21/08/10

TERMINUS 145: A FUNÇÃO DA CRÍTICA

Dentro de poucas semanas, o meu primeiro livro estará em circulação. Posso adiantar-vos que é um romance policial com algum fantástico à mistura. Falarei mais acerca disto nos próximos tempos. Por agora, vou falar daquilo que eu mais gosto no mundo da literatura, a seguir à leitura e à escrita: as críticas. Eu gosto de ler críticas. Gosto muito. Não daquelas que me ajudam a decidir sobre a possibilidade de comprar ou não um livro, mas das outras que não se percebe nada.
Exemplo: “Trata-se de um livro onde o autor explora um mundo de sentimentos ambíguos movido por uma exorbitância de sentimentos plena rodeada de uma sensibilidade magneticamente extrema elevada ao apogeu do ser humano.”
Sim, é tudo muito bonito, muito épico, mas e... a história? Onde é que está a história? Se calhar estão à espera que eu leia esta crítica e pense “Olha! É mesmo este que eu vou comprar.”
A verdade é que as críticas não servem para vender os livros. Podem ajudar em alguns casos, mas não é essa a sua principal função. Quando estava a escrever o meu livro, descobri que função é essa e posso dizer que devo ser o único que percebeu isto. Portanto, é meu dever informar-vos do seguinte: a crítica serve para alguns autores perceberem do que é que os seus livros tratam.
Eu sei contar a minha história se me perguntarem. Com mais ou menos palavras. Porém, há escritores que não conseguem. Falam da intenção da história, da sua essência, mas sobre o enredo em si, não conseguem dizer nada de jeito. Alguém pergunta, “Então e o seu novo livro é sobre o quê?” E ele responde, “Bom, então isto é... a história... de um homem... que anda à procura da sua identidade. E no fim encontra-a.”
O que é que isto nos diz? Um tipo perde uma carteira com os documentos todos e no fim encontra-a. Talvez encontre só o BI.
Ora, quando o autor não sabe explicar o seu livro, o que é que ele faz? Vai ter com o crítico e pede-lhe para escrever uma crítica ao seu livro. E o crítico, tudo bem.
Depois, o autor lê a crítica e descobre que afinal “o livro é uma amálgama de sexo e violência explorada de forma sensacionalista, cujo intuito é a degradação dos costumes morais da sociedade portuguesa e o incentivo deliberado à devassidão total.”
E o autor pensa: “Hum... e eu que até pensava que isto era uma história de amor. Tá visto que me enganei.”
Existem várias maneiras de conseguir boas críticas, excelentes críticas. Vou deixar-vos com algumas.
Convidar o crítico a escrever a sua opinião sob ameaça de pistola.
Raptar o crítico e sujeitá-lo a terapia de choques.
Raptar a mulher ou filho do crítico e ameaçar enviar pedacinhos por correio.
Fazer uma fotomontagem onde se veja o crítico com criancinhas ou a acender uma fogueira na floresta. Ou a queimar criancinhas numa fogueira na floresta.
Para começar é isto.

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