15/08/10

TERMINUS 141: DAS MAMAS AO PROTOCOLO E AO QUE REALMENTE IMPORTA

Os homens gostam de mamas. Políticos, empresários, trolhas, músicos, médicos. Todos gostam de mamas. Desde tenra idade que somos atraídos por essas protuberâncias; primeiro como fonte de alimento, mais tarde como fonte de prazer.
Alguns gostam tanto de mamas que até tomam hormonas só para terem umas mamas grandes só para eles. Chegam mesmo a usar soutien. Depois tiram fotos na brincadeira e gravam no computador e depois o computador é invadido por hackers e em menos duma semana a PJ vai bater-lhes à porta porque as fotografias tinham ido parar a um site de pedofilia e numa das fotos, através do reflexo num espelho, podia-se ver a silhueta duma criança a passar na rua.
A verdade é que podia ser alguém baixinho e não necessariamente uma criança. Mas a dúvida está lançada e em caso de dúvida só há uma coisa a fazer: deter o suspeito para prestar declarações e dar-lhe um enxerto de porrada na esquadra. São formas de protocolo.
Existem formas de protocolo ainda mais estúpidas como estar três horas a participar um roubo por esticão, enquanto se tenta perceber porque é que o polícia, em vez de perseguir o ladrão que passou por ele, se desviou para não levar um encontrão e deixar cair a cerveja, indicando à vítima do roubo que a esquadra mais próxima era só descer a rua e virar à esquerda.
O mundo está louco e ninguém sabe a quantas anda. Falo, não só de orientação, mas também de protocolo. O caso que falei reflecte exactamente isso.
O mundo dos pássaros é para quem acorda cedo. São questões de pontualidade. E no mundo do trabalho esta deve ser a palavra de ordem. Mesmo quando somos patrões, às vezes podemos dar-nos ao luxo de ficarmos na cama até tarde, outras vezes temos de chegar cedo para darmos o exemplo. É preciso também ter em consideração os transportes. O trânsito não perdoa, quer tenhamos carro próprio, quer sejamos utilizadores dos transportes públicos; e neste último caso existem ainda as greves.
As greves que, em termos de impacto, afectam primeiramente o utente do serviço em questão. Os sindicatos intervêm, vêm as manifestações, quase sempre a partir do Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço, os jornais fazem a cobertura. Os sindicatos anunciam uma adesão de 90%, o Governo anuncia uma adesão de 10%. Em que é que ficamos?
E depois da notícia da greve vem a notícia da senhora sem pernas que não consegue arranjar trabalho como motorista, o filho está preso por tráfico de droga e tá há um ano há espera do subsídio de desemprego. É o interesse humano que faz disto notícia, dizem uns; outros diriam que é o sensacionalismo. Notícias típicas de fazer a primeira página de alguns jornais diários ou semanários. E a ética jornalística previne ou tenta prevenir isso.
Um acontecimento é feito de pessoas, isso é inegável mas nem todos os acontecimentos são notícia. A vida da dona Alzira de Alcabideche interessa-lhe a ela e aos que são próximos dela. A mim não me interessa nada.

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