15/08/10

TERMINUS 137: À ESPERA NA SEGURANÇA SOCIAL

Esta semana fui duas vezes à Segurança Social. Ir à Segurança Social é aquele momento em que ouvimos uma discografia completo, em que começamos e acabamos um livro de quatrocentas páginas, mas acima de tudo, é o momento em que se espera. E foi graças a essa espera que consegui, finalmente, entender a razão principal de se estar tanto tempo à espera.
Ao contrário do que é comum dizer, a culpa não é de quem atende. Podem ter alguma dose de culpa quando saem todos para almoçar e fica só um sozinho a atender. Porém, quando estão todos a atender, é um erro pensar que eles atendem devagar. Falo-vos por experiência própria. Eles têm tanta vontade de demorar a atender uma pessoa, quanto nós temos de estar ali.
Desta vez esperei um total de cinco horas para ser atendido, tanto no edifício da Segurança Social, como no café em frente e, durante esse período, observei algo que ajuda a explicar este problema.
Estava eu no café em frente, esperando pela minha vez, quando vejo um casal sair do edifício com um cesto de bebé. O casal atravessa a estrada e aproxima-se duma mesa na esplanada, onde estavam dois casais. Um dos casais pega no cesto e lá vão eles, com o mesmo puto, ser atendidos primeiro que eu!
Faço aqui uma pausa para frisar que isto não é nenhuma esquema perpetrado por minorias. Se era, deixou de o ser. Qualquer um recorre a este estratagema, desde que tenha meios para isso. O chico-espertismo, o desenrrascanço, são cenas que nos estão no sangue. Não hesito em admitir que, se tivesse os meios, faria o mesmo.
Quem entra na Segurança Social com um bebé ao colo, independentemente de ir levantar documentos (senha D, hora e meia de espera) ou de entregar documentos (senha A, três horas de espera), tem direito a atendimento prioritário. Há mais pessoas que têm direito a atendimento prioritário, é o caso de idosos e pessoas com deficiência, mas por agora, vou atacar apenas as mulheres com bebés de colo e as grávidas.
Das primeiras já falei. Quanto às grávidas, as únicas que eu tolero terem prioridade são aquelas cuja gravidez tenha resultado de violação. Aquelas que engravidaram por distracção, azar. Tivessem tomado qualquer coisa, tivessem usado qualquer coisa, tivessem dito não. Aquelas que engravidaram porque quiseram, minhas caras, fizeram a vossa escolha e eu respeito isso, mas não sou obrigado a ter de esperar ad infinitum por vossa causa. A prioridade deve ser dada a quem está numa condição involuntária. Se escolheram estar assim, então que esperem.
Deixo-vos com uma proposta para resolver este problema das esperas longas e que é: um carimbo de discoteca. Daqueles que só vêem com luz negra, sabem? A mãe entra com o miúdo, o segurança carimba-o e pronto. Das duas uma, ou passamos a esperar menos tempo na Segurança Social, ou vamos assistir a um baby-boom que vai fazer duplicar a população nacional. E aí bem poderemos esperar.

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