19/06/10

TERMINUS 104: ACIMA DE TUDO, O RIGOR

 O pessoal de Bruxelas diz que o nosso plano de austeridade é bom, mas não chega. Com toda a razão. Eu acho um escândalo ainda termos salários tão altos e impostos tão baixos e tão mal aproveitados. Assim nunca mais chegamos lá.
Como assim? Troquei-me no quê?
Ah! É verdade. Peço desculpa pela imprecisão. Vou rectificar.
O pessoal de Bruxelas diz que o nosso plano de austeridade é bom, mas não chega. Mais uma vez, os senhores que falam uma língua diferente da nossa e que enchem o bandulho à nossa conta, dizem que ainda não estamos magrinhos o suficiente. Segundo consta, ainda estamos 2,5 mil milhões de euros gordos.
Portugal tem “Uma dívida elevada e em rápido crescimento e um considerável défice da balança corrente.” diz Bruxelas. Quem é que disse que não sabemos ser bons e competitivos? Nós saber, sabemos, mas é só no que não interessa.
Quanto às indicações de Bruxelas, eu acredito que conseguimos atingi-las facilmente. Ou melhor, o Governo consegue. Isto é, acaba por não conseguir mas, consegue convencer o pessoal de Bruxelas que sim.
Por que razão eu digo isto? Eis por quê. Passámos de 72,8% de negativas a Matemática no 9º ano em 2007 para 44,9% em 2008 e 36% no ano passado. Tudo isto graças a orientações programáticas e políticas de avaliação de docentes e discentes que produziram resultados inquestionáveis que a todos orgulham.
Percebem o que eu quero dizer? Que eu saiba, ainda não houve ninguém em Bruxelas que tenha dito “Isto das notas boas em Portugal é tudo uma fantochada. Vamos abrir um inquérito para ver se isto é mesmo assim ou se eles nos estão a enfiar o barrete.” Nunca ouvi nada remotamente parecido com uma suspeita quanto a esta matéria. E para mim, quem acredita nisto, acredita em qualquer coisa.
O pessoal de Bruxelas quer que Portugal feche este ano com um défice de 7,3% e que o reduza, em 2011, para 4,6%. Isso, para nós, é coisa de miúdos. Nós podemos ser maus a Matemática, mas somos bons com os números. Embora o nosso saldo possa estar negativo, nós conseguimos convencer qualquer fiador de que temos condições de cobrir qualquer empréstimo.
E essa é a nossa grande safa. Senão isto já nem seria apertar o cinto. O cinto já foi vendido há muito tempo. Hoje em dia o que nós temos é um cordel feito a partir de atacadores velhos. Mas enfim. Isto sou só eu a falar mal sem razão. Apenas porque só vejo maus exemplos de quem governa e de que se opõe, não quer dizer que seja tudo mau. Se for, paciência.
(José M. Fernandes, eurodeputado do PSD, defendeu, esta semana, em Estrasburgo, o arroz da cabidela. Numa altura em que se atravessa uma forte crise financeira, é bom saber que algumas pessoas continuam a ter os grandes interesses do país em mente. Para quem diz que o partido dos laranjas anda só a tapar buracos ao Governo, este exemplo, infelizmente, não serve para sustentar essas afirmações. É apenas inusitada parvoíce.)

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