que ficaram por responder; ao contrário dos Perdidos, creio que, em breve, assistiremos a uma possível sequela. Oiço rumores de uma spin-off com Pacheco Pereira e Passos Coelho. Só espero que faça justiça ao original.

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