08/08/10

TERMINUS 136: OLHEM PRÓ QUINTAL DOS OUTROS, NÃO OLHEM PRÓ MEU. QUER DIZEM, OLHEM

Luís Amado, o senhor a quem José Sócrates, em tempos, deu um “ferro”, lamenta que “não se dê mais atenção no país ao que se passa no mundo”. Segundo o Ministro dos Negócios Estrangeiros português (continuo a falar de Luís Amado; só não disse porque achei que isso seria evidente), as questões internacionais são pouco debatidas pelos nossos políticos.
Estaremos nós, como infere Luís Amado, a olhar só para o nosso umbigo? É possível que sim.
O mundo atravessa uma era de constantes mudanças e estarmos desatentos em relação ao que se passa fora do nosso cantinho pode trazer-nos consequências graves. Em Portugal, como se sabe, as coisas chegam sempre tarde e a más horas. Nós podíamos, e devíamos, aprender com isso.
Podíamos só usar ou fazer aquilo que, de facto, resultava. Infelizmente, não isso que acontece. Nós insistimos em tentar fazer cá aquilo que não resultou em lado nenhum. Achamos que nos conseguimos desenrascar melhor do que os outros tipos que são uns atados. Além disso, aquilo que corre bem lá fora, também tentamos fazer; só que à nossa maneira. Regra geral, as coisas não costumam correr tão bem quanto o desejado.
Se fizéssemos como Luís Amado sugere e prestássemos mais atenção ao mundo que nos rodeia, saberíamos estar precavidos e, quem sabe, reagir atempadamente às situações. Se os partidos portugueses abandonassem a picardia e a baixa semântica e passassem à lógica construtiva e pró-activa, talvez as coisas começassem a correr melhor para todos, não apenas para eles.
Infelizmente, não são estas as razões que motivaram as declarações de Luís Amado. Como Ministro dos Negócios Estrangeiros interessa-lhe que, em Portugal, se debata sobre assuntos, lá está, estrangeiros. Se até José Sócrates, que é o seu chefe, o ignora, imagine-se como será tratado pelos seus congéneres europeus. É capaz de ser o Ministro dos Negócios Estrangeiros acerca do qual contam piadas quando não está presente, ou aquele a quem colam papéis nas costa, ou põem pioneses na cadeira.
Luís Amado pode estar a dizer aos portugueses para não se preocuparem só com o seu quintal. No entanto, ao dizer isto, está a fazer exactamente aquilo que diz aos outros para não fazerem. Bonito exemplo, sim senhor. Mas entendo-o perfeitamente. Dada a sua visibilidade, se não fosse assim, ninguém repararia nele.

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