11/07/10

TERMINUS 120: O QUE VALE É QUE ESTAMOS EM BOAS MÃOS

 Quem criticou as declarações do senhor Procurador Geral da República, sobre a nossa justiça ser a melhor a nível europeu, deve ter ficado com um melão bem grande quando se soube que Joaquim Fernandes vai ser o único acusado pelo Ministério Público pelo acidente de 27 de Novembro de 2009, na Avenida da Liberdade, Lisboa.
Joaquim Fernandes, cabo da GNR, estava a trabalhar como motorista do carro do secretário-geral da Segurança Interna, Mário Mendes. A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa afirma que os factos apurados indicam o motorista como o “único responsável do acidente”. Está acusado de “condução perigosa de veículo rodoviário”, crime punível até três anos de prisão.
Nesse mesmo dia, Mário Mendes estava atrasado para a tomada de posse de 18 governadores civis. (Esta desculpa resulta sempre.) Foi por esse motivo que Joaquim Fernandes violou várias regras de trânsito. E era um bocado difícil não o ter feito, já que Joaquim Fernandes era um cabo da GNR e o homem que ele transportava, além de seu chefe, era chefe da polícia.
Calhou passar um sinal vermelho, calhou serem abalroados pela viatura oficial do Presidente da Assembleia da República. Mas imaginem que, em vez disso, tinha acontecido o seguinte: Joaquim Fernandes, supostamente seguindo ordens do seu patrão, passava um sinal vermelho. Um militar da GNR vê a infracção e manda-o encostar o carro. E depois? Quem é o idiota que vai multar o próprio patrão? Como é óbvio, ninguém.
Demorou-se menos de um ano para se chegar a estas conclusões e, infelizmente, sinto-me pouco seguro, diria mesmo assustado, quanto ao que foi apurado. Que Mário Mendes tenha fugido com o rabo à seringa da responsabilidade duma situação da qual foi parcialmente responsável não me surpreende. Assim como não me surpreende não ter sido condenado. Não só pela razão mais óbvia como por qualquer outra que possam imaginar. Também não me surpreende que este caso tenha sido julgado tão depressa, quando outros mais simples e evidentes demoram anos e anos. Nada disso me surpreende ou assusta.
O que me assusta mesmo é ver Mário Mendes, secretário-geral da Segurança Interna, o “Super-Polícia” como alguns lhe chamam, ir à SIC Notícias falar do caso e dizer que “não se lembra”, “não se recorda”, “não tem a certeza”, etc. Um bocado como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Armando Vara, ou qualquer outro elemento questionado por uma Comissão de Inquérito. Com uma diferença: Mário Mendes é secretário-geral da Segurança Interna. É alguém cujo rigor e tenacidade deveria ser um exemplo para as forças de segurança e para o cidadão comum. É alguém que deveria saber dizer, objectivamente, o que ocorreu. E objectivamente não implica ser verdade, apenas verosímil. Porque antes de nós acreditarmos na patranha, primeiro ele tem de se lembrar qual é

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