04/07/10

TERMINUS 116: TESTE DE INTELIGÊNCIA

Na mesma semana em que decorreram as eleições para Presidente da Alemanha, um deputado da CDU propôs a realização de um teste de inteligência a todos os imigrantes que queiram entrar na Alemanha. (Faço aqui um parentesis para explicar a algumas pessoas que a CDU alemã é o CDS português.)

A realização de um exame para quem pretenda obter a nacionalidade de um país do qual não é natural é algo comum a muitos países. Na Alemanha, esse exame avalia conhecimentos sociais e culturais sobre o país. Entende-se que queiram fazer o exame para terem a certeza de que vão receber alguém que gosta muito, ou que sabe muito, sobre o seu país. O que não faz muito sentido. Não é por alguém estudar muito para um exame, que passa a gostar dessa Cadeira.

Desconfio que o deputado que propôs este teste de inteligência tenha chegado a esta conclusão. Talvez o número de imigrantes que passam no exame de naturalização tenha aumentado bastante nos últimos anos. É apenas uma de muitas diferenças entre a Alemanha e Portugal. Lá, quando há uma súbita subida de resultados positivos, decidem verificar para ver se bate tudo certo; cá, quando temos alunos a dizer que o exame nacional de Matemática “foi facílimo” é apenas o resultado de boas políticas educativas.

Na Alemanha, das duas uma: ou o pessoal estava a usar cábulas ou andavam a marrar que nem uns marrões. O deputado quer que eles façam esta prova para ter a certeza de que só lá ficam os realmente inteligentes. O que parece ser uma ideia francamente estúpida. A perspectiva de viver num país onde todos são inteligentes parece muito bonita, mas e depois? Como é que o Governo funciona se só tiver cidadãos aptos a questioná-lo a cada decisão? Como é que os patrões enganam os empregados? Isto, se existirem empregados.

Realmente, uma ideia destas, vinda dos senhores que querem vir para cá fiscalizar o nosso Orçamento de Estado, não parece uma coisa muito acertada. Não seria melhor, em vez de um teste de inteligência, um teste de inteligência emocional? Em vez de verificarem o que a pessoa sabe, porque não verificar o que a pessoa sente? Há tanta revista com testes desses. É só escolher um entre milhares de enunciados disponíveis em qualquer papelaria ou quiosque e pronto. Seria muito mais seguro.

Cá em Portugal tenho algumas dúvidas de que isto fosse resultar da maneira pretendida. A não ser que se escolhesse uma de duas possíveis formas de aplicação: ou aplicava-se apenas a portugueses burros ou aplicava-se a toda a gente sem excepção. E isto deixa-me dividido.

Por um lado, não me importava de viver num país só com pessoas inteligentes, sem chicos-espertos. Por outro lado, receio que a ausência de portugueses pudesse pôr em causa a nossa identidade nacional. Por exemplo, visitar locais públicos e ler indicações em várias línguas, menos em português, ou mesmo, usarmos um instrumento sul-africano como a vuvuzela para apoiar a Selecção Portuguesa de Futebol. Enfim, nada que pudesse acontecer num país como o nosso.

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