31/07/10

TERMINUS 128: O REAL PROPÓSITO

Soube há dias que o ADN do Ozzy vai ser sequenciado. De imediato liguei para o meu amigo David a dar-lhe os parabéns. Após uma amena troca de palavras, ele perguntou-me como é que eu soube que ele conseguira fazer cem por cento numa música do Guitar Hero no modo Professional. Perplexo, falei-lhe das notícias que tinham vindo a público sobre o ADN do Ozzy vir a ser sequenciado.
Foi aí que descobri que o Ozzy em questão não era um dos cães do meu amigo David, mas sim Ozzy Osborne, o ex-vocalista dos Black Sabbath. Julguei que pudesse mesmo ser o cão do meu amigo, já que é o único cão que eu conheço que ladra quando vê cães na televisão.
O protagonista do “hit” da MTV, Os Osbornes, foi escolhido pela empresa norte-americana Knome para fazer parte deste projecto. Para estes cientistas que tocaram numa mulher tantas vezes como num copo de cerveja, faz confusão como é que alguém pode beber, fumar, inalar, chutar e snifar tanto durante tanto tempo e ainda continuar vivo.
Para ser sincero consigo, caro leitor, eu desconfio que o objectivo destes cientistas não é bem aquilo que eles estão a dizer. Tudo bem que sequenciar o ADN do Ozzy até pode servir para o que eles dizem. Pode ter um “imenso potencial científico”, pode ser tudo tudo isso. Mas o que é de facto, é uma promoção moral.
Não é qualquer um que tem o seu ADN sequenciado. Por norma, esta honra só é atribuída a personalidades que contribuíram para o avanço da humanidade. Pessoas como James Watson, Nobel da Ciência, e Craig Venter, geneticista. Pessoas importantes, sem dúvida, mas totós. No caso de Ozzy, ele, não só não fez avançar, como também não avançou; é possível até que tenha havido uma regressão.
Na galeria onde estão expostas as fotografias de todos aqueles que tiveram os seus ADNs sequenciados, existem dois tipos de expressão: os muito totós que estão contentes de estar ali e têm um sorriso entre o parvo e o solene, e os menos totós que, apesar de contentes pela honra que lhes é atribuída, lamentam estar na companhia de indivíduos daquela estirpe em vez de uma qualquer modelo sueca e têm um sorriso algures entre o “bolas! que cambada de totós!” e o “matem-me, por favor”. Independentemente das reacções que possam haver, é inegável o ar cool que a presença de Ozzy Osborne neste “panteão” vai dar a todos os presentes.
Agora que sabemos o que eles querem, é bom ter em conta que esta brincadeira vai ficar em 35 mil euros. Gastavam menos a encomendar duas ou três grades de minis, alguma erva, duas ou três “peças de fruta” e pronto. Não ficavam a perceber como é que alguém que bebia até quatro garrafas de conhaque por dia, e que partiu o pescoço uma vez, ainda está vivo, mas sempre passavam melhor o tempo.
Quatro garrafas de conhaque parece muito; para alguns portugueses é só um pequeno-almoço. Daí que eu continue desconfiado quanto aos derradeiros objectivos destes cientistas. Podiam obter resultados mais conclusivos sequenciando o ADN de qualquer bêbado da minha rua. Embora nenhum deles possua o carisma e o talento de Ozzy Osborne, quando estão no pico da bebedeira conseguem ser bastante divertidos.

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