05/06/10

TERMINUS 91: MARCHA CONTRA



A 31 de Maio do corrente ano a Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP) iniciou uma marcha lenta. Pedia-se aos motoristas que circulassem a 40 km/h, dez quilómetros por hora abaixo da velocidade mínima legal. Assim que soube disto, fiquei numa pilha de nervos. Todos os dias torcia para que as reinvindicações fossem atendidas. Um protesto destes iria provocar imensos transtornos na estrada; sem falar das encomendas que chegariam atrasadas.

No dia 2 de Junho a contestação terminou e eu percebi que me preocupei à toa. Em todas as reportagens que vi na televisão, todos os motoristas entrevistados estavam a leste. (Mesmo aqueles que estavam a norte e sul. Piada parva, eu sei.) A marcha lenta, tão apregoada pelos senhores da ANTP, não teve nenhuma adesão por aí além; o trânsito não sofreu grandes impedimentos e as encomendas chegaram aos seus destinos em tempo útil. Em suma, um fracasso. E porquê?
Antes de mais, por que estavam a reinvindicar?
Descida do preço do gasóleo, redução no preço das portagens e a alteração ao Código de Trabalho que proíbe mais de 40 horas semanais, além de estipular 11 horas de descanso após 8 horas de condução. Numa viagem que demore 15 horas, o motorista poderá fazer tudo de seguida, e regressar mais depressa a casa. Tudo isto equivale a mais lucro para a empresa; lucro esse que é repartido de forma justa por todos os trabalhadores.
Agora que sabemos o quê, é lógico que o quem só pode ser os motoristas. Quem mais, senão quem anda na estrada, gostaria de trabalhar ainda mais horas seguidas, sem compensação financeira que valide o esforço? Como? Não são os motoristas? Então quem...? Os patrões? A sério? Hum...Deixa ver. Bem, faz algum sentido.
O patrão quer ganhar mais dinheiro (e não é para distribuir de forma justa por todos; isso era tanga minha), por isso, quer gastar menos em combustível e quer que os seus motoristas não tenham limite de horas de condução, elevando o número de entregas, assim como o risco de acidentes causados por fadiga.
Não percebo. Por norma, quando se reinvindica é o reinvidicador que vai para a rua reinvindicar. Aqui, pelos vistos, não.
(Diálogo entre patrões e sindicalistas)
- Digam lá aos motoristas para protestarem a favor destas medidas que vão obrigá-los a trabalhar mais.
- Porque é que não dizem vocês?
- A gente tem vergonha. E eles gostam mais de vocês. Eles que andem devagar para as encomendas chegarem tarde, as pessoas reclamarem, mas nós não ficarmos mal vistos. 'Tá bem?
- 'Tá bem, 'tá.
Deve ter sido isto. E teria sido assim se os mandriões dos motoristas tivessem protestado contra os seus direitos. É muita má vontade, é o que é. Para dia 7 de Junho está marcada uma paralisação total. Espero que até lá mudem um pouco esse feitio. Não fica nada bem.

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