13/06/10

TERMINUS 94: MARAVILHAS DA TECNOLOGIA


O engenho do ser humano em aproveitar tudo o que produz para outros fins além daqueles para que esses produtos são concebidos leva, por vezes, a situações, no mínimo, bizarras. Os Rs de Reciclar e Reutilizar podem ser levados demasiado a sério por certas pessoas. Demasiado a sério mesmo.
Já não é notícia o uso de óleos vegetais ou de açúcar como fonte de combustível, mas eis que surge a grande novidade – pronto, não é tão grande como eu estou a tentar fazer crer, admito – que é a utilização de legumes para produzir combustível.
Que o petróleo está caro já ser sabia há muito tempo. Não é de se estranhar muito esta obsessão em encontrar formas alternativas de fazer o carro deslocar-se. (Estou à espera duma empresa que lance com um sistema de propulsão pedestre, tipo Flintstones.) O estranho vem depois, quando começam a tentar fazer render o peixe; neste caso, o legume.
Como é sabido, as potencialidades do petróleo não se limitam somente ao combustível. Incluem também o plástico e outras coisas (fiquemos pelo plástico agora que é o que interessa para o caso). Utilizar açúcar e óleos vegetais, para outros fins além da produção de combustível não é impossível mas, tem o seu quê de complicado. Daí que, quando ouvi os responsáveis por esta ideia dizerem que, se as experiências em usar legumes como combustível corressem bem, iriam também tentar fazer plástico a partir dos legumes, a minha reacção foi bater palmas efusivamente.
Se o uso de legumes como combustível já me fazia imaginar cenários bizarros, com as flutuações do valor da taxação e o do indexante e tal,
Ó dona Hortense, a quanto é as ervilhas?
2,17 o quilo.”
Ai! Tão caro!”
É o indexante do legume. Está muito em alta.”
surge agora toda uma nova dinâmica. É possível que, daqui a não muitos anos, alguém pare numa estação de serviço para encher o depósito do veículo com combustível produzido a partir de feijões e pague a despesa com um cartão produzido a partir dum tremoço. Sou só eu que me estou a preocupar com isto? Provavelmente.
Nas histórias de ficção científica era frequente os personagens tomarem um comprimido, comprimido esse que correspondia a uma refeição completa. Ainda não me decidi se sou contra ou a favor de tomar uma refeição nesse formato – se estiver com muita pressa, talvez – mas faz-me espécie estar a tomar uma sopa de legumes sintética, embalada em plástico feito de legumes verdadeiros.
A grande pergunta, a que apenas o tempo responderá, é: os defensores dos legumes biológicos vão ser contra ou a favor do uso de transgénicos como fonte combustível?

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