04/07/10

TERMINUS 113: QUINZE VEZES >

Se ainda não sabem, ficam desde já a saber: eu não gosto de futebol. Não gosto. Nem de futebol, nem de bola. Acho uma pura perda de tempo.

Para a única pessoa que continua a ler este artigo, deixe-me explicar porque é que eu não aprecio o chamado desporto-rei. Antes de mais, porque é que lhe chamam desporto-rei se, em Portugal, os primeiros clubes de futebol só surgiram após a Proclamação da República? Essa é a primeira.

Segundo, não é por eu não gostar de futebol que deixo de reconhecer a sua importância. Foi isso mesmo que leu. O futebol é muito importante.

Ai agora já voltaram? Quando eu 'tava a falar mal do vosso desportozinho, ficou tudo enxonfrado, mas depois, assim que eu começo a falar bem, já vem cá tudo beijar a mão. Vocês saíram-me cá uns vira-casacas...

Adiante. Vou fingir que não me importo. Dizia eu que o futebol é muito importante para o país.
Por causa do emprego que gera e do forte estímulo que dá à nossa economia?” Pergunta alguém com um defeito na fala.

Meu caro senhor, só por milagre é que eu percebi a sua pergunta. A resposta é simples:

Não. A razão pela qual o futebol é muito importante para o país é porque mantém as pessoas distraídas. E quando as pessoas estão distraídas, os nossos governantes podem governar à vontade sem aquela maçada de terem de dar satisfações.

Agora fala-se muito dum professor que ganha quinze vezes mais do que o Presidente da República. Fala-se porque esse tal professor foi participar numa prova desportiva qualquer e perdeu. Agora querem que ele se vá embora. Acham que é muito dinheiro para maus resultados.

Ai agora é muito dinheiro? Quando empata com o Brasil, ou quando ganha à Coreia do Norte, 'tá tudo bem. Para alguns, se calhar, até ganhava pouco. Perde o primeiro jogo, volta para casa e tem uma recepção destas.

Tenho dificuldades em compreender o vosso comportamento. Já em relação a compreender porque motivo Carlos Queiroz ganha mais do que o Presidente da República isso, além de compreender, eu proponho que tentem adivinhar.

Carlos Queiroz ganha quinze mais do que o titular do mais alto cargo da Nação porque:

a) Nós somos uma cambada de tansos (não é “mansos” como disse o Francisco, mas não se preocupem que a diferença não é muita)
b) Porque é preciso manter os portugueses concentrados em coisas que não interessam para não darem conta do que se passa à sua volta
c) A pessoa que escreveu o contrato de Carlos Queiroz enganou-se nos números e ninguém a chamou à atenção porque havia outra pessoa que também se tinha enganado no contrato dessa pessoa. (A origem desta sequência de pessoas que se enganam a escrever contratos é incógnita até ao momento. Teme-se que seja impossível alguma vez apurar o principal responsável.)

Escolha a sua opção e vá dizê-la a quem quiser. A mim não que eu tenho mais que fazer.

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