20/06/10

TERMINUS 105: OS FERIADOS E A PRODUTIVIDADE

Duas deputadas do PS apresentaram uma proposta junto do seu partido para a eliminação de quatro feriados do calendário nacional, dois religiosos e dois civis. Ainda não é certo quais serão os feriados a eliminar, já que a proposta defende que o importante não são os dias, mas a efeméride. É certo que, no ano do Centenário da República, os republicanos não queiram mexidas no 5 de Outubro. Mas há quem pense de forma diferente. Sobre a mobilidade do 5 de Outubro, D. Duarte era capaz de sugerir que essa data fosse eliminada. Já o deputado Ricardo Rodrigues, se inquirido acerca de mexidas no 25 de Abril, Dia da Liberdade, o mais certo seria levar qualquer coisa ao bolso, dada a pertinência da pergunta.

É verdade que nós temos muitos feriados e isso prejudica a nossa economia. O problema, todavia, não tem a ver com o número de feriados, ou com o número de pontes, e sim com o que trabalhamos em dias normais. Nós somos calões. Não todos, reconheço.

Exemplo. Vamos a uma Repartição das Finanças e há uma pessoa para receber os papéis, outra para carimbar, outra para agrafar e outra para receber o dinheiro da recepção, carimbagem e agrafo. Não defendo a redução do número de funcionários públicos, mas é um facto que quando o senhor do carimbo falta, aquilo engripa tudo.

Não é difícil reduzir o número de feriados, mas é difícil as pessoas aceitarem isso. Eu tento ser uma pessoa moderada, mas agora vou optar pelo radicalismo.





RELIGIOSOS

A obediência a feriados religiosos – religiosos católicos, melhor dizendo – é um erro. Como país constitucionalmente laico que somos, a obediência a qualquer tipo de feriado religioso é uma violação da Constituição. Para impedir que pessoas como eu se pudessem valer deste argumento, foram celebradas duas Concordatas entre Portugal e o Vaticano. Uma em 1940, por Salazar, e a outra em 2004, por Durão Barroso. Sem grandes diferenças, devo dizer.

Insisto. Devem-se celebrar eventos que aconteceram mesmo e não eventos que se acredita terem acontecido. Há uma diferença entre aquilo que se sabe e aquilo em que se acredita.




CIVIS

Faz-me alguma confusão, num regime republicano e democrático, celebrarem-se feriados proclamados no tempo da Monarquia e do Estado Novo. Sendo certo que se referem a eventos que aconteceram, não deixa de ser verdade que a sua relevância pode estar a ser sobrevalorizada nos dias de hoje.

O 1 de Dezembro, por exemplo. Além de ser um feriado monárquico, estaremos nós assim tão independentes? Não sou anti-europeísta, mas pensem nos esforços que temos de fazer por causa dos senhores de Bruxelas.

O mesmo vale para o Dia da Proclamação da República. O 5 de Outubro assinala o início da 1ª República, assim como o 25 de Abril assinala o início da 3ª e actual República. Comemorar duas vezes a mesma coisa é uma redundância.




No fundo, toda a gente gosta do seu feriado. As únicas queixas que se ouvem, de católicos e ateus, é quando o feriado calha a um fim de semana e não se pode aproveitar a folga.

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