13/06/10

TERMINUS 95: UMA QUESTÃO DE TAMANHO


Há um certo mito urbano que defende que os homens possuidores de grandes carrões usam isso para disfarçar as suas parcas dimensões em termos de genitália. Eu não tenho carro, não tenho carta de condução sequer, por isso sou a pessoa indicada para contestar a veracidade deste mito. Com isto não pretendo dizer que sou a única capaz de fazer isto, porém, sou a única disponível no momento para fazê-lo de forma incontestável. (O que, evidentemente, não significa que não possa ser contestado por alguém com uma teoria melhor fundamentada do que aquela que de seguida vos apresentarei. Apenas peço que não o façam. Se for para elogiar, tudo bem. Se não, contenham-se.)
A minha teoria de que este mito é falso verifica-se a partir do momento em que a sua autenticidade é comprovável. Parece contraditório. Não é. Conforme eu tentarei explicar.
Um homem que sofra de défice estrutural na sua anatomia não tem interesse em divulgar esse infortúnio ao mundo. Sendo o carrão um emblema de algo a menos, manda a lógica que nenhum homem escolherá um carrão de livre vontade. Por outras palavras, se as pessoas mais abastadas tivessem de usar um chapéu verde e as menos abastadas um chapéu encarnado, é certo que todos os homens usariam um chapéu verde.
É preciso também não esquecer o outro lado da questão, isto é, o inverso da teoria. Se todo o homem com um carrão está a tentar compensar algo, isso significa que, quanto mais pequeno for o carro, melhor servido o homem estará. Ora, isto também não se verifica. Se se verificasse, então todos os homens teriam carritos.
A desmistificação do mito não acaba aqui. É preciso considerar outras questões estruturais da pessoa, além das genitais, nomeadamente a altura.
Há diferenças óbvias entre gigantes e minorcas no que concerne a escolha de um veículo. (Talvez devesse ter escolhido um termo menos depreciativo do que gigante, mas não me lembrei de nenhum.) O gigante terá preferência por um carrão, dada a sua altura. É difícil para um gigante conduzir um carro pequeno, uma vez que tem de levar os joelhos encostados aos ombros.
O minorca, por outro lado, prefere um carrito. Apenas e só porque, se tiver um carrão, o mais certo é não chegar aos pedais. Uma vez passeei de carrão com um minorca e, apesar da experiência ter sido engraçada (toda a gente na rua pensava que o carro estava a andar sozinho), é fácil causar acidentes assim. Para os minorcas, carrões só com próteses.
Ora, a altura da pessoa não define o seu tamanho genital. Existem gigantes com genitálias menores do que a de alguns minorcas; e o contrário também sucede. Logo, a escolha do carro não tem a ver com compensar e sim ajustar. Gigante ou minorca, não interessa. A escolha entre carrinhos e carrões não tem nada a ver com genitália, apenas com saldo. Quem tem dinheiro para um carrão, compra um carrão; quem não tem, compra um carrito. Seja com os joelhos nos ombros ou a provocar sustos nos transeuntes.

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