13/06/10

TERMINUS 97: UMA HISTÓRIA MAL ENJORCADA


Quando era mais novo li quase todos os livros escritos pela actual Ministra da Educação, Isabel Alçada, e pela sua parceira, Ana Maria Magalhães. Actualmente, sinto-me como se estivesse a ler o início duma nova saga, esta escrita a solo, cujo título ainda não foi revelado. Embora tenha tido um início promissor, os últimos capítulos demonstram alguma inconsistência sobre o que a autora pretende.

O ENCERRAMENTO DE ESCOLAS
A ideia é fechar escolas com menos de vinte alunos, com mau aproveitamento, e escolas com menos de dez alunos, independentemente do aproveitamento. O que se pretende é combater a exclusão social, juntando várias escolas numa só. Recordo-me da bela ideia que foi fazerem turmas com alunos de vários anos do 1º Ciclo e estou certo de que esta será igualmente espectacular.
Esta é a Ministra boazinha, aquela que não gosta de ver pessoas sozinhas e quer juntá-las para fazerem novos amigos.
Deixo uma sugestão à sra. Ministra. Se o objectivo é, de facto, a inclusão, proponha que faça as Escolas-Tintim. Os alunos entram aos 7 e se, até aos 77, não aprenderem a tabuada, saem e vão para as Novas Oportunidades.

O SALTO DE ANO
Neste capítulo propõe-se que os alunos com mais de 15 anos, ao chumbarem no 8º, façam um exame e saltem logo para o 10º. O 8º, segundo o consenso geral, é o ano mais difícil. Com esta medida vai passar a ser o mais fácil. Quem é aprovado, passa para o 9º, quem reprova, passa para o 10º.
Esta é a Ministra Dra. Jeckyl e Miss Heyde, no sentido em que temos dois comportamentos distintos. A parte boazinha que diz,
Coitadinhos. Chumbaram, foi? Vá, façam lá este examezinho que eu deixo-vos saltar um ano.”
e a parte gozona que diz,
Eh! Eh! Olhem-me só práqueles totós a estudarem! Querem fazer a escola toda, os burros!”

A VIAGEM A TIMOR
Os alunos da Escola Portuguesa de Dili queixaram-se à Ministra da Educação por terem que fazer exames nacionais à noite, cansados, sem luz natural, sem transporte para casa e com maior dificuldade para se concentrarem. Porque razão tal sucede?
Por duas razões.
Primeiro porque a Escola de Dili está integrada no sistema de ensino português, o que obriga os alunos em Timor a fazerem os exames ao mesmo tempo que os alunos em Portugal. Mesmo que em Portugal sejam três da tarde e, em Dili, onze da noite.
Segundo, porque, segundo a Ministra,
Vocês estão numa idade cheia de energia, que devem canalizar para estes objectivos. Por isso pensem na melhor forma de naquele momento estarem no vosso máximo.”
Esta é a Ministra assim-assim. Enaltece as capacidades dos jovens, embora, por dentro, haja um risinho maroto. No fundo é um apelo à capacidade de desenrrascanço do tuga.

O que dizer de tudo isto? Em primeiro lugar, a personagem não está bem definida. Age e reage sem razão sustentável. O plot também não é claro. Qual é o seu objectivo? Quem são os inimigos e quem são os aliados? Se definir estes parâmetros, eu acredito que a história começará a entrar nos eixos.
Aguardo novos capítulos.

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