18/06/10

TERMINUS 103: ESTRANHAS LIGAÇÕES


A acreditar no que diz o jornal mais lido nos cafés portugueses, as supostas intenções do Governo adquirir uma estação televisiva para assim controlar o teor da informação capaz de prejudicar o Governo abrangiam outros meios de comunicação, incluindo esse tal jornal.

Para determinar se o Governo, na pessoa do seu representante máximo, sabia ou não deste negócio, foi formada uma Comissão. Esta Comissão iria discutir se o bacalhau é peixe ou não, mesmo quando toda a gente sabe que o bacalhau é apanhado no mar, logo é peixe. Havia o testemunho dum pescador que podia ajudar muito, mas houve um senhor, o presidente, que disse que não queria ouvir aquilo porque o outro senhor dizia palavras feias.
O representante do partido do Governo foi um senhor de risca branca no cabelo. O mesmo senhor que há umas semanas atrás agiu directamente sobre dois gravadores pertencentes a jornalistas duma revista com nome do dia da semana que vem entre sexta-feira e Domingo. Revista que é do mesmo dono do tal jornal que é muito lido nos cafés.
Diz o senhor da mecha branca:
“O Governo não interveio, nem directamente nem indirectamente na operação da [operadora telefónica portuguesa cujo nome é composto por duas consoantes com as quais escrevemos a palavra “pato”] conducente à compra da [segunda estação de televisão privada portuguesa].
O senhor que não queria ouvir o testemunho do pescador é também da mesma zona que o senhor da risca branca. Valha-nos isso. Por momentos temi que pudesse ocorrer algum desacordo. É melhor assim quando estão todos em sintonia.
Os senhores que se sentaram à volta duma mesa durante um ano, para discutir se o senhor primeiro-ministro sabia se o bacalhau é ou não peixe, apresentaram agora os resultados. No fim, até o senhor presidente disse que tinha gostado muito daquele convívio. É claro que houve alguns descontentamentos por parte de certas pessoas, mas isso é normal em Democracia.
“O senhor Primeiro-Ministro sabia ou não que o bacalhau é peixe?”
“Oficialmente não tinha qualquer conhecimento acerca dessa matéria.”
O mesmo argumento usou João Serrano – deputado do PS e presidente da Comissão de Ética encarregue de avaliar o levantamento da imunidade parlamentar ao vice-presidente da bancada socialista, Ricardo Rodrigues – ao dizer que aguardava a posição oficial do deputado, uma semana depois de este ter dito publicamente que estava disponível para prescindir da imunidade parlamentar. João Serrano não quer saber disso. “Não vou terminar o relatório sem o contributo do deputado.”
Eh pá! Eu com tanto cuidado a escrever isto só com subterfúgios, para ninguém conseguir provar que estava a falar deste ou daquele, e agora fui usar nomes. 'Tou lixado. A não ser que diga que esta não é a minha posição oficial. Com sorte, talvez pegue.

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