16/08/10

TERMINUS 143: FÉRIAS INTERROMPIDAS PRA QUÊ?

Esta semana Cavaco Silva promulgou o diploma que altera a Lei das Uniões de facto. Em pleno mês de Agosto. Depois é assim que as coisas começam.
Atenção, eu não li nenhuma Lei das Uniões de facto, nem sei sobre que pontos Cavaco Silva terá ficado mais reticente. É uma questão que, por enquanto, não me diz respeito. Mas há uma coisa que me chateia. Já o disse várias vezes, a propósito do Pedrito dos Laranjas, e sendo Cavaco uma espécie de Padrinho (não no sentido funesto do termo) ou de Tio (não no sentido “beto” do termo), faz sentido que tenha de o dizer novamente.
Atenção ao timing.
Aníbal, posso tratar-te por tu? Eu não votei em ti nas últimas presidenciais, é verdade, mas se tu és o Presidente de todos os portugueses, que diabo pá!, isso é quase como seres meu vizinho. E eu trato os meus vizinhos por tu. Acho que insultar alguém recorrendo a “você” reduz bastante a fúria das palavras. É claro que isso não irá acontecer connosco. Em momento algum abusarei da nossa relação.
Agora que estamos mais à vontade, vou directo ao assunto.
Tu sabes que estamos em pleno mês de Agosto, não sabes? Sabes que é nesta altura que os políticos deixam de fazer nenhum (no sentido em que vão de férias)? Sabes também que as pessoas não estão minimamente interessadas com outra coisa além de Fogos, Praia e Futebol, não sabes? Ninguém vai ligar ao que tu promulgaste. Sabes disso, não sabes?
Então porque é que o fizeste?
Aposto que estiveste ontem acordado até às tantas, com a tua mulher a dizer-te “Anda pra cama, Aníbal.” E tu, em vez de ir, o que é que fizeste? Exacto, promulgaste. Pior! Promulgaste contrariado. O que já começa a ser hábito.
Quando foi do Casamento Entre Pessoas do Mesmo Sexo, disseste que eras contra mas aprovavas para a coisa não ficar a engonhar. Eu sei que não utilizaste o verbo engonhar em nenhuma declaração oficial. Porém, deixa-me imaginar que isso poderá ter acontecido em conversa privada. E não, não escutei nenhuma conversa. É uma suposição.
Tudo bem que não adiras à totalidade das soluções normativas consagradas no diploma legal que promulgaste, mas poças! Tens de ter um bocadinho de bom senso. Sem dúvida que esta é uma matéria que merece atenção e tu tens o teu trabalho a fazer. Ninguém está a pôr isso em causa.
A única coisa que eu peço, aconselho, melhor dizendo, é não tornares a interromper as férias. Sejam as tuas, para falar do Estatuto Político dos Açores; ou as nossas, para promulgar Leis com as quais não está totalmente de acordo. Estes são assuntos que podem esperar um dia ou dois, ou mesmo uma semana. Há outros em que, sim, tens de despir a farda de guia turístico e colocar o chapéu de presidente. Mesmo que depois não te sintas à vontade por não conhecer a pessoa, mesmo que fiques à porta. A não ser que calhe em Agosto. Se assim for, podes ficar à vontade.

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