23/06/10

TERMINUS 108: UMA AJUDA A QUEM MAIS PRECISA

Caro leitor, se for uma pessoa sensível, peço-lhe que considere bem se deseja continuar a ler este artigo. Faço-lhe esta advertência uma vez que se trata de um tema delicado, um tema que me leva sempre às lágrimas só de pensar nele. Pronto? Cá vai.

Há uns dias atrás, Pedro Duarte Nunes, o Vice-Governador do Banco de Portugal, afirmou que os nossos bancos irão passar por dificuldades a médio prazo. Eu sei que custa a ouvir, mas tem de ser. Diz ele que “não há grandes margens para crescimento interno” e “a introdução de novos serviços será difícil”. Eu também estou comovido. Acabou de me cair uma lágrima só de pensar no calvário que espera os nossos bancos. O que vai ser deles agora?

Infelizmente, é impossível encontrar uma solução milagrosa que resolva o problema todo de uma só vez. Os nosso bancos estão a entrar numa fase negra e entregar-lhes todo o nosso dinheiro ajuda tanto como dar peixe a um homem em vez de ensiná-lo a pescar. (Já passei por essa situação uma vez, embora o homem não se tivesse habituado à faina. Ele queixava-se que era por não ter braços. Para mim, era por ser mandrião.)

É preciso começar com calma. Retirar uma percentagenzinha dos nossos salários e doar o resto ao banco. A todos. Não podemos fazer descriminação entre bancos com três letras, bancos com anúncios de televisão giros e bancos que nos ligam para a casa . Todos precisam da nossa ajuda.

Esse grande senhor que é Victor Constâncio sabe do que eu estou a falar. Grande homem, sempre pronto a dar o melhor de si mesmo.

O senhor que lhe sucedeu é novo no cargo e vai precisar, não só da nossa ajuda, como também da nossa compreensão. É normal que ele cometa erros agora no início do seu mandato. Mais do que o repreender, temos de o apoiar, dizer-lhe que está no caminho certo.

Comecemos pela remodelação em curso do edifício do Banco de Portugal na Avenida do Ouro, em Lisboa. Desconheço o propósito da obra. A mim, que não sou engenheiro, parece-me desnecessária. Pode até ter sido o Victor a querer deixar uma prenda de boas vindas para o seu sucessor. Toda a gente sabe como é chato ocuparmos o escritório doutra pessoa e ter de andar a limpar o que ficou nas gavetas e nos armários. Ter tudo arrumado é uma grande ajuda. Além disso, não nos compete julgar, e sim ajudar.

Porque eles merecem. Tadinhos.

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