25/07/10

TERMINUS 125: QUEM É FELIZ, QUEM É?

Um estudo publicado recentemente pela Forbes e pela Gallup concluiu que o índice de felicidade dos portugueses é inferior ao dos paquistaneses. Numa altura em que o mundo atravessa uma profunda crise financeira é refrescante existir quem se preocupe em medir a felicidade. Diz o ditado que o dinheiro não traz a felicidade; estranhamente, a falta dele também não.

Não contesto os resultados do estudo. Quer dizer, não por completo. Portugal está na 70ª posição; no fundo da tabela estão o Ruanda (148ª) e o Haiti (144ª), países cujos habitantes não têm assim muitas razões para estarem felizes.

Digo eu. Antes, ainda se podia contar esta piada:

Um ruandês cruza-se com um haitiano e diz o ruandês:

“Então e aquele terramoto, pá?”

“Nem me digas nada! Fiquei sem casa, sem trabalho. Enfim...E tu, como é que vais?”

“Cá vou andando. A minha família foi toda chacinada esta semana. O costume.”

E diz o haitiano:

“Ao menos não estamos em Portugal.”

Agora já não.

Como eu dizia, não contesto a segunda metade da tabela, mas faz-me alguma confusão que a Dinamarca e a Suécia tenham ficado nos primeiros lugares. A Dinamarca e a Suécia podem ser muito boas na Educação, nas Finanças, na Economia, no desenvolvimento; por outro lado, são também os países europeus com a mais elevada taxa de suicídio.

Assim é fácil ficar em primeiro! Os macambúzios matam-se todos e só ficam os felizes! Lá está porque é que alguns países não querem trabalhadores emigrantes, principalmente portugueses – a saudade deixa-nos tristes e eles não querem isso. Querem trabalhadores felizes.

Como os paquistaneses, por exemplo.

Mas que raio é que os paquistaneses têm para serem mais felizes do que nós? Na prática temos a mesma coisa: um país vizinho com o qual se disputa uma terrazinha e habitantes que se queixam dos trabalhadores estrangeiros fazerem os trabalhos que os locais não querem fazer. Porquê tanta felicidade? Não se percebe.

Todavia, é bom não esquecer que o Paquistão tem um programa nuclear. Portanto, se calhar a questão não é porque é que o Paquistão é mais feliz que Portugal, e sim porque é tão pouco mais feliz. De 70 para 58 a distância não é muita e nós não temos propriamente a melhor imagem para quererem ser nossos vizinhos a não ser que sejam obrigados a isso. Estar próximo de nós pode contaminar os paquistaneses com saudade e tristeza e pessoas tristes com bombas nucleares são uma péssima combinação.

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