05/06/10

TERMINUS 89: ENERGIA DESPOSITIVA



Há pouco ouvi o urro de um animal ferido de morte pedindo por ser abatido. Peguei na minha caçadeira, pronto a dar o golpe de misericórdia, quando reparei que não era um animal, e sim uma besta com uma vuvuzela.

O combustível pode vender pouco, mas os senhores da gasolina não estão preocupados com isso, já que os portugueses são capazes das coisas mais imbecis para apoiar a selecção. Uns chamam orgulho nacional, eu prefiro chinfrineira. É giro, mas não tão giro como seria se todos os tocadores de vuvuzelas apanhassem lepra na boca.
Senhores da Galp, eu sei que vocês gostam do vosso dinheirito mas, não dava para arranjarem outra coisa que não fizesse tanto barulho? Eu não gosto de futebol; quero estar em casa descansadinho, a ver um filme, ou a ler, não a escutar urros o dia todo. À vossa conta acabei de balear um vizinho meu e tenho a GNR a bater-me à porta neste momento.
Eu vi o vosso anúncio e percebi que a ideia das vuvuzelas é apoiar a Selecção Portuguesa de Futubol. E percebe-se como. O Mundial vai ser na África do Sul e, se todos apitarmos as vuvuzelas ao mesmo tempo, talvez o som chegue até lá. É um som que deixa qualquer um bem disposto. Não há nada melhor. A não ser gangrena.
Li que os jogadores seleccionados para o Mundial ganham 800 euros por dia. Como ainda não vi esta informação desmentida, vou tomá-la como válida. Por isso, vamos a contas. Temos, salvo erro, 23 jogadores seleccionados. Ao dia são 18400 euros. A não ser para aquelas pessoas que aderiram à campanha da Toshiba, há muita gente que vai começar a torcer para que a campanha de Portugal em África acabe o quanto antes.
(Raça do bófia que não pára! Já vai!)
Esse pilim vem da Federação Portuguesa de Futebol que, segundo os seus Estatutos, recebe-o das quotas pagas por cada profissional ligado ao futebol e também de subsídios estatais. Não sei o valor das quotas nem o número de associados, mas duvido que gerem receita na ordem dos dezanove mil euros por dia. Não é o mesmo que comer sopa seis dias por semana para no Domingo ir comer fora. O dinheiro a sério deve vir do Estado, digo eu.
As medidas de austeridade, nomeadamente as alterações ao IRS e ao subsídio de desemprego vão gerar uma poupança/receita de 485 milhões de euros. Pode não ter nada a ver, mas chega para uma campanha inteira.
Lanço esta teoria disparatada porque somos governados por pessoas. Pessoas como eu, pessoas como o leitor, mais ricas, com mais poder mas, ainda assim, pessoas. Nós, humanos, somos imbecis. Fazemos campeonatos para ver quem consegue puxar um camião com os dentes, construímos estádios para moscas, gastamos dinheiro que não temos em coisas que não precisamos.
Porém, não somos todos iguais. Ao contrário do senhor que eu baleei há pouco, eu não investi em vuvuzelas e também não acho que Portugal seja capaz de chegar às Meia-Finais. Se achasse, talvez estivesse a escrever este texto num portátil novinho em folha em vez de
(Então? Mas isto entra-se assim na casa das

Sem comentários: