25/07/10

TERMINUS 126: É BONITO O ALTRUÍSMO

Como sabem, eu não ligo ao futebol. Mas não é por isso que deixo de estar atento ao que se passa nesse universo; principalmente o que transcende para a vida do dia a dia de nós, comuns mortais. Sei que estamos na pré-época, sei que é nesta altura que os clubes apresentam e procuram novas aquisições. É uma época de oferta e procura; de negócios, em suma.
O tema deste meu artigo – lamento a desilusão, mas vocês já deviam saber – não tem a ver com futebol, e sim negócios. Em particular, um que foi sugerido esta semana. Apesar dos eventos que antecederam esta proposta serem difíceis de equacionar, vou tentar fazer um pequeno resumo para que estejamos todos na mesma onda.
Ora bem, primeiro havia um sucateiro que oferecia prendas, depois havia um gestor de um banco, que era amigo dum primeiro-ministro, que por sua vez talvez conhecesse um certo administrador. Água vai, água vem, essas pessoas, que falavam muito ao telemóvel, a tratarem dos seus negócios e tal, deram por si envolvidas num caso de polícia.
Veio então alguém que pôs tudo em segredo de justiça; depois veio alguém que disse “Não senhor!” e atirou o segredo de justiça pela janela e ninguém sabia o que é que se podia dizer. Surgiu então um jornal que disse que ia publicar algumas das conversas que o tal administrador teve com certas pessoas. E ele, envergonhado, disse, “Não façam isso que eu tenho uma voz muito nhonhó ao telefone. Olhem que eu vos processo.”
No dia seguinte, ao raiar do Sol, lá vinham as conversas publicadas. E o administrador pôs um processo ao jornal, dizendo que o jornal era mau, era feio. E depois veio um Tribunal que disse “Tadinho do administrador. Só porque ele está envolvido em moscambilhas não é razão para o aborrecerem. Agora, para castigo, vão-lhe pagar 750 mil euros.”
Entretanto, num bonito gesto de altruísmo, o administrador disse que que está disposto a perdoar o jornal pela maldade que fez. Numa atitude digna de lhe conceder uma canonização, se o jornal não tiver dinheiro para lhe pagar, ele aceita ficar dono do jornal.
Estava convencido de que estas histórias só aconteciam no Natal ou nos filmes. O Darth Vader, por exemplo, é mau o tempo todo, mas no fim fica bom. Neste caso, o administrador só não perdoa a dívida. Devo dizer que o compreendo perfeitamente. As chamadas telefónicas estão cada vez mais caras.

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