31/07/10

TERMINUS 130: CASO FREEPORT - O EPISÓDIO FINAL

Há séries que só começo a seguir quando estão quase a chegar ao fim, outras que só as descubro depois de terem passado na televisão. O Caso Freeport quase que foi uma dessas, felizmente tive um amigo que me emprestou a primeira temporada e eu consegui ainda apanhar os últimos episódios.
Já aqui falei do Caso PT/TVI. Fazer uma comparação entre estas duas séries é algo inevitável. Há aspectos em comum e aspectos distintos.
A principal diferença entre as duas séries está na vertente internacional. Enquanto que o Caso Freeport envolvia empresários ingleses, o Caso PT/TVI envolvia empresários espanhóis. Outra diferença: personagens por identificar. No Caso PT/TVI soubemos quem eram os jogadores todos; já no Caso Freeport ficámos sem saber quem era o Pinochio ou o Bernardo. (Bernardo deve ser nome de código, só pode.)
Quanto aos aspectos em comum: ambas contam com a presença de José Sócrates e gira em torno de negócios obscuros entre responsáveis políticos e empresários.
Era capaz de falar aqui da série toda, mas vou limitar a minha apreciação ao último episódio. Aos que ainda não viram os últimos episódios, atenção que poderão haver aqui spoilers.
Foi bom? Foi. Mas podia ter sido melhor.
A minha primeira crítica vai para a celeridade do processo. Passámos dezenas de episódios a acompanhar o julgamento, não havia meio da coisa ir para a frente e de repente... caso julgado e a série acaba.
É verdade que existe a hipótese de uma spin-off ser lançada dentro em breve e isso pode ter influenciado os produtores a tentar despachar a história à pressa. A série já começava a perder o seu fôlego e fazer mais episódios ou mesmo uma nova temporada só para responder a meia dúzia de questões seria um erro. Por outro lado, o modo como aceleraram o julgamento também não foi a melhor opção.
No final do penúltimo episódio Mário Gomes Dias, magnífico no papel de Vice Procurador-Geral da República que está em situação ilegal, dá um prazo final aos investigadores do Caso Freeport para apresentarem as suas conclusões senão “vai tudo pró badagaio”. É assim lançado o último cliffhanger para uma das mais espectaculares séries portuguesas de sempre.
O último episódio acompanha os investigadores na sua derradeira tentativa de apanhar o grande peixe, o ex-Ministro do Ambiente que entretanto conseguira chegar a Primeiro-Ministro. Em momento algum lhes passa pela cabeça que o Vice Procurador esteja metido na confusão. Lá por o seu patrão ter sido escolhido pelo homem que eles agora perseguem, não é razão para desconfiar das pessoas. Também se perdeu muito tempo com a cena das 27 perguntas que não chegaram a ser feitas, tempo que podia ter e devia ter sido gasto de forma mais produtiva.
A melhor sequência: após saber que tinha sido absolvido, José Sócrates lança um vídeo a salientar a sua postura digna e a conservação do seu bom nome; por outras palavras, “Toma! Toma! Toma!” Memorável.

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